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Novos impulsos

A Alemanha estabelece novas bases para suas relações com a América Latina e o Caribe. A futura cooperação com os países da região guia-se por uma ampla concepção de política exterior.

Oliver Sefrin

O presidente do México, Felipe Calderón, sentou-se ao volante, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, no banco de passageiro ao lado: o trajeto-teste conjunto com o novo modelo do “New Beetle”, na fábrica da Volkswagen em Puebla, foi uma bela imagem das boas relações e da estreita cooperação econômica entre os dois países. Mas na sua visita em meados de julho de 2011, o ministro alemão das Relações Exteriores não tratou apenas da ampliação da cooperação econômica nas suas conversações com o presidente mexicano e com a ministra das Relações Exteriores, Patrícia Espinosa. A agenda incluiu também os temas da criminalidade organizada, do desarmamento e da proteção do clima.

Westerwelle afirmou que se alegrava muito de ser hóspede de um “país tão importante e emergente”, que ganha um significado político mundial cada vez maior. Ele ­também visitou a Colômbia e o Haiti. No Haiti, informou-se sobre a situação reinante desde o grave terremoto. Para ­Westerwelle, esta foi a segunda grande viagem pela América Latina como ministro das Relações Exteriores. A visita foi assim um marco para o novo dinamismo, com que a Alemanha trata as relações bilaterais com a América Latina e o Caribe.

Retrospectiva: No dia 4 de agosto de 2010, o salão Weltsaal do Ministério das Relações Exteriores em Berlim, estava decorado com as bandeiras de todos os 33 países da América Latina e do Caribe – como se todos os países do continente estivessem convidados, nesse dia, para uma recepção estatal na capital alemã. Estavam presentes mais de 400 convidados dos setores de política, economia e ciência. O ministro das Relações Exteriores Guido Westerwelle apresentou a nova concepção governamental para a América Latina e o Caribe. O documento de 64 páginas, elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores em estreita cooperação com os outros ministérios e com organizações não-governamentais, é o primeiro grande programa elaborado para toda a região desde 1995. O projeto trata de política e economia, cooperação desenvolvimentista, até educação e pesquisa, bem como de proteção ambiental e do clima, ou seja, um amplo leque de temas das relações bilaterais. A clara mensagem do programa: a Alemanha precisa engajar-se futuramente de forma mais ativa na América Latina e aproveitar melhor as potencialidades das relações. Na apresentação, o ministro das Relações Exteriores Guido Westerwelle afirmou que a dinâmica região com mais de 500 milhões de habitantes é frequentemente subestimada no seu significado político e econômico. “Todo o continente está expandindo. Deveríamos ser suficientemente sábios, para participar desta história de sucesso”.

Na sua primeira grande viagem internacional como ministro das Relações Exteriores, em março de 2010, Westerwelle visitou diversos países da região – Chile, Brasil, Argentina e Uruguai. Ele reuniu-se, entre outros, com os presidentes do Brasil e do Uruguai, bem como com a presidente argentina Cristina Kirchner. A viagem serviu também como preparação para elaborar o novo conceito para a América Latina.

Na apresentação da estratégia para a América Latina, em agosto de 2010 em Berlim, Westerwelle ressaltou os valores políticos e os interesses comuns com os países da América Latina, que formam uma base sólida e confiável para a cooperação. Já o passado demonstrou que os países latino-americanos são importantes parceiros da Alemanha em questões internacionais significativas como, por exemplo, a política de desarmamento, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a proteção do clima. Após o primeiro capítulo, que trata de temas políticos, como democracia, Estado de direito e direitos humanos, bem como de questões de paz e segurança, o documento aborda amplamente as relações econômicas. Para empresas alemãs, a América Latina continua sendo – apesar da crescente concorrência inter­nacional, principalmente da Ásia – um importante centro de produção e um mercado consumidor em expansão. Assim, a metrópole brasileira São Paulo é a maior cidade industrial alemã no exterior e o mais importante centro de investimentos alemães fora da União Europeia e dos EUA. No Brasil, afirmou Wester­welle, surgem enormes chances de cooperação econômica, especialmente em decorrência dos dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Na sua meta de consolidar e ampliar as relações com a América Latina e o Caribe, o novo conceito também incentiva a cooperação nas áreas da cultura e da ciência. Por exemplo, um número cada vez maior de formandos qualificados de escolas que fazem parte da rede do Projeto “Escolas: Parceria para o Futuro” (PASCH), entre eles especialmente os formandos das escolas alemãs no exterior, deverão ser convidados a estudar nas universidades alemãs. Na ciência e na pesquisa, o recente Ano Brasileiro-Alemão de Ciência, Tecnologia e Inovação 2010/2011 já pôde estabelecer novas prioridades. E em 2013/2014, a “Temporada da Alemanha no Brasil” chamará a atenção de toda a região.

12.08.2011
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