Está fazendo calor nesse dia no norte do Afeganistão, na província de Takhar. Pacientemente, os homens, as mulheres e as crianças esperam diante dos centros de atendimento, pintados de branco. Num desses hospitais de campanha improvisados, Sima, uma menina de 15 anos, é examinada pela enfermeira afegã. A viagem da sua aldeia à capital do distrito demorou pouco mais de três horas. Ainda há poucos anos, Sima e sua família teriam viajado um dia todo, para alcançar um centro médico. Futuramente, grupos móveis deverão levar o abastecimento médico-hospitalar para mais perto dos pacientes. Estes projetos são financiados com recursos do governo alemão. O que se almeja é que a população afegã venha a sentir realmente a melhora da condição de vida. Por isso, o governo alemão concentra seu engajamento na reconstrução civil e no desenvolvimento sustentável, ao lado de uma melhora da administração governamental e da formação de forças de segurança.
Todavia, muitíssimas vezes não se trata de reconstrução, mas simplesmente de construção. Em muitos setores, o Afeganistão já ultrapassou o nível da década de 1970, como é o caso da educação primária de meninas e meninos, do abastecimento básico de saúde, do abastecimento de eletricidade e água, da infraestrutura de transportes e da telecomunicação. Mesmo assim, o balanço do engajamento internacional no Afeganistão, desde 2002, sofre defasagens. Os progressos almejados não puderam ser conseguidos em todos os setores. Regiões rurais longínquas e principalmente as regiões instáveis puderam, até agora, ter uma participação limitada no desenvolvimento. As estruturas oficiais abaixo do poder centralizado de Cabul continuam tendo fraco desenvolvimento. Ainda há grandes déficits na administração governamental e no combate à corrupção, sendo que a situação de segurança piorou novamente no último ano. Um desenvolvimento econômico só poderá ser possível num ambiente seguro, num Estado que estabeleça condições básicas confiáveis.
Por isso, a Conferência Internacional de Londres sobre o Afeganistão, em 28 de janeiro de 2010, deliberou uma nova orientação estratégica, cujo ponto central é o fortalecimento da própria responsabilidade afegã, com o objetivo de transmitir paulatinamente o controle às autoridades afegãs. O governo alemão, que foi um dos iniciadores da Conferência de Londres, está decidido a levar adiante e a realizar os objetivos lá acordados. Isto significa quase duplicar os meios para a construção civil, apoiando assim os esforços do governo afegão para a reintegração de rebeldes na sociedade e para um maior engajamento na formação das forças de segurança afegãs.
Atualmente, 160 policiais alemães da federação e dos Estados estão trabalhando no Afeganistão. Até meados de 2010, este número deverá aumentar a 260 soldados, sendo que 60 deles serão integrados na EUPOL, a missão policial da UE. Ao lado da formação de policiais afegãos, também deverão ser formados professores para a instrução policial, calculando-se em 500 o número deles até fins de 2012. Tal trainer pool deverá criar as condições para que os próprios afegãos possam assumir a formação de policiais em determinado espaço de tempo.
As Forças Armadas Alemãs também dobrarão seus esforços na formação do exército afegão. Como parte da formação, os soldados das Forças Armadas Alemãs acompanharão, ainda em estreita parceria, as unidades afegãs na preparação e realização de missões. Tendo isto em vista, o Parlamento Alemão deliberou em 26 de fevereiro de 2010 o aumento do contingente alemão dentro do quadro da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) a 5 350 soldados. O número de soldados para a formação e proteção deverá aumentar de 280 a 1400. O exército afegão já vem participando da maioria das operações da ISAF. Mais da metade das operações é feita por ele. O objetivo dos afegãos, proclamado pelo presidente Karzai, é assumir totalmente, até 2014, a responsabilidade pela segurança. É um objetivo ambicioso que não apenas prevê uma aceleração da construção de forças de segurança, mas também uma realização da promessa do governo do Afeganistão, feita em Londres, de maior empenho no combate à corrupção e na construção de estruturas estatais. Neste ponto, o governo alemão apoiará o Afeganistão, pois somente um Estado afegão estável, que possa cuidar, ele próprio, da sua segurança, poderá evitar duradouramente que ele se torne novamente uma base de operações para terroristas. O caminho para a estabilização do Afeganistão não é nem confortável nem sem perigos, mas sem alternativa.//













