Segunda, 13/02/2012 07:14
 
 

Atualidade

Pedra fundamental da união monetária na UE

Com um breve ato festivo na cidade holandesa Maastricht, começou há 20 anos um novo capítulo na história da cooperação...mais

© dpa

Atualidade

Economia

Grupo do euro faz mais exigências ao governo grego  

Cultura e Estilo

Whitney Houston encontrada morta em Los Angeles  

Cultura e Estilo

Convenção da Unesco sobre Patrimônio da Humanidade completa 40 anos  

Perfil

Espaço livre de Berlim para as artes

O programa berlinense do DAAD para artistas convida todo ano à capital alemã cerca de 20 artistas do mundo todo. Entre...mais

Eventos

Edvard Munch

A visão modernamais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Neues Museum Berlim

Este museu é um grande romance arquitetônico, um prédio, no qual tudo tem sua importância. Após 70 anos, esta é a primeira vez que a reabertura do Neues Museum dá acesso a todos os cinco museus da Ilha dos Museus.

Till Briegleb

Se o Neues Museum abrigasse apartamentos particulares, todo novo inquilino diria que o estado do prédio é uma catástrofe. Camadas de reboque caindo aos pedaços, fendas nas paredes, marcas de incêndio, buracos de tiros, manchas de danos de água e envelhecimento de material por toda parte. “Caso urgente de renovação” seria o diagnóstico de qualquer trabalhador alemão do ramo de construções. Mas nada disto na Ilha dos Museus em Berlim. Esse estado já é a própria renovação, pois, ao contrário de um domicílio particular, os “defeitos” nesse prédio de 150 anos são testemunhos de uma história diversificada que tratam de idealismo, destruição, ciência e cegueira nacionalista. Fazendo a proposta convincente de que essa história não deveria estar oculta, mas ser relatada, o arquiteto britânico David Chipperfield recebeu em 1997 o encargo de transformar em um museu completo os restos da ruína de guerra da construção de Friedrich August Stüler. A Prússia, o reino alemão, o nacional-socialismo, a RDA e o presente globalizado deixaram suas marcas nesse prédio classicista. Preservando essas marcas, o Neues Museum, que esteve vazio durante 70 anos e que foi reaberto pela chanceler Angela Merkel em 16 de outubro de 2009, passa a ser um grande romance arquitetônico sobre o destino comum da nação alemã e da sua cultura. Nesse prédio, tudo tem sua importância. Cada traço de pintura contém uma história cultural e um significado simbólico.

Cariátides, colunas iônicas, tímpanos e arcadas que, projetadas por Stüler, conseguiram sobreviver aos bombardeamentos da guerra e à demolição parcial na década de 1950, são testemunhos dos desejos prussianos de autoprojeção como sociedade civil e de formação segundo o ideal da Anti­guidade. Ao contrário, as pinturas nas paredes, de deuses guerreiros e valquírias na sala pátria “Vaterländischer Saal”, são testemunhos da influência que a noção de heróis germânicos ainda possuía no século XIX. E as marcas de bombas incendiárias, os estilhaços de granadas e os danos causados pelo desleixo dos anos da RDA com respeito ao legado prussiano são outro capítulo de artes plásticas que completa esse romance arquitetônico. Chipperfield, um defensor da modernidade clássica, não somente encenou a história através dos seus diversos restos de material, mas também a reinterpretou com cuidado e objetividade em todo lugar onde o que era antigo já havia desaparecido. A parte destruída da ala norte e a colossal escadaria central, construída por Stüler, foram reconstruídas nas suas proporções originais, mas não com sua expressão arquitetônica original. Chipperfield as reduziu a elementos estruturais e materiais abstratos sem ornamentos. A expressão objetiva de concreto e terrazzo cinzas e os muros de tijolos vermelhos, com os quais Chipperfield compensou as perdas, dão uma impressão de espaço relativamente autêntica. Eles também proporcionam algo que a reconstrução histórica da arquitetura de Stüler não conseguiu, ou seja, o museu consegue alcançar um equilíbrio saudável entre diversidade e rigor.

