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7 perguntas a: Ferdinand Dudenhöffer

Uma entrevista com o especialista automobilístico Prof. Dr. Ferdinand Dudenhöffer sobre o futuro do automóvel e as chances de conceitos alternativos para os motores

1 Professor Dudenhöffer, 125 anos depois da invenção do automóvel, a indústria automobilística está diante de grandes desafios, em face da mudança climática, novas normas antipoluentes e combustíveis cada vez mais caros. Como será a transformação do setor?

O carro vai tornar-se verde e inteligente. Em 15 anos, menos de um terço dos carros novos terá motor exclusivamente a combustão. Dois terços serão parcialmente elétricos ou elétricos. O segundo grande campo será o do funcionamento semi­automático e dos sistemas de assistência. E a terceira grande área de desenvolvimento é a do carro barato. Está surgindo um mercado enorme nos países emergentes.

2 Na Alemanha, um milhão de carros elétricos deverão estar rodando nas ruas até o ano de 2020. Esta meta é realista?

Com o atual apoio da questão da mobilidade elétrica na Alemanha, isto dificilmente será possível. Se atingirmos 600 mil veículos em 2020, já seria muito bom. Mas o que está abrindo seu caminho, pouco a pouco, é o motor híbrido. Aí veremos muita evolução nos próximos 15 anos. Se a Alemanha não se engajar mais fortemente pela mobilidade elétrica, a sua industrialização será feita no exterior.

3 As críticas principais aos carros elétricos são a capacidade insuficiente das baterias e a falta de postos de recarga. O carro elétrico continuará sendo um veículo para pequenas distâncias?

O veículo a bateria tem a sua grande vantagem no trânsito urbano. Esta é a sua função. Para as viagens intermunicipais há melhores alternativas. Para isto, o híbrido plug-in é, com certeza, uma forma ideal, até que as condições para as células combustíveis sejam melhores, em vinte anos. A partir de então, o raio de autonomia não terá limite.

4 A técnica das células combustíveis progride lentamente, pois é difícil a produção de hidrogênio e falta ainda uma rede de postos de abastecimento. Que chances o senhor dá a esta tecnologia?

Necessitamos de tempo. Por um lado, os custos desta técnica têm de tornar-se aceitável para o mercado e, por outro, precisamos de sistemas de produção de hidrogênio. Com uma produção econômica de hidrogênio, a partir de fontes regenerativas, surgirão também os postos de abastecimento. Chegaremos então a um futuro verdadeiro: sem poluição e sem ruídos.

5 Internacionalmente, em que posição estão os fabricantes alemães no desenvolvimento de carros ecológicos?

Na verdade, os fabricantes alemães são melhores que sua imagem. Mas a indústria automobilística alemã não consegue convencer com suas soluções. Isto também está ligado a que certos fabricantes ainda resistem a dedicar-se a algo novo. Quem é campeão mundial no óleo diesel, tem medo de voltar-se para algo novo. Os japoneses, coreanos e, em breve, os chineses têm a cabeça mais aberta.

6 Depende a solução para o carro ecológico, no final das contas, de motores econômicos e de uma moderna construção leve?

Quanto à construção leve, sem dúvida. Nisto, o carbono terá certamente um papel importante. A BMW está conquistando uma considerável dianteira nesta questão. Os motores a combustão não são o futuro. A lenda da otimização dos motores a combustão já é contada pelos alemães há 50 anos. Talvez por isto, tenham ganhado a imagem de irresolutos. A eficiência do motor a combustão é de, no máximo, 35 por cento. Do motor elétrico é de 95 por cento.

7 Que novos vantajosos sistemas automatizantes já estão prontos para o mercado?

Nos carros de passeio chegamos pouco a pouco à condução semiautomática. Isto melhora segurança e conforto. O assistente de estacionamento é um bom exemplo de sistemas de conforto, que trazem grande proveito ao cliente. No setor de segurança, surge cada vez mais a comunicação “carro para carro”, através de assistentes de distância, de ângulo morto do retrovisor, de permanência na pista, de visão a distância.

Entrevista: Oliver Sefrin

11.05.2011
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