Domingo, 27/05/2012 03:19
 
 

Atualidade

Viagem pela música e a cultura da África

Confira a alegria de viver dos africanos: astros da música de Cabo Verde e do Senegal estarão este ano em destaque nos...mais

© Thomas Dorn

Atualidade

Economia

Presidente do banco do Vaticano é afastado do cargo  

Cultura e Estilo

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial  

Cultura e Estilo

Dresden comemora 500 anos da pintura "Madona Sistina"  

Perfil

Vizinhança ecológica

Adriana López, da Colômbia, desenvolve em Bonn, na Universidade das Nações Unidas, modelos para melhorar ecologicamente...mais

Eventos

Vida em quadrinhos

Uma viagem de descobrimento ao mundo dos super-heróis. O museu Europäische Kulturen...mais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Dez argumentos pelo alemão

Muitas declinações, muitos gêneros, muitas regras? O alemão é realmente difícil? Não, diz o autor best-seller Bastian Sick: “É simples. Qualquer um pode falar”. E cita, piscando um olho, dez outros argumentos pelo aprendizado do alemão

Você pode apresentar dez argumentos pelo aprendizado do alemão?”, me perguntaram recentemente numa entrevista. “Logo dez?”, perguntei assustado, “têm de ser tantos? Eu já ficaria satisfeito, se me ocorressem apenas três!” De qualquer forma, na Alemanha, Áustria, Suíça e regiões vizinhas vivem mais de 100 milhões de pessoas que cresceram falando alemão. Não somos, pois, uma comunidade linguística muito pequena, ao contrário: dentro da Europa, o alemão é a língua com o maior número de falantes nativos, à frente do inglês e do francês. Fora da Europa, a situação é diferente. Na lista das línguas mundiais, o alemão está muito abaixo de inglês, chinês e híndi, mas ainda entre as doze primeiras, ou seja, claramente acima de japonês, coreano e finlandês. Quero dizer: antes do fim da lista.

Quando os alunos em outros países, por exemplo, na Espanha ou na França, têm de escolher entre alemão ou outra língua estrangeira, eles escolhem com frequência a outra língua. Alemão não é a língua mais apreciada. E quando se pergunta por que isto é assim, ouve-se frequentemente que o alemão não é fácil. Muita declinação, muitos gêneros, muitas regras, muitas exceções. Isto assusta! E exatamente isso é que deveria ser um bom motivo para aprender alemão! Pois, quem é que quer algo que seja simples? É simples – isto qualquer um faz. Quem domina o alemão, tem conhecimentos especiais! Algo que nem todos sabem. Nem mesmo todos os alemães. O inglês é o Volkswagen entre as línguas; alemão é o Rolls Royce.

Entre os preconceitos sempre citados sobre a língua alemã está também a alegação de que ela não soa bonito. Não é, de longe, melodiosa como o francês, nem suave como o inglês, não é cheia de temperamento como o italiano, nem melancólica como o russo, nem é tão agressiva como o japonês. O alemão, afirma-se, soa mais como uma misturadora de cimento – ou como um grupo de gansos roucos, que se chocou contra uma árvore, com uma misturadora de cimento roubada. Mas quem se ocupar um pouquinho mais com a língua alemã, vai descobrir uma beleza maravilhosa, vigorosa, na harmonia das sílabas. Como em todas as línguas, depende de quem a fala – e como. O tom é que gera a música. Não é à toa que o alemão era, não faz tempo, a principal língua da música. De Johann Sebastian Bach até Johann Strauss: o alemão era – e ainda é hoje – uma das mais importantes línguas do mundo nos palcos dos concertos e das óperas. Quem estuda canto clássico, não tem como evitar o alemão. Mas também a música pop pode ser um motivo para se aprender o alemão. A música foi o motivo que me levou a aprender o francês – isto pode funcionar também no sentido inverso.

Bons argumentos para se aprender o alemão? É melhor perguntar isto a pessoas que assumiram o risco de frequentar um curso de alemão. E elas podem ser encontradas em quase toda parte do mundo: na França, na Espanha, na Rússia, na Polônia, nos Países Baixos, na Dinamarca, no Chile, na Argentina, na África, na China, em Baden-Württemberg (“Sabemos tudo, menos alemão castiço”).