Talvez não haja no mundo outro museu tão rico em diferentes texturas como este. Já as inúmeras releituras de Stüler e a variedade de espaços – desde as pesadíssimas abóbodas em forma de cripta até as salas imperiais por ele projetadas –, as fortes cores das salas de exposição preservadas e os restos das emocionantes pinturas na parede causam uma permanente mudança de atmosfera. A preservação dos vestígios históricos, da pureza rude e colorida de muitas partes antes rebocadas e das formações bizarras de reboque e restos de material teria talvez um dia excedido os limites expressivos da atmosfera nos quatro andares do Neues Museum. Mas Chipperfield reduz objeti­vamente essa impressão à simplicidade, substituindo tudo o que tinha sido destruído completamente por novas construções, alcançando, assim, a disposição e a serenidade necessárias.

Passeando pelos quatro andares e pelas duas alas do Neues Museum, o visitante muda permanentemente da atmosfera sombria e de ruínas das dependências velhas para a atmosfera nobre, geométrica e repleta de luz das dependências novas. Saindo, por exemplo, da sala escura em forma de cúpula, de Stüler, em cujo centro apenas o busto de Nefertiti está dramaticamente iluminado, mostrando suas proporções ideais, o visitante passa pelas salas com vigas de concreto claro de estrutura angular e pela grande elevação que Chip­perfield construiu na sala “Ägyptischer Hof”. Aqui são apresentados bustos e esculturas do Egito na tríade da modernidade – aço, vidro e concreto –, o que acentua ainda mais a sua sensibilidade.

Este museu abriga hoje diversos aspectos da Antiguidade. Ao lado do tema central – a coletânea do Egito, cuja galeria de retratos de mais de três mil anos vem dissipar o preconceito de que as representações de pessoas do Egito antigo são estereótipos –, há no Neues Museum temas tão variados como a migração de povos, o homem de Neanderthal, deuses, sarcófagos, Idade da Pedra, Roma, eslavos e alemães. Em formas variadas de apresentação, o Neues Museum abriga capacetes e claves de gladiadores, filósofos gregos e máscaras bufonas, mas também conglomerados de pérolas fundidas de vidro, que surgiram através da explosão de bombas incendiárias. Restos das escavações de Troia, feitas por Schliemann, e da Nefertiti estão espalhados pelo museu, assim como outros achados sensacionais, como o menino de Xanten, um cabide-manequim para festins romanos, encontrado no Reno, um chapéu de ouro com tabela astronômica, que foi usado no sul da Alemanha há 3000 anos, ou a colossal estátua do deus grego do sol “Hélios”. Esta estátua está na sala mais linda, e talvez mais íntima, que Chipperfield criou para substituir a substância arquitetônica destruída. A sala sul em cúpula, que fora destruída, foi sub­stituída por Chipperfield por uma nova cúpula de tijolos planos e escuros que, partindo de uma base quadrada, transforma-se em uma cúpula circular com lanternas azuis. Daqui, o deus desnudo dirige seu olhar através de todo o museu, em direção à velha sala com cúpula, no lado norte, onde Nefertiti corresponde a esse olhar, presa nesse flerte eterno. E nessa emocionante antítese, toda a linda com­posição desse novo Neues Museum está perfeitamente narrada.

A objetiva arquitetura de Chipperfield e o seu pragmatismo nem sempre fizeram, no passado, com que suas construções desenvolvessem certo charme através da sua forma angular. Mas a luta de 12 anos pela coexistência de vestígios do tempo e abstração no Neues Museum levou a algo de importante grandeza. Se bem que suas propostas tenham sido difamadas por um forte lobby que defendia a reconstrução fiel dos prédios destruídos em Berlim, Chipperfield seguiu consequentemente seu plano da complexidade de estruturas. O resultado tornou-se mais histórico do que a reconstrução histórica, pois são os prédios juntos com as exposições que unem em um arco da humanidade o caçador de mamute com o caçador de informações, fazendo do Neues Museum um museu histórico universal. E isto de uma maneira tão charmosa que qualquer tra­balhador do ramo não veria nenhuma necessidade de renovar o prédio.

www.neues-museum.de

28.10.2009
Bookmarks
| |

Videos

Get the Flash Player to see this player.

Mudança do modelo energético na Alemanha

YouTube Deutschland Channel

Deutschland Channel YouTube

PDF Especial

mais