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Entrevista

“Os eleitores tornaram-se mais críticos”

Uma entrevista com o cientista político, Prof. Karl-Rudolf Korte, sobre os resultados da eleição para o Parlamento federal em 2009 e os desafios para o novo governo federal

Professor Korte, na eleição para o Parlamento federal, os pequenos partidos, como FDP, Verdes e A Esquerda, tiveram ganhos, já os grandes partidos CDU/CSU e SPD perderam muitos votos. Como o senhor vê a situação, após esta eleição?

Temos um novo tipo de concorrência dos partidos na Alemanha, que se denota já desde a eleição para o Parlamento federal em 2005. Esta tendência foi fortalecida através da grande coalizão entre CDU/CSU e SPD, que fez com que só tenhamos agora partidos de médio porte.

Acabou a identificação de uma grande parte dos eleitores com um partido qualquer, preferindo agora a escolha espontânea do momento?

Os eleitores na Alemanha tornaram-se mais críticos. O número de eleitores que sempre muda de partido duplicou nos 20 anos passados. Mas ainda existem ligações com os partidos, só que seu número é menor no total. E com as maiorias estreitas, são cada vez mais determinantes os eleitores que só tomam posição no último momento.

Deve-se esta evolução ao fato de que muitos eleitores não veem mais um perfil claro dos partidos?

Há um anseio por variedade e diferenças, até mesmo por uma polarização, do ponto de vista do eleitor. Ele quer saber o que vai eleger e quem lhe trará o maior benefício. Desta forma, há o anseio pela diferenciação que, na realidade, já não é mais encontrada. Também a grande coalizão da CDU/CSU e SPD aplainou os perfis.

Como estas tendências devem ser avaliadas numa comparação europeia?

Do aspecto dos partidos políticos, a Alemanha tornou-se mais europeia. Temos uma república variada com diferentes formatos de governos majoritários. Hoje se neces­sita de novas fórmulas para o poder. A fórmula de grandes e pequenos partidos políticos já não funciona mais automaticamente. Por isto, vemos as dificuldades na formação de maiorias, processos demorados, menos estabilidade, no que tange à duração dos governos.

Estamos vivendo no momento um reposicionamento clássico dos partidos?

Não vejo isto assim. Os blocos não são mais marcantes. Temos um bloco burguês que engloba muitos partidos. E ainda temos um defeituoso bloco de esquerda, caracterizado durante muito tempo pelo tabu contra uma cooperação entre o SPD e o partido A Esquerda, ao qual não se pode simplesmente incluir os Verdes. Já mecanismo governo contra oposição voltou a funcionar.

Que questões foram decisivas na eleição?

A competência para a economia foi decisiva. Foi recompensado quem deixou transparecer competência para a solução da crise econômica e financeira. Isto foi acoplado a uma competência de gerar impulso econômico, que se atribuiu principalmente ao FDP. É interessante notar que a habituação com a crise modificou o resultado da eleição. A questão da segurança econômica era inicialmente o ponto central, superando a justiça social. Isto mudou antes da eleição. As questões da justiça social tornaram-se outra vez importantes.

Como se pode explicar as perdas do SPD?

O ponto mais importante foi: não havia nenhuma perspectiva de poder para o SPD. Outro motivo importante é que o partido ewstá em busca da própria identidade e o cerne desta identidade não podia mais ser reconhecido pelo eleitor – ou seja, a questão do que é justiça social do ponto de vista do SPD.

Quais são os grandes desafios a serem enfrentados pelo novo governo?

Como se pode recuperar um espaço de ação, quando não se tem mais praticamente nenhuma verba para fazer algo de concreto? É nisto que está o desafio. E se tento fazer algo, por exemplo, através da consolidação do orçamento, dos programas de austeridade, de maiores receitas fiscais, então tenho também que tornar mais justa socialmente a distribuição de recursos que se tornou necessária em decorrência da crise econômica e financeira. Somente assim é que um partido pode permanecer capaz de formar uma maioria. Logrando-se a obtenção de recursos, pode-se também criar prioridades nas políticas de integração, de educação e do clima.

03.11.2009
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