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ENTREVISTA

Os mares ainda podem ser salvos?

A pesquisa interdisciplinar é para Martin Visbeck a chave para um melhor entendimento dos mares e, finalmente, para sua proteção. Ele também aposta na transmissão de conhecimentos, pois os oceanos apenas podem ser salvos se o homem mudar seu comportamento.

Diz-se que o Grupo de Excelência de Kiel é único. Por quê?

Cooperamos já há muito tempo com diversos oceanógrafos do mundo todo, conhecendo muito bem a cena científica. Naturalmente também há em outros lugares cátedras e peritos excepcionais. Todavia, para nosso trabalho, gostaríamos de ter um só parceiro de vulto que trabalhasse interdisciplinarmente, no mesmo campo de amplitude que nós. Mas a verdade é que no mundo não existe tal parceiro.

É possível se realizar um projeto de pesquisa tão amplo sem o apoio especial do Estado?

Seguramente não. Aproveitamos os subsídios da iniciativa alemã de excelência para fechar as lacunas na nossa pesquisa.Antes, por exemplo, não havia nenhum economista entre os oceanógrafos. Pudemos criar 13 novos postos para cátedras júnior, com um orçamento de respectivamente 800000 euros para o primeiro turno.

A pesquisa marinha é tão complexa que se precisa de muito tempo para obter reconhecimentos seguros. Isto é possível com a Iniciativa de Excelência?

Começamos no outono de 2006 e recebemos primeiramente um incentivo para cinco anos, com um ano de prorrogação. Com um pouco de sorte, podemos receber, depois, mais uma prorrogação de cinco anos. Ao todo, este seria o tempo suficiente para pesquisar outras bases interdisciplinares essenciais. Tenho de ressaltar mais uma vez que esse tipo de uma ampla promoção interdisciplinar das ciências marinhas é único no mundo todo.

Ao lado da pesquisa, o senhor também leva muito a sério a relação pública.

Certo. Uma de nossas ofertas é o trabalho com alunos. Convidamos as crianças à Universidade Infantil, onde elas podem ouvir leituras feitas exclusivamente para elas. Quem tem interesse especial pode acompanhar nossas pesquisas ou até mesmo fazer experimentos durante um ano no nosso instituto. Além disso, nossa exposição itinerária “Ozean der Zukunft” (Oceano do futuro) está fazendo, desde 2010, uma turnê pela Alemanha, com a qual queremos chamar a atenção para a ameaça dos mares. Ao mesmo tempo, queremos mostrar o que se pode fazer contra a destruição dos oceanos e contra a mudança do clima. Através da nossa publicação atual “World Ocean Review“, um amplo relatório sobre o estado dos mares, nós nos dirigimos aos responsáveis por decisões na política e na economia. Este relatório mostra, de maneira bem compreensível e objetiva, qual é a situação dos oceanos.

Quando se lê o relatório tem-se a impressão de que o paciente oceano quase não tem mais salvação.

Isto seria um pouco exagerado. É tempo de remar na outra direção. Através de nossa pesquisa, procuramos primeiramente documentar a mudança, isto é, descrever esses processos complexos. Já pudemos compreender muita coisa. Mas ainda temos que pesquisar ainda mais, para descobrir o que tem de ser feito. Confio em que encontraremos uma solução. Mas a humanidade também tem de estar disposta a seguir esse caminho. Um exemplo é a transformação dos oceanos em depósitos de lixo plástico. Segundo estimativas, cerca de 6,4 milhões de toneladas de lixo são jogadas anualmente no mar. Isto porque há frequentemente a falta de um tratamento eficiente do lixo em terra. Esse problema poderia ser facilmente solucionado. Condição para tanto seria que o ser humano reconhecesse a sua conduta errônea.

O “World Ocean Review” pode ser pedido gratuitamente em alemão e inglês:

www.worldoceanreview.com

Prof. Dr. Martin Visbeck,

diretor de Oceanografia Física do Instituto Leibniz de Ciências Marinhas IFM-GEOMAR e porta-voz do Grupo de Excelência “Ozean der Zukunft”

12.01.2011
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