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A PESQUISADORA

“Equipes interdisciplinares fomentam as inovações”

Não existe receita-padrão para inovações. Mas é possível criar estruturas nas empresas, para aproveitar as boas ideias, como explica a pesquisadora de inovações, professora Marion A. Weissenberger-Eibl

1 //Professora Weissenberger-Eibl, o que a senhora classifica de inovação?

O conceito é interpretado frequentemente de forma rígida, como novidade tecnológica. Nossa definição no Fraunhofer ISI é mais ampla. Ele engloba inovações de serviços, de organização e de processo. Neste sentido, consideramos o conceito “inovação” tão amplo quanto possível e pesquisamos não apenas novidades de produto e como elas são aceitas no mercado, mas analisamos também que efeito uma inovação pode ter sobre os serviços, as outras áreas econômicas, o sistema social e a nossa sociedade.

2 //Quando uma boa idéia é uma verdadeira inovação?

Só dispomos de inovação real, quando se trata de novidade capaz de impor-se no mercado. Para isto, é preciso configurar o processo – de preferência com planejamento sistemático – desde a ideia inicial. É necessária uma cultura incentivadora de inovação, para criar numa empresa uma estruturação da busca de ideias e também do gerenciamento de inovações.

3 //Que clima empresarial incentiva as inovações?

Um fator importante são as equipes interdisciplinares, do engenheiro ao sociólogo e ao físico. A isto se soma que as empresas devem criar, conscientemente, espaços de livre ação. E coragem: certos processos devem ser iniciados, mesmo quando talvez não levem ao êxito imediato.

4 //Qual seria um exemplo de inovação bem-sucedida?

No setor automobilístico, pode-se citar o freio de cerâmica. Ele foi um passo radical, empregando outro material para o freio e, ao mesmo tempo, aumentando o desempenho do freio. Além disto, é um exemplo de como, através de uma pequena mudança técnica, material com novas propriedades é desenvolvido, o qual é então introduzido em diversos setores.

5 //Quão inovadoras as firmas alemãs parecem no exterior?

Certas características de imagem de inovações maduras para o mercado são muito reconhecidas também no exterior. Não são apenas produtores inovadores, mas também o conjunto de ofertas, ou seja, a combinação de produtos com modelo de negócios e com a oferta de serviços.

6 //Que ramos a senhora vê como áreas de futuro?

Principalmente a combinação de biotecnologia, nanotecnologia e tecnologia da informação é uma área de grande futuro. Também aqui se encontra a combinação de produto, serviço e modelo de negócios. Interessante é o fato de que principalmente as indústrias mecânica e automotiva tradicionais reconheceram como chance os potenciais neste setor. Elas usam a sua capacidade, ampliam seu know-how e fazem assim progredir as novas tecnologias.

Perfil

A professora Dra. Marion A. Weissenberger-Eibl dirige, desde abril de 2007, o Instituto Fraunhofer de Pesquisa de Sistemas e Inovação (ISI). Há seis anos, a cientista econômica é titular da cadeira de Gerencia­mento de Inovação e Tecnologia, na Universidade de Kassel.

Em Karlsruhe, no Instituto Fraunhofer de Pesquisa de Sistemas e Inovação (ISI) – um dos institutos líderes neste setor na Europa – a professora Weissenberger-Eibl e sua equipe pesquisam as condições prévias e as consequências de inovações na sociedade. Pesquisa de futuro e de sistemas, bem como assessoria política: nesta tríade, a equipe interdisciplinar do ISI elabora suas recomendações e análises, ba­seadas em métodos quantitativos e qualitativos e dividas em seis “centros de competências”. O Instituto se autodefine como analista independente da sociedade, da política e da economia, e assessora os administradores na determinação dos rumos estratégicos.

isi.fraunhofer.de

12.07.2010
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