Sr. Embaixador, a Alemanha foi eleita em meados de outubro membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, após uma campanha eleitoral muito intensa. Com que argumentos, em sua opinião, a Alemanha pôde convencer?
Conseguimos convencer com nossos pontos fortes, isto é, com a reconhecida e calculável contribuição alemã para a paz e a segurança no mundo, com nosso engajamento sustentável e substancial, e com nosso papel de pioneiro na política do clima.
Diz-se que o senhor convidou todos os 191 embaixadores da ONU para dialogar. Uma maratona diplomática…
É verdade que falei com todos os embaixadores da ONU lá presentes, mas a campanha para essa eleição estava em andamento já há vários anos, durante os quais fizemos publicidade dos nossos propósitos em diversos diálogos com os respectivos países, aqui em Nova York e também em contato direto a alto nível político. Para nós foi também muito importante fazer uso da nossa rede mundial de representações no estrangeiro. Isto nos possibilita não apenas o direto acesso aos respectivos responsáveis locais por decisões políticas, mas também sublinha plausivelmente a responsabilidade que um país do nosso tamanho e importância tem pelos desafios globais de nossa era.
A reforma das Nações Unidas já vem sendo um tema há muitos anos. Como a Alemanha emprega sua posição de membro do Conselho de Segurança para levar adiante os esforços de reforma?
No próximo ano, além dos membros permanentes, vão se sentar à mesa do Conselho de Segurança, ao lado da Alemanha, o Brasil, a Índia, a África do Sul e a Nigéria, que também são potências regionais. Por causa do peso que estes países representam, eles também são candidatos a um mandato no Conselho de Segurança reformado. A comunidade mundial observará com muita atenção o efeito que esta estruturação exercerá sobre o trabalho e a irradiação do Conselho de Segurança. Somos da opinião de que uma cooperação eficaz nos próximos dois anos seria um bom sinal de que uma inserção de todos os continentes traria proveito para todos os Estados membros, pois, afinal, nossos esforços de reforma servem a esse objetivo.
Em longo prazo, também se trata, para a Alemanha, de um mandato permanente no maior grêmio das Nações Unidas, por exemplo, em forma de mandato para a União Europeia. Por que isto é tão importante?
Do nosso ponto de vista, a composição do Conselho de Segurança reflete a realidade geopolítica de 1945 e não a de hoje. A África, a América Latina e a Ásia estão tão pouco representadas como aqueles países que, após os EUA, mais vêm contribuindo financeiramente para as Nações Unidas, ou seja, o Japão e a Alemanha. O Conselho de Segurança é o ponto central dos esforços para a manutenção da paz mundial. Temos de evitar todo e qualquer risco que o possa prejudicar nesse papel. Por isso, deveríamos adaptá-lo ao peso político do mundo de hoje. Não podemos ter nenhum interesse em que surja uma assimetria na “Global Governance”: aqui, novas grandes dinâmicas de grupo como os G20, lá, relações estáticas do multilateralismo institucional das Nações Unidas. Seria errado reduzir nosso apelo por uma reforma do Conselho de Segurança apenas ao desejo de um mandato permanente da Alemanha.
Quais são os outros temas, que a Alemanha impulsionará diretamente nesse período de dois anos, como membro não-permanente?
O Conselho de Segurança assume a responsabilidade principal pela manutenção da paz mundial e da segurança internacional. Sendo um membro não-permanente, a Alemanha contribuirá para essa tarefa primária, apoiando o Conselho de Segurança no seu papel de instrumento de prevenção e reação global contra crises. Mas se trata de mais ainda. Somos da opinião de que o Conselho de Segurança tenha de se preocupar amplamente com as causas de conflitos. Por isso, os pontos centrais da política exterior alemã – prevenção de crises, consolidação da paz, luta contra o terrorismo, não-proliferação e política ambiental – se refletirão no nosso trabalho no Conselho de Segurança. Além do mais, nós nos preocuparemos mais intensamente com a proteção de crianças em conflitos armados, pois elas são as que mais sofrem, estando expostas aos conflitos sem qualquer proteção.
Para muitas pessoas, o trabalho das Nações Unidas é abstrato. Qual é para o senhor, bem pessoalmente, o grande fascínio na tarefa de representante permanente da Alemanha junto às Nações Unidas?
Este trabalho é muito interessante e exigente. Nele, temos que nos movimentar dentro de um espectro temático muito amplo. O que mais me impressiona é que se trabalha em um microcosmo que unifica todos os países, todas as religiões e culturas, o que contribui para um grande aumento do entendimento recíproco dos diferentes pontos de vista.
Entrevista: Janet Schayan














