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Com sua fundação, Mascha Kauka fomenta a proteção da floresta tropical no Equador

Os melhores protetores da floresta

Com sua Fundação Amazonica, Mascha Kauka quer possibilitar aos índios equatorianos uma vida emancipada na floresta tropical. Além de proteger a selva da destruição

Georg Etscheit

Entre os shuaras, ela se chama Yaanúa, entre os achuars, Nunkui, e entre os quíchuas, ­Nina Sicha: nomes estranhos, mas bonitos, com os quais os índios do Equador a reverenciam, afirmando sua amizade. Seu nome de nascimento é Mascha Kauka. A editora, mecenas, defensora ambiental e voluntária do desenvolvimento, proveniente de Munique, engaja-se há mais de 25 anos pelos índios sul-americanos do Equador. Ela quer proteger os habitantes da selva e sua cultura, mas também a própria floresta. “Um ­tema vital, em face da mudança do clima”, diz Mascha Kauka durante uma visita à sua casa em Munique.

Considerando a educação como tema-chave, Mascha Kauka abriu ano passado uma academia em meio à floresta equatoriana. No pequeno povoado de Sharamentsa, à margem do rio Pastaza, um afluente do Amazonas, bem como em Yuwientsa, aos pés dos Andes, a 100 km. de distância, os índios podem aprender tudo sobre uma vida mais autônoma possível na floresta tropical, em cursos de várias semanas. Criação de peixes e de pequenos animais, lavoura ecológica, utilização de energias renováveis, produção e comércio para um “mercado interno” na selva. “Queremos preparar os índios da floresta para que possam resistir aos efeitos daninhos da civilização. Assim, também a floresta terá uma chance. Os índios são os melhores protetores da floresta”.

Mascha Kauka é uma mulher resoluta, cheia de energia e alegria de viver. A muniquense de 64 anos sempre teve uma vida agitada. Após seus estudos de Romanística em Munique e Paris, ela trabalhou inicialmente como redatora na editora de seu pai, Rolf Kauka. Após a Segunda Guerra Mundial, ele publicou a revista com as figuras Fix & Foxi, criando assim o correspondente alemão aos quadrinhos de Walt Disney. Em 1971, ela criou a sua própria editora e teve grande êxito com a publicação de livros de culinária. Em 1980, durante uma viagem ao Equador com seu falecido marido Uli, teve contato com os índios equatorianos. Daí surgiu a ajuda aos índios. Em 2007, ela criou a Fundação Amazonica. O objetivo da fundação é preservar para as gerações futuras a última e maior área contígua de floresta tropical da Terra, em cooperação com os cerca de 400 povos indígenas que lá vivem.

Como muitos povos indígenas, também os achuars enfrentam grandes desafios, que ameaçam a sua tradicional forma de vida. O governo da província planeja estradas em seu território, dos dois lados da fronteira peruano-equatoriana. Um território que lhes pertence, com escritura lavrada, de cerca de 55 mil quilômetros quadrados e onde moram cerca de 13 mil pessoas. Nas novas vias de trânsito, firmas petrolíferas e madeireiras podem penetrar cada vez mais na floresta tropical equatoriana da bacia amazônica. Onde elas já atuaram, deixaram desertos e roubaram aos índios a sua base vital. Muitos migram então para as cidades, outros buscam consolo nas bebidas alcoólicas. “A terra lá está envenenada e destruída”, diz Mascha Kauka. “E as pessoas foram desarraigadas e, frequentemente, entregaram-se à sua sina”.

Outro problema é o rápido crescimento demográfico dos povos indígenas, como resultado da melhor assistência médica e da redução dos seus conflitos bélicos. Através do aumento demográfico, cresce também o consumo dos recursos naturais da floresta. A caça torna-se cada vez mais escassa. Diminui a base alimentar dos moradores da floresta, o que leva ao aumento da migração para as cidades. Por isto, Mascha Kauka ajuda os índios a construir uma economia local. Os primeiros êxitos já são visíveis. Há em diversos povoados, por exemplo, oficinas para a fabricação de alambrados. Com isto, os índios podem prender seus animais de criação, como porcos, galinhas e patos, que lhes servem como alimento adicional à carne de caça. Surgiu também uma pequena olaria. Nela deverá ser produzido o material necessário para o alicerce do planejado prédio da academia. A parte superior será construída, tão logo haja dinheiro disponível, de bambus e madeiras da região. Para isto, o desenhista muniquense Markus Heinsdorff fez o projeto, no qual ele desenvolveu de forma futurística a forma tradicional de construção dos índios. Uma pequena usina fotovoltaica já está pronta e, desde abril, também uma ­antena de satélite para telefonia e acesso à internet.

Até agora, os cursos da academia ainda são dados na velha enfermaria de Sharamentsa. Para as aulas, artesãos e mestres vêm da cidade para os povoados da selva. O primeiro curso de um ano de duração para os líderes indígenas foi concluído com êxito em fevereiro de 2009. Até mesmo o embaixador alemão no Equador, Christian Berger, viajou para a selva para a cerimônia de entrega dos certificados aos concluintes do curso. Em maio, teve início o primeiro seminário para formação de especialistas índios no setor de hotelaria e gastronomia. O currículo foi elaborado em cooperação com a universidade de Munique e com a escola superior de Cuenca, no Equador. Os índios devem aprender tudo o que for necessário para que possam, posteriormente, receber hóspedes de todo o mundo na sua terra natal. No entanto, não serão turistas comuns, mas sim estudantes e cientistas, que pretendam pesquisar na floresta. “O currículo é feito sob medida para a vida na floresta. Os diplomados não necessitam, naturalmente, decorar nomes de vinhos franceses”, afirma Mascha Kauka.

O potencial desse turismo científico foi analisado pela estudante de turismo de Munique, Heike Schilling, no seu trabalho final na universidade de Munique. “Esta forma de turismo oferece aos índios da floresta uma fonte de renda dentro do seu tradicional espaço vital, sendo oposto a um turismo clássico, que encerra o risco de tomar feições voyeurísticas, degradando os índios a objetos exóticos de entretenimento”, esclarece Schilling. Ela foi a primeira estudante a viajar para o Equador, em 2008, a fim de pesquisar o turismo sustentável para o seu trabalho final, na Academia da Selva. No final de maio de 2009, um grupo de 13 estudantes e seis professores de diversas faculdades também viajou para a floresta, a fim de efetuar ali as suas pesquisas de campo. Trata-se de temas como arquitetura, informação geológica, técnica de abastecimento e turismo ecológico. “Nós executamos o desenvolvimento para o futuro na selva”, afirma Mascha Kauka. “E não apenas em prol dos índios, mas de todos nós”.

12.05.2009
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