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Entre cidade e campo

Onde os alemães vivem

O mapa do país de maior população na Europa mostra que a Alemanha, com cerca de 82 milhões de habitantes, se caracteriza pela diversidade e por um grande número de cidades e municípios

Oliver Sefrin

A placa amarela da rodovia 121, cerca de 60 quilômetros ao norte de Hamburgo, mostra o caminho à cidade de Wiedenborstel, talvez o lugar mais idílico na Alemanha. Menor que ela não existe, é o que dizem os peritos do Depar­tamento Federal de Estatística. Com onze habitantes, inclusive o prefeito, esse “mini-povoado” no Estado de Schleswig-Holstein encabeça a lista dos menores municípios da Alemanha. Quem vive em Wiedenborstel leva uma vida sossegada, no meio de um parque natural. Tendo uma área de 4,5 quilômetros quadrados, a densidade populacional desta cidade é de 1,1 habitante por km2, sendo que a Alemanha, com uma média demográfica de 230 habitantes, é um dos países de maior densidade populacional da Europa. O extremo oposto de Wiedenborstel, a cerca de 350 quilômetros ao sudeste, é Berlim, onde vivem aproximadamente 3,4 milhões de habitantes. Maior cidade não há na Alemanha. A capital alemã, onde pulsa a vida de cidade grande, é a maior metrópole populacional da Alemanha, com 3849 habitantes por km2. Apenas Munique tem maior densidade populacional.

Wiedenborstel e Berlim são dois exemplos que mostram onde as pessoas vivem na Alemanha e o grande contraste que pode existir entre a periferia e o centro. O mapa e a estrutura populacional da Alemanha, o país de maior população na Europa, mostram que cerca de 82 milhões de habitantes vivem numa área de 357 021 km2, com grande diversidade e grande número de cidades e municípios. De aproximadamente 4500 municípios e associações de municípios, 30% são cidades e 70% municípios rurais. Mas a maioria de municípios rurais engana, pois a maior parte da população vive em zona urbana. Cerca de três quartos da população alemã são habitantes de uma região urbana.

As cidades, onde se pode trabalhar, fazer compras, aproveitar as ofertas culturais e de lazer, são, para a urbanista e socióloga Dra. Martina Löw, da universidade TU de Darmstadt, pontos de cristalização da vida social, cultural e profissional, sendo também lugares onde as pessoas gostam de viver (ver entrevista na página 47). Na comparação internacional, a Alemanha urbana possui um sistema de inúmeras e diferentes grandes cidades e regiões urbanas. Notável é que há grandes cidades, mas apenas quatro com mais de um milhão de habitantes: Berlim, Hamburgo, Munique e Colônia. Outra coisa também salta à vista no sistema federal alemão. A capital alemã Berlim não é o único centro urbano, o que comprova a vista aeroespacial, pois à noite reluzem fortemente inúmeras regiões ao mesmo tempo. Assim, um astronauta poderia teoricamente contar 81 grandes cidades, 611 médias cidades e 1584 pequenas cidades. No norte, no leste e no sul da Alemanha, ele poderia divisar grandes centros urbanos isolados e uma região caracterizada por pequenas cidades e povoados. No oeste, ao contrário, ele constataria que os pontos de concentração da população se localizam nas áreas urbanas das grandes regiões econômicas no Reno, no Ruhr e no Meno, e também nas aglomerações do sudeste alemão.

Uma população clássica e permanente de zonas rurais é exceção na Alemanha. Grande parte da vida no campo, hoje em dia, encontra-se nas proximidades de grandes cidades, onde há cerca de 40% de todos os empregos. Muitos municípios na periferia de grandes cidades se desenvolveram com dinamismo, escreve o Instituto Federal de Construção e de Pesquisa Urbana e Espacial (BBSR) no seu estudo “Landleben – Landlust?” (Vida no campo – Prazer pelo campo?). A pesquisa conclui que a vida no campo é muitas vezes comparável a uma vida em família, realizando-se antes na própria casa e sendo dependente de um carro, por causa da mobilidade. Mas há grande diferença entre as próprias regiões rurais. Os aspectos e a estrutura populacional de povoados que circundam grandes cidades são diferentes dos aspectos e estrutura populacional dos povoados na periferia de grandes cidades. A Alemanha é uma sociedade em movimento, e a mobilidade é um fator importante. Seja casamento ou novo emprego, os motivos para uma mudança de residência são muitas vezes pessoais. Na mudança de um lugar para outro na Alemanha, pode-se reconhecer em geral uma tendência estável, ou seja, do norte e do leste para o sul e o sudoeste que são economicamente fortes. Todavia, um número menor de pessoas mudou de lugar dentro da Alemanha nos últimos anos. No começo do primeiro decênio do século XXI, cerca de 3,5 milhões de pessoas mudaram de lugar (4,2% da população), 500 mil menos que em meados da década de 90. Quem vem do sul dos Estados alemães orientais, prefere ir para a Baviera ou Baden-Württemberg. Pessoas do nordeste vão frequentemente para Hamburgo e Renânia do Norte-Vestfália. Além disso, ainda há a geração na faixa etária entre 18 e 30 anos que tem grande mobilidade, ao passo que pessoas mais velhas são mais sedentárias.

No seu Projeto do Atlas Nacional, o Instituto Leibniz de Geografia, em Leipzig, pesquisou mais a fundo algumas transformações, concluindo que os anos desde a Queda do Muro e da reunificação alemã em 1989/90 caracterizaram um dinâmico processo migra­tório dentro da Alemanha. O que chama a atenção é que a maioria foi do leste para o oeste, sendo que também houve um forte movimento do oeste para o leste. Entre 2000 e 2007, 1,5 milhão de alemães orientais migraram para o oeste, ao passo que cerca de um milhão de alemães ocidentais mudaram para o leste alemão – de 120 mil a 140 mil alemães todo ano, tantos como numa grande cidade no oeste da Alemanha. Os destinos preferidos foram Berlim e a Saxônia, o Estado alemão de maior densidade populacional.

Enquanto as zonas rurais vêm perdendo cada vez mais habitantes, a interconexão entre cidade e campo está aumentando. Um exemplo são as regiões metropolitanas, os motores do desenvolvimento social, econômico e cultural, que vêm assumindo um grande papel como centro de competitividade internacional. A Alemanha tem onze regiões metropolitanas significantes, mantendo, assim, a liderança na Europa. Segundo uma pesquisa do BBSR, quatro dessas regiões estão entre as mais importantes regiões do continente. Elas são: Frankfurt-Reno-Meno, Reno-Ruhr, Berlim e Munique, sendo que Reno-Ruhr e Frankfurt-Reno-Meno sobressaem como regiões economicamente fortes, Berlim como centro político e Munique como centro científico.

Seria a região metropolitana um modelo para o futuro, frente a desafios como a transformação demográfica, o desenvolvimento urbano com poupança de recursos ou a mobilidade mais sustentável? A urbanista Martina Löw acredita que não serão as cidades bem grandes que se tornarão mais atraentes em longo prazo, mas antes as cidades médias. “Decisivo é que as grandes cidades ainda continuam sendo percebidas pelas pessoas como um todo. Apenas assim é possível uma identificação com elas. O que chamamos de grande cidade na Alemanha é, em padrões internacionais, um tamanho atraente”.////

05.11.2010
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