Domingo, 27/05/2012 09:20
 
 

Atualidade

Viagem pela música e a cultura da África

Confira a alegria de viver dos africanos: astros da música de Cabo Verde e do Senegal estarão este ano em destaque nos...mais

© Thomas Dorn

Atualidade

Economia

Presidente do banco do Vaticano é afastado do cargo  

Cultura e Estilo

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial  

Cultura e Estilo

Dresden comemora 500 anos da pintura "Madona Sistina"  

Perfil

Vizinhança ecológica

Adriana López, da Colômbia, desenvolve em Bonn, na Universidade das Nações Unidas, modelos para melhorar ecologicamente...mais

Eventos

Vida em quadrinhos

Uma viagem de descobrimento ao mundo dos super-heróis. O museu Europäische Kulturen...mais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

ENTREVISTA COM GUIDO WESTERWELLE, MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

“A Alemanha aprova uma política de paz ativa”

Uma entrevista com o ministro das Relações Exteriores, Dr. Guido Westerwelle, sobre 20 anos da unidade alemã, sobre a diplomacia alemã pela segurança e liberdade no mundo e na Europa, como parceira na globalização

1 //

Sr. Ministro, o que o senhor fez no dia 3 de outubro de 1990?

Fiquei feliz que nos tornamos um só país, recebendo a chance de mostrar ao mundo o que significa liberdade.

2 //

Neste ano, a Alemanha comemora o 20º aniversário da unidade alemã. Que significado tem esse 3 de outubro para o senhor em particular?

Os 20 anos da unidade nos ensinam que algumas coisas precisam de tempo.

3 //

Em sua opinião, quais são as mudanças políticas e sociais mais relevantes que aconteceram nesse tempo na Alemanha? Como o senhor julga o crescimento conjunto do Oeste e do Leste nos últimos dois decênios?

Os últimos 20 anos mostraram que a aclamação “Somos um povo!” descreve a realidade. Isto é, para mim, o êxito propriamente dito da unidade alemã. Os verbetes “Ossi-Wessi” não têm mais nenhum valor no debate público. Nós nos definimos hoje como alemães e europeus.

4 //

A conquista da soberania absoluta também implicou para a Alemanha numa maior responsabilidade na política exterior. Quais são as mais importantes características da atual política exterior alemã?

Dizendo em forma sintética, a política exterior alemã pretende assegurar a paz, fortalecer a Europa e moldar a globalização. Destas três ideias fundamentais podem-se deduzir todas as medidas necessárias.

O desarmamento, por exemplo, não é nenhum sonho estranho ao mundo, mas uma necessidade no mundo globalizado. Por isso, agimos ativamente em todos os lugares, nos quais se trata deste tema. Promovemos a dupla obrigação de desarmamento e não disseminação que o tratado de não disseminação prescreve desde a década de 60. Nós nos esforçamos para conseguir mais controle convencional do armamento. Queremos que a proibição de bombas de dispersão seja válida em todo o mundo.

5 //

O mundo não se tornou mais seguro após o conflito Leste-Oeste. Quais são as contribuições da Alemanha, a nível diplomático, para a segurança e a liberdade no mundo?

Assegurar a paz no mundo é um dos pilares da política exterior alemã. Aqui alguns exemplos: com nosso engajamento no Afeganistão, neutralizamos as ações dos terroristas nessa região. Juntos com nossos parceiros, nós nos empenhamos em que o Irã não venha possuir armas nucleares. Cooperando com o Kofi Annan International Peace­keeping Training Centre em Gana, a Alemanha apoia a formação de soldados africanos para as missões de paz internacionais.

6 //

Mas essa grande responsabilidade tem também a ver com uma grande pressão. O atual engajamento no Afeganistão está numa fase difícil. Como será o futuro desse engajamento?

Na conferência sobre o Afeganistão, em Londres, deliberamos uma nova estratégia, juntamente com outros 70 Estados. O ponto central de nossa atuação são a construção civil e a proteção da população. Ao mesmo tempo, queremos elaborar uma perspectiva de retirada para nossos soldados. Para tanto, o Afeganistão tem de estar em condição de manter ele próprio a sua segurança – e isto o mais rápido possível. Por isso, aumentamos muito a nossa capacidade para a formação das forças armadas e da polícia afegãs.

Por outro lado, contamos com a palavra dada pelo governo afegão de combater com mais decisão o nepotismo e a corrupção.

7 //

Através da história da sua divisão, a Alemanha tem uma responsabilidade especial no diálogo entre a Europa do Leste e a Europa do Oeste. Qual é a contribuição concreta da Alemanha neste particular?

Estou de pleno acordo com o senhor, pois através da sua história, mas também através da sua situação geográfica no centro da Europa, a Alemanha assume um papel especial nesta questão. Por isso, desde o começo do meu mandato tive o objetivo de construir uma estreita relação tanto com nossos vizinhos no Leste como com os do Oeste. Queremos intensificar ainda mais o entrelaçamento múltiplo, no nível de uma base política, econômica, cultural e social. Um exemplo: imediatamente após ter tomado posse, eu dei início à reanimação do Triângulo de Weimar, ou seja, do fórum de uma cooperação mais intensa entre a Alemanha, a França e a Polônia.

8 //

Independente de como a atual crise monetária se desenvolverá, a Europa necessita de uma nova visão, novas metas? Como poderia ser um recomeço?

A União Europeia é uma história de sucesso única. Hoje, a Europa é uma comunidade de paz e valores. Nunca, na história do nosso continente, tivemos tal fase de paz, estabilidade, expansão econômica e progresso social. Preservar isto é nossa reivindicação e nossa tarefa.

Mas não devemos ficar parados. Temos de cuidar de que nós, como europeus, também participemos na moldagem da globalização. As grandes questões do futuro – a mudança do clima, o desarmamento, a segurança energética – serão solucionadas sem nossa participação, se não falarmos com uma só voz. Precisamos de uma união forte que seja capaz de agir. Por isso é importante aproveitar as chances que são oferecidas pelo posto de Alto Representante da Política Exterior e de Segurança e pelo Serviço Exterior Europeu.

9 //

Na atual pesquisa da BBC, a Alemanha teve um resultado muito bom. A influência da Alemanha é avaliada antes positiva do que negativamente. Qual é a razão disto?

Por um lado, isto tem certamente a ver com as clássicas virtudes alemãs, como confiança e produtos de grande valor, com os quais o nosso país está correlacionado. Por outro lado, é o fruto de uma política exterior de confiança, correlacionada a valores. A Alemanha vem se engajado já há decênios pela política ativa de paz, pelo diálogo e equilíbrio de interesses, por um claro testemunho de democracia, de direitos humanos e de Estado de direito. Mas também é o resultado de acontecimentos, como o Mundial de Futebol de 2006 em nosso país, através do qual mostramos ao mundo que ele “está entre amigos”. Todos nós contribuímos para isso. Portanto, o resultado dessa pesquisa também nos pode deixar um pouco orgulhosos.

10 //

Neste ano, a Alemanha candidata-se a uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Com que argumentos o senhor promove esta candidatura?

Com argumentos de peso, que nos dão esse direito, pois a Alemanha é o terceiro maior contribuinte das Nações Unidas. Nós nos engajamos em missões de paz das Nações Unidas em todo o mundo e participamos ativamente nos debates de reforma dentro das Nações Unidas, onde permaneceremos interlocutores precisamente dos pequenos Estados. ///

27.05.2010
Bookmarks
| |