“A Alemanha é um país fantástico!”, me afirmou recentemente com entusiasmo uma senhora mais velha em Buenos Aires, “cidades tão interessantes, paisagens tão variadas, a melhor infraestrutura em todo o mundo!” – “Eu suponho que a senhora se refere às autoestradas?”, perguntei. Ela sorriu e disse: “Eu me refiro principalmente às farmácias! A cada 50 metros uma farmácia. Isto não existe em nenhum outro país do mundo!”.

Para muitas pessoas jovens em outras partes do mundo, a Alemanha é a porta de entrada para um futuro assegurado. Aumenta constantemente a cada ano o número daqueles que se candidatam a bolsa para o estudo superior na Alemanha. Seja Administração de Empresas, Engenharia Mecânica, Medicina ou Ciências Humanas – A Alemanha é um cobiçado centro universitário. Para muitos outros, a Alemanha é também um lugar vital de trabalho. Minha governanta vem da Polônia e aprende alemão com afinco. Um dia, seu alemão será tão perfeito quanto a sua arte de passar roupa. Então, todas as portas lhe estarão abertas aqui e ela me deixará em troca de um emprego mais interessante como assistente de algum apresentador de talk show ou porta-voz de algum deputado federal. Eu vou lhe implorar que fique, mas ela vai me dizer, olhando para a tábua de passar roupas: “Faça você mesmo!” e vai me deixar sozinho, completamente amarrotado. Já agora, tenho receio disto. O alemão abre perspectiva de carreira nos países de língua alemã e, além disto, em todas as partes, onde firmas alemãs estão representadas ou por onde andam os turistas alemães. Minha amiga francesa Suzanne respondeu à minha pergunta sobre seu motivo para aprender alemão da seguinte maneira: “O motivo porrque eu aprrendi o alemão? Apesarr da grramática complicada e da prrronúncia dificile? Vou te contarrr: meu motivo era grrande e de olhos azuis e chamava Marrrttin. Ele tinha 24 anos e nos conhecemos na prraia de Biarritz. Hmmm! Um motivo melhorrr parra aprrenderr o alemão non existia no mundo inteirrro!”

Para quem isto não for suficiente, formulei abaixo outros dez argumentos em prol do aprendizado de alemão:

/1// Para que se possa entender as canções do Tokio Hotel e cantar de forma foneticamente correta.

/2// Para que se possa escrever uma carta de amor ao Bill Kaulitz (o cantor do Tokio Hotel).

/3// Para não depender das legendas em seriados alemães da TV, como “Derrick”, “Ein Fall für zwei” e “Sturm der Liebe”.

/4// Para poder impressionar os amigos com palavras do tipo de “Fussballweltmeisterschaftsendrundenteilnehmer” ou “Überschallgeschwindigkeitsflugzeug”.

/5// Para que se possa ler Goethe no original. E, naturalmente, não apenas Goethe, mas também todos os outros clássicos da poesia alemã, inclusive Heinz Erhardt, Wilhelm Busch e Loriot.

/6// Para mostrar a todos não apenas que é proprietário de um Porsche, mas poder dizer também que o nome do carro não se pronuncia nem “Porsch”, nem “Porschi”.

/7// Para ter condições, como faxineira, de respeitar as bem-intencionadas advertências nas embalagens alemãs dos produtos de limpeza, por exemplo, “Evitar sempre o contato com os olhos!” ou “Não inalar os vapores!”.

/8// Para poder dizer em alemão, ao receber o prêmio Bambi: “Agradeço aos meus pais! E a todas as pessoas da Sony Music! E naturalmente ao meu público! Vocês são tão maravilhosos! Eu amo todos vocês!”.

/9// Para poder, como jornalista estrangeiro na Alemanha, fazer perguntas em alemão durante uma entrevista coletiva.

/10// Para que se possa fazer o papel de bandido no próximo filme de James Bond.

10.03.2010
Bookmarks
| |