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Wolfsburg –

A cidade do momento

O VfL Wolfsburg é campeão alemão de futebol, a Volkswagen é a ganhadora da crise do automóvel e o parque de temas Autostadt é uma atração

Martin Orth

Atmosfera de férias no lago Allersee. Verão, sol, barcos a vela. No bar flutuante está Edin Dzeko. Ele pede um refrigerante e brinca com o dono do bar. Em geral, isto não seria interessante, mas foi esse Edin Dzeko que levou, com seus gols, o VfL Wolfsburg à conquista o campeonato alemão. Uma sensação para esse clube de futebol da província. Uma multidão festejou o triunfo verde-branco na cidade. No centro das atenções, Edin Dzeko, o craque, para o qual o AC Milan teria oferecido 40 milhões de euros, conseguiu para seu time a classificação para a Liga dos Campeões, fazendo desaparecer aquela nuvem sombria que pairava sobre a cidade.

Antes do maravilhoso feito do VfL, Wolfsburg era conhecida como uma cidade de 120 000 habitantes, na Baixa Saxônia, que vivia à sombra da fábrica da Volkswagen. No lado norte do canal Mittellandkanal fica a gigantesca fábrica de automóveis, a maior do mundo, com as quatro típicas chaminés. Do outro lado, o pequeno centro da cidade, a piscina VW-Bad e a rua Porschestrasse, só para pedestres. Não há bairro antigo, nem bairro de estação central. E é lógico, pois Wolfsburg é tão velha quanto uma pessoa, ou seja, surgiu em 1938 durante a ditadura nazista como área habitacional para os empregados da fábrica Volkswagen, construída em uma área verde.

Viagem vertiginosa na torre de estoque transparente

De repente, parece que tudo mudou. O mundo olha para Wolfsburg e descobre uma cidade que está saindo das sombras dos tijolos vermelhos da VW. O Science-Center Phæno é, segundo o britânico “Guardian”, uma das doze mais importantes arquiteturas da modernidade. O Kunstmuseum não precisa se acanhar ao ser comparado com MoMA e o Centre Pompidou. E nacionalmente, ele está a altura do Kunsthalle de Hamburgo, do Museum für Moderne Kunst de Frankfurt e da Pinakothek der Moderne de Munique. O Parque Temático e de Experiências, único no mundo, é, ao lado do Parque Europa, em Rust, a maior atração de lazer na Alemanha. Como pontos de orientação, erguem-se as duas Torres de Carro, de 48 metros de altura e símbolo turístico da cidade, sobre os 25 hectares de parque e laguna, inaugurados por ocasião da Expo 2000 de Hanôver. Dois milhões de turistas visitam anualmente o “cartão de visita tridimensional do grupo Volkswagen”, sentindo a mobilidade em todas as suas facetas, ou seja, a encenação de animais carnívoros, de Lamborghini, a trilha off road com obstáculos, o festival Movimento, mundialmente famoso, a exposição atual “Stars & Cars”, etc. Sete pavilhões de marcas, o mais visitado museu do automóvel do mundo e o maior centro mundial de entrega de carros pertencem e estão nessa cidade, inclusive 13 restaurantes, o restaurante “Aqua”, de 3 estrelas, o nobre Ritz Carlton com pavilhão de verão e piscina.

Cada vez mais compradores de carro vão buscar pessoalmente seu automóvel, aproveitando a oportunidade para visitar a Autostadt, a cidade dos automóveis. Os custos da viagem são mais ou menos os do transporte do carro, mas a experiência na Autostadt é incomparável. Um auge é a vertiginosa viagem na cabine de visitantes em uma das duas Torres de Carros, onde estão estocados respectivamente 400 autos. Até 30% das pessoas, que encomendam seus carros através do comércio alemão, vão buscá-los no centro de clientes da Autostadt – e isto em 363 dias do ano. “Mais de 18,5 milhões de pessoas visitaram a Autostadt desde sua inauguração“, diz Otto Ferdinand Wachs, antigo diretor de projeto e hoje gerente da cidade dos automóveis. Também se nota o sucesso do Parque de Temas na estatística de visitantes de Wolfsburg, pois seu número aumentou de 300 mil em 1997 a mais de 6 milhões no ano passado.

