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60 anos da República Federal da Alemanha – 20 anos da Queda do Muro

A Alemanha ­comemora

Dois jubileus são festejados pela Alemanha em 2009: há 60 anos, foi fundada a República Federal da Alemanha, com a promulgação da Lei Fundamental. Há 20 anos, caía em Berlim o Muro entre o Leste e o Oeste. Resenha de seis décadas alemãs.

Janet Schayan

A década de 1950

Milagre econômico

Integração ocidental

Campeonato Mundial

Fim e recomeço: em maio de 1945, o Estado nazista capitulou. Doze anos de ditadura nazista levaram a Europa à beira do abismo, trouxeram insanidade racista e crimes hediondos e custaram as vidas de quase 60 milhões de pessoas, na Segunda Guerra Mundial e nos campos de extermínio. Os vitoriosos Aliados dividiram a Alemanha em quatro zonas. As potências ocidentais estimularam a constituição de uma democracia parlamentar. No Leste, a União Soviética abriu caminho para o socialismo. Começa a Guerra Fria. Com a promulgação da Lei Fundamental, em 23 de maio de 1949, é fundada no lado ocidental a República Federal da Alemanha. No dia 14 de agosto são realizadas as primeiras eleições para o Bundestag, o Parlamento federal, e Konrad Adenauer (CDU) torna-se chanceler federal. Na “Zona Leste”, é fundada a República Democrática Alemã (RDA) no dia 7 de outubro de 1949. Com isto, a Alemanha está factualmente dividida entre o Leste e o Oeste.

A jovem República Federal da Alemanha liga-se profundamente às democracias ocidentais. Em 1951, faz parte dos países fundadores da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA); em 1957, está entre os seis países que assinam, em Roma, os tratados de fundação da Comunidade Econômica Europeia, a atual União Europeia. Em 1955, a Alemanha Federal adere à aliança ocidental de defesa, a Otan. A estabilização econômica e social avança a passos amplos: juntamente com a reforma monetária de 1948 e o Plano Marshall dos EUA, a economia social de mercado traz um impulso conjuntural, que logo é batizado de “milagre econômico”. Ao mesmo tempo, a Alemanha Federal reconhece sua responsabilidade em relação às vítimas do holocausto. Em 1952, o chanceler federal Adenauer e o ministro israelense das Relações Exteriores Scharett assinam um acordo de indenização. Pontos altos na vida social: a vitória na Copa do Mundo de futebol de 1954 e o repatriamento dos últimos prisioneiros de guerra alemães pela União Soviética, em 1956.

A década de 1960

Construção do Muro

Movimento estudantil

Novo liberalismo

A Guerra Fria caminha para o seu apogeu. Cada vez mais fugitivos deixam a RDA rumo ao Ocidente. Em consequência disto, a fronteira da “Zona Soviética” é fechada e, em 13 de agosto de 1961, o governo da RDA fecha também os últimos acessos livres a Berlim Ocidental. Um muro é erigido através da cidade e a fronteira com a República Federal da Alemanha transforma-se numa “faixa letal”. Nos 28 anos seguintes, muitas pessoas perdem a vida na tentativa de ultrapassá-la. No seu grande discurso em Berlim, no ano de 1963, o presidente americano Kennedy reforça a garantia dos EUA pela liberdade de Berlim Ocidental. É um ano cheio de acontecimentos. Em janeiro, é assinado o tratado teuto-francês de amizade, o “Tratado do Eliseu”, como um ato de reconciliação. Em Frankfurt do Meno, começam os “processos de Auschwitz”, que confrontam os alemães de forma intensa com o seu passado nazista. No outono, o ministro da Economia Ludwig Erhard (CDU), o “pai do milagre econômico”, torna-se chanceler, após a renúncia de Adenauer.

Três anos depois, a Alemanha Federal é governada pela primeira vez por uma grande coalizão entre CDU/CSU e SPD: Kurt Georg Kiesinger (CDU) é chanceler federal, vice-chanceler e ministro das Relações Exteriores é Willy Brandt (SPD). A economia alemã ocidental floresce até meados da década de 1960, mais de dois milhões de pessoas são contratadas no Sul da Europa. Muitos desses trabalhadores estrangeiros ficam para sempre na Alemanha e buscam suas famílias.

A segunda metade da década é marcada pelos movimentos de protesto dos estudantes e intelectuais contra as “estruturas ancilosadas” e a rígida ordem de valores. Eles mudam de forma duradoura a cultura política e a sociedade na Alemanha Ocidental: feminismo, novas formas de viver, educação anti-autoritária e liberdade sexual, cabelos compridos, discussões, manifestações, rebelião e novo liberalismo – a democracia na Alemanha Federal testa a si própria em ­diversos rumos. As transformações sociais dessa ­época têm efeito ainda hoje. Em outubro de 1969, um político do SPD torna-se chanceler pela primeira vez: Willy Brandt chefia um governo de coalizão ­social-liberal, que introduz inúmeras reformas internas, da ampliação da rede social à melhoria do setor educacional.

A década de 1970

Política de distensão

Crise econômica

Terrorismo da RAF

Willy Brandt cai de joelhos no monumento pelas vítimas do gueto de Varsóvia. É o dia 7 de dezembro de 1970 e a imagem corre o mundo, tornando-se símbolo do pedido de reconciliação pela Alemanha, 25 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial. No mesmo dia, Brandt assina o acordo teuto-polonês. Como parte dos Tratados do Leste, ele estabelece o fundamento de uma nova arquitetura de paz. Como sequência à bem-sucedida integração ocidental de Adenauer, Brandt busca a abertura para o Leste europeu: “transformação pela aproximação”. Em Erfurt na RDA, em março de 1970, tinha sido realizado o primeiro encontro de cúpula interalemão, entre Brandt e o presidente do Conselho de Ministros da RDA, Willi Stoph. Em 1971, Willy Brandt é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz por sua política de aproximação com os países do Leste europeu. No mesmo ano, a União Soviética reconhece a pertença de fato de Berlim Ocidental à ordem econômica, social e jurídica da República Federal da Alemanha, no Acordo das Quatro Potências. Ele entra em vigor em 1972, juntamente com os Tratados do Leste, aliviando a tensão na Berlim dividida. Em 1973, a Alemanha Federal e a RDA acertam no Tratado de Bases, o estabelecimento de “relações normais de boa vizinhança”. Também em 1973, os dois Estados alemães tornam-se membros das Nações Unidas. Após o desmascaramento de um espião da RDA no seu estreito círculo de colaboradores, Willy Brandt renuncia em 1974 ao cargo de chanceler. Seu sucessor é Helmut Schmidt (SPD). Economicamente, o país é afetado desde 1973 pelos efeitos da incipiente crise do petróleo.

Os anos 70 são uma década de paz externa, mas de abalos políticos internos: a Fração do Exército Vermelho (RAF), liderada por Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Ulrike Meinhof, quer desestabilizar o Estado, a economia e a sociedade através de atentados e sequestros. O terrorismo atinge seu ápice em 1977, acabando com o suicídio dos principais terroristas na prisão.

15.04.2009
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