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FEIRA

Um ramo em crescimento

Nada mais funciona sem tecnologias verdes. E empresas alemãs fornecem soluções

Chris Löwer

ATÉ AGORA, AS TECNOLOGIAS AMBIENTAIS não mereciam atenção na Feira de Hanôver, a maior mostra industrial do mundo. Isto mudará a partir de abril de 2012, pois o tema dessa nova feira líder é “IndustrialGreenTec”, o que lhe trará a devida atenção. “Assim, vamos salientar claramente o ramo da sustentabilidade”, diz Oliver Frese, diretor da área operacional da Feira de Hanôver, pois a indústria produtora estaria enfocando, mais do que nunca, possíveis soluções em torno da eficiência material e energética. Frese diz: “Tendo consciência da mudança do clima, todos devem repensar suas atuações e os efeitos delas resultantes no mundo inteiro”. Esta é uma mensagem que pode tecnologicamente ser realizada de diversas maneiras, o que encontra correspondência nos pontos centrais da exposição, os quais abrangem a reciclagem, a proteção acústica, a proteção das águas ambientais e do solo, a gestão da qualidade do ar, as técnicas para um emprego eficiente das energias renováveis e a técnica de avaliação ambiental. A associação Zentralverband Elektrotechnik- und Elektronikindustrie e.V. (ZVEI) está convicta de que “a IndustrialGreenTec é uma plataforma, na qual as empresas não só apresentam agora, pela primeira vez, seus produtos, mas também podem trocar ideias sobre esse tema a alto nível”, diz Klaus Mittelbach, chefe da ZVEI.

De qualquer maneira, a nova feira é mais um sinal visível de que as tecnologias ambientais estão se transformando numa indústria líder. Essa tendência é incentivada principalmente por novas soluções de empresas alemãs. Sua participação no mercado mundial, nos segmentos das energias fotovoltaica, termossolar, eólica e hídrica, está entre 20% e 35%, sendo que 90% de todas as instalações de biogás vêm da Alemanha. “Este ramo se desenvolveu mais do que se esperava”, diz Torsten Henzelmann, perito em tecnologia verde da consultoria Roland Berger. Ele espera, para os próximos dez a quinze anos, um índice médio de crescimento de 6,5% na Alemanha. Nesse período, seriam gerados um milhão de novos empregos nesse ramo. “A tecnologia verde é e continuará sendo um motor gerador de empregos”, diz Henzelmann.

Esse tema vem transformando as indústrias com uma velocidade enorme, como é o caso do grupo empresarial de tecnologia Siemens, de Munique, que está ampliando de modo resoluto sua área operacional verde. Peter Löscher, chefe da empresa, mostra claramente a direção a seguir: “Vamos fortalecer nossa posição como gigante da infraestrutura verde”. Estas não são palavras vazias, pois um quarto de cerca de 400 000 funcionários da Siemens trabalha direta ou indiretamente em processos e tecnologias ambientais. Quase um terço do volume de vendas da Siemens provém desses setores. E a tendência é crescente. A meta para 2011 são 25 bilhões de euros – em 2010, o faturamento total do conglomerado atingiu quase 76 bilhões de euros. Assim, não se admira que Löscher goste de falar de “chances gigantescas de crescimento para a tecnologia verde”.

Os programas de conjuntura e a legislação, como a Lei das Energias Renováveis (EEG), também reagem devidamente. “Sendo assim, esse ramo teve um grande crescimento”, diz Claudia Kemfert, diretora do Departamento de Energia, Transporte e Meio Ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), de Berlim. Aliás, este ramo é basicamente suportado por pequenas e médias empresas, ao lado de poucas grandes empresas. Segundo o perito Henzelmann, quase 90% das firmas de tecnologias verdes na Alemanha pertencem ao pequeno e médio empresariado. Cada firma desenvolve uma ou duas tecnologias de cerca de 100 linhas tecnológicas, o que significa um ramo fortemente fragmentado. Mas é precisamente essa grande especialização que gera ideias inovadoras que estão sendo cada vez mais demandadas pelo exterior, como por exemplo, as ideias da Uhde GmbH. A construtora de instalações químicas e industriais de Dortmund está contribuindo para que firmas, cuja produção vinha causando, até agora, impacto ao meio ambiente, venham a produzir com sustentabilidade e poupança de recursos naturais. No momento, o know-how da Uhde está sendo transferido para uma instalação de eletrólise de ácido clorídrico da produtora chinesa de poliuretano Yantai Juli Isocyanate. O ácido clorídrico, resultante da produção de material plástico, é elaborado pela instalação de duas maneiras inócuas: por um lado, a eletrólise gasta um terço menos de energia do que os processos comuns e, por outro lado, o ácido clorídrico é transformado, de maneira energética eficiente, em cloro com alto grau de pureza. Quase 90% das encomendas feitas à Uhde vêm do estrangeiro. “Instalações modernas e energeticamente eficientes são, com certeza, sucessos de exportação”, diz Michael Thiemann, presidente da Uhde. “As matérias-primas estão se tornando cada vez mais raras e mais caras. Para os nossos clientes internacionais, o aproveitamento econômico das reservas naturais se tornou uma questão central”. Neste meio tempo, quase todas as encomendas são feitas com a demanda clara de tecnologias que economizem energia.

Sendo assim, a reciclagem e o reaproveitamento estão se tornando cada vez mais significantes e tecnicamente cada vez mais exigentes. Hoje em dia, as firmas de tratamento de resíduos não só recolhem o lixo, mas, juntas com construtoras de instalações, elas também fazem reciclagem de alta tecnologia para a indústria, como, por exemplo, de metais ou terras raras, mesmo em pequenas quantidades. Os alemães são realmente campeões mundiais em separação de lixo, seja em domicílios ou em instalações industriais extremamente complexas. Baseando-se em diretivas jurídicas de reciclagem, desenvolveu-se um segmento industrial pioneiro no mundo todo, que abastece a indústria de recolha de resíduos com instalações de classificação, reciclagem e queima de material de baixa poluição. Da Alemanha provêm dois terços de todas as instalações de separação automática de resíduos, vendidas no mundo todo. Muitos lixeiros ficarão felizes com isso, pois firmas, como a LLA Instruments, de Adlershof em Berlim, farão com que a separação manual de diversos materiais plásticos em galpões fedorentos seja coisa do passado.

A LLA desenvolveu a peça central das instalações de separação, o espectrômetro, sensores que podem reconhecer rápida e seguramente inúmeros plásticos, mesmo sob condições adversas. Seja o copinho de iogurte, de poliestireno, a folha de PVC ou a embalagem de xampu, de polietileno, a pequena empresa aproveitou essa pequena lacuna para se tornar em pouco tempo uma inesperada líder de mercado. A empresa em Adlershof tem clientes no mundo inteiro, como nos EUA, na China, no Brasil, na Grã-Bretanha, na Itália, na Espanha, no Japão, na Coreia e na Austrália. “Nosso forte é que desenvolvemos e fabricamos tudo, desde a sonda de medição até o software de avaliação”, diz o gerente Hartmut Lucht. Mas os produtores alemães de tecnologia verde não devem ficar parados, contentando-se com sua posição de líder. “A competição em torno das tecnologias verdes já começou faz muito tempo”, diz Claudia Kemfert, do DIW. Isto tudo pode ser visto na “IndustrialGreenTec 2012”.///

27.07.2011
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