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O programa conjuntural

Caminho para vencer a crise

Em janeiro, o governo federal anunciou o maior pacote de incentivo conjuntural da história da República Federal da Alemanha, como resposta à crise financeira e econômica global

Martin Orth

Com um enorme esforço financeiro, o governo federal lançou no início de 2009, juntamente com os Estados e municípios, um catálogo de medidas que visa ajudar a superar a crise financeira e econômica. As medidas constantes dos pacotes conjunturais I e II perfazem um volume total de mais de 80 bilhões de euros. O programa conjuntural deve amortecer a recessão nos anos 2009 e 2010, assegurando os empregos existentes e criando novos. O cerne do programa é constituído pela redução dos custos sociais e investimentos na infraestrutura. “Não queremos simplesmente subsistir à crise. A Alemanha deve sair desta crise mais forte e mais preparada para o futuro”, afirmou a chanceler federal Angela Merkel no seu pronunciamento oficial de 14 de janeiro. O ministro das ­Relações Exteriores e vice-chanceler Frank-Walter Steinmeier, que cooperou substancialmente na elaboração do programa ­conjuntural, declarou: “Nós não reagimos apenas à crise, mas queremos aproveitá-la de forma bem consciente. Queremos tornar nosso país mais moderno também com esta crise”.

Já no final de 2008, o governo federal deliberou o pacote conjuntural I, com um volume de 32 bilhões de euros, como primeira reação aos abalos da crise financeira. Ele inclui uma dúzia de medidas, que vão desde o suprimento de crédito para o setor econômico através do grupo bancário estatal KfW até a prorrogação da ajuda salarial a trabalhadores cuja carga horária de trabalho tenha sido reduzida pela crise. O pacote conjuntural II, agora deliberado, no valor de 50 bilhões de euros, deve otimizar o primeiro pacote. Ele prevê investimentos adicionais na infraestrutura e redução de impostos e contribuições sociais para pessoas físicas. Além disto, serão reduzidas as contribuições ao seguro de saúde e algumas indústrias serão fomentadas. “Nosso programa é coerente em seu conteúdo. Incentivamos investimentos e estimulamos a demanda”, afirmou o ministro federal das Finanças, Peer Steinbrück.

A derrocada da conjuntura na Alemanha é uma consequência direta da crise financeira, cuja causa deve ser buscada nos mercados imobiliários dos Estados Unidos. Desde 2007, a crise financeira abrange ­cada vez mais a economia real. Todos os principais países industrializados encontram-se entretanto numa fase de recessão. Numerosos indicadores prognosticam, há meses, um desenvolvimento negativo em 2009. Assim, a economia alemã tradicionalmente voltada para a exportação conta com uma redução de quase 9% no volume de vendas ao exterior. No total, a economia mundial terá provavelmente um retrocesso de mais de 1%. Na zona do euro, conta-se com uma redução real do produto interno bruto em torno de 2,25%. Também o governo federal alemão prevê para o ano de 2009 uma queda do desempenho econômico em 2,25% – mesmo com o efeito do programa conjuntural.

Na indústria alemã, o setor automobilístico é o mais fortemente atingido pela crise econômica. Somente em janeiro de 2009, as montadoras alemãs de carros produziram 34% menos veículos em fábricas alemãs que no mês de janeiro de 2008. O setor ­automobilístico é beneficiado agora com o chamado “prêmio de sucateamento”, constante do pacote conjuntural II. A medida, com um volume de 1,5 bilhão de euros, prevê que qualquer pessoa privada que sucatear seu automóvel de mais de nove anos para comprar um carro novo ou do ano, poderá receber do Estado um prêmio de 2500 euros. Pouco depois de anunciada a medida, os clientes acorreram em massa às revendedoras.

Outro ponto central do programa conjuntural começou também de forma prometedora: com o “programa de investimentos nos municípios”, as escolas, jardins-de-infância e praças de esporte deverão ser ­saneados em relação ao seu consumo energético. Para isto estão à disposição dez ­bilhões de euros, o respectivo Estado federado arca com um quarto dos custos. “A demanda é grande”, afirma Engelbert Lütke Daldrup, secretário do Ministério Federal dos Transportes, Obras Públicas e Desenvolvimento Urbano. As vantagens também são grandes. Em primeiro lugar, trata-se de projetos adicionais, com efeito de incentivo conjuntural. Em segundo lugar, são empresas de médio porte que se beneficiam do programa. E em terceiro ­lugar, os municípios poupam custos energéticos após o saneamento. Sem falar que crianças e jovens terão praças de esporte e escolas modernizadas.

Num evento informativo do Departamento Federal de Imprensa, no final de janeiro em Berlim, o chefe da Chancelaria Federal Thomas de Maizière, esclareceu as motivações e as perspectivas de êxito do programa conjuntural. A “coreografia instrumental” é bem coordenada. Também o momento escolhido foi o certo. “Em termos internacionais, fomos bastante rápidos”, afirmou Thomas de Maizière. Ele está otimista com o poder de compra na Alemanha que, em virtude de aumentos reais de salários, redução da inflação e baixos preços de energia, é mais forte que em outros países ­industrializados. “Estes fatores vão desencadear um impulso de demanda em meados do ano”. De maneira geral, conta-se com a superação da crise nos próximos dois anos.

A questão central continua sendo, porém, quando o setor financeiro se recuperará e como poderá ser a futura arquitetura das finanças internacionais, a fim de que tais crises não se repitam. Para o setor bancário, a Alemanha abriu um bilionário “guarda-chuva de proteção”, sob o qual já buscaram abrigo entretanto o Commerzbank, o segundo maior banco alemão, e o banco imobiliário Hypo Real Estate, fortemente afetado pela crise. O ex-economista-chefe do Banco Central Europeu, Otmar Issing, elabora entretanto propostas para uma nova arquitetura global das finanças, como presidente do grupo especializado “Mercado Financeiro Mundial”, convocado pelo governo federal (veja entrevista). As propostas deverão ser discutidas na conferência de cúpula financeira mundial, em abril em Londres. A chanceler federal Angela Merkel reivindica regras obrigatórias para o mercado financeiro e sugere uma carta magna para relações econômicas internacionais sustentáveis. “Uma economia social de mercado com dimensões globais, é por isto que lutamos”.

29.01.2009
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Mudança do modelo energético na Alemanha

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