Wolfsburg tem estrutura de cidade bem concentrada e todas as suas atrações podem ser percorridas a pé. Elas estão enfileiradas, como em uma própria exposição arquitetônica, ao longo do eixo Koller-Achse, de Klieversberg no sul até o castelo no norte. O eixo, de 2,5 quilômetros de extensão, em linha reta, foi planejado pelo urbanista Peter Koller, que, após a II Guerra Mundial, influenciou decisivamente a arquitetura urbana de Wolfsburg. De Klieversberg, com o teatro (1973, planejado por Hans Scharoun, que também projetou a Filarmônica de Berlim) passa-se pela rua Porschestrasse, com o Kunstmuseum (1994, por Peter Schweger, ZKM Karlsruhe), pelo Centro Cultural (1962, Alvar Aalto, Theater Essen), pelo Science Center (2005, Zaha Hadid, Pavilhão da Ponte da Expo 2008 Zaragoza) pela Autostadt (2000, Gunter Henn, Gläserne Manufaktur Dresden) chegando ao Castelo Wolfsburg, que deu o nome à cidade e único lugar realmente histórico. Até mesmo o Designer Outlet-Center, inaugurado em 2007 no centro da cidade, combina perfeitamente com a imagem da cidade.

Sob a égide do prefeito Rolf Schnellecke, Wolfgang Guthardt, assessor de cultura, escola e esporte durante muitos anos, teve grande participação no desenvolvimento da cidade nos últimos 15 anos. Em 1999, ele propôs ao Conselho Municipal construir um centro de ciência entre a estação do ICE, o centro da cidade, a fábrica da VW e a Autostadt. Com muito empenho e coragem, ele conseguiu impor o plano da “sua” arquiteta Zaha Hadid. Seis anos depois, o “Phæno” foi inaugurado. Guthardt assumiu sua direção. Até hoje, ele ainda anda, orgulhoso, ao redor da “maior escultura acessível da Alemanha”.

Fazendo descobertas na maior escultura acessível

Apoiado sobre dez cones, esse corpo de concreto se ergue sobre a rua. No seu interior, a sete metros de altura, estende-se uma área arquitetônica de aventuras, com formas que lembram crateras, cavernas, terraços e planaltos. A mudança contínua de perspectivas permite que os turistas sejam indiretamente guiados. Espera-se, no mais tardar no próximo ano, o milionésimo visitante. “Wolfsburg sempre foi um modelo para a República Federal da Alemanha”, diz Guthardt.

Esta afirmação pode ser um tanto exagerada, mas, na verdade, esta cidade teve muitas vezes uma função exemplar, quando, por exemplo, se tratava da integração de estrangeiros, da harmonia familiar ou do modelo de jornada de trabalho na VW. E isto se reflete hoje nas diferentes classificações municipais, pois ela ocupa lugar de destaque no atlas familiar alemão, é a cidade mais saudável do norte da Alemanha, é a praça econômica número um e o motor de crescimento da Baixa Saxônia. Naturalmente, Wolfsburg é continuará dependendo da Volkswagen, mesmo que se tenha feito uma diversificação de ação concentrada nos últimos dez anos, estabelecendo-se 120 firmas com 20 000 empregos. Volkswagen, a segunda maior construtora de automóveis do mundo, gera emprego para 48 000 pessoas em Wolfsburg. Graças ao “prêmio-sucata”, este grupo empresarial é um dos ganhadores da crise automobilística, com suas marcas de massa VW, Škoda e Seat. Cerca de 30% dos carros novos na Alemanha vêm do grupo VW. A montadora teve de estabelecer turnos especiais.

Como será o futuro da VW e da cidade? Os 9000 pesquisadores e projetistas de Wolfsburg conseguirão lançar no mercado produtos capazes de concorrer nessa área, tendo em vista os objetivos ambiciosos da política climática? Eles estão trabalhando no desenvolvimento de motores pequenos de técnica eficaz, de pouco consumo e baixa emissão. O resultado é que no fim deste ano será lançado no mercado o Golf BlueMotion, cuja emissão é de apenas 99g de CO2 por quilômetro. O objetivo da União Européia para carros novos é de 130g, para o ano de 2012. Sendo assim, a exemplo do VfL, a VW e a cidade de Wolfsburg jogarão na Liga dos Campeões no próximo ano.

20.07.2009
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