Prof. Lehmann, o Ministério das Relações Exteriores e seus parceiros, entre eles também o Instituto Goethe, lançaram em 2010 a iniciativa “Alemão – Língua das Ideias”. Por que a língua alemã necessita de tal campanha?
Considero importante a campanha pela língua, a fim de reunir as muitas iniciativas e projetos isolados no mundo, tornando-os assim mais visíveis. Com isto, criamos um perfil claro e geramos um efeito sinérgico. Mas também é importante para nós mesmos, para prestarmos maior atenção à nossa própria língua.
O evento inaugural em Berlim pôs em evidência o prazer em falar alemão. Ainda assim, continua persistindo o clichê de que o alemão é especialmente difícil como língua estrangeira. Como se pode despertar o desejo de aprender alemão?
Veja bem, eu não considero o suposto grau de dificuldade de uma língua estrangeira como determinante para a motivação de aprendê-la. Eu acredito que o argumento decisivo sempre é a atratividade pessoal da língua. A língua é relevante para mim no planejamento da minha carreira? Necessito dela na minha vida privada? Ela me abre possibilidades atraentes de formação profissional ou me oferece um amplo acesso a conhecimentos? Que grau de simpatia tem a língua para mim? São as respostas a estas perguntas que desempenham um papel na escolha da língua estrangeira. Naturalmente, no processo de aprendizado é importante a capacidade do professor em entusiasmar o aluno. Os funcionários do Instituto Goethe fazem exatamente isto e convencem com a sua atuação.
A seu ver, quais são os principais motivos para se aprender o alemão?
A língua alemã continua estreitamente ligada com amplos ramos culturais e científicos. Na percepção de muitos, a Alemanha ainda é o país dos “poetas e pensadores”: literatura alemã ou também disciplinas científicas como filosofia ou psicologia só podem ser aprofundadas através do conhecimento da língua alemã. Além disto, a Alemanha é um país de exportação e muitas empresas alemãs atuam no exterior. A língua alemã é um fator da própria competitividade e ligada frequentemente com a esperança de uma melhor perspectiva profissional. Os conhecimentos de alemão podem ampliar o raio de ação próprio, aliás ultrapassando o pessoal e abrangendo também toda a empresa. Outro motivo é encontrado não nas pessoas fora da Alemanha, mas sim entre as pessoas com história de migração aqui no nosso país. Elas frequentemente aprendem alemão como segunda ou terceira língua. O alemão é, para elas, a porta de acesso à sociedade alemã, à qual elas também pertencem. É o que lhes dá a possibilidade de participação social, de defesa dos seus direitos. Eu acho que viver na Alemanha é um motivo muito importante para se aprender o alemão.
Em que países o Instituto Goethe registra atualmente um interesse especialmente grande de aprender o alemão?
Pode-se citar a Índia como exemplo. Lá, o alemão é uma verdadeira moda e quase não conseguimos atender à demanda com a nossa oferta. Acho que foi a iniciativa das escolas parceiras nos anos passados que gerou tal efeito. O alemão foi levado de forma mais ampla às escolas. Observamos, aliás, em diversos lugares, que o número de alunos no setor da formação de adultos permanece constante, enquanto há um aumento sobretudo no setor escolar, sendo até mesmo bastante marcante também na área do ensino primário.
E onde é preciso recuperar terreno?
Notamos que o número de alunos diminuiu em alguns países da Europa central e oriental. Mas creio que, após o impulso eufórico da época de transformação em 1989/90 e a orientação para o Ocidente suscitada por isto, a situação retornou agora a um nível realista. O inglês substituiu a língua alemã em muitas partes como primeira língua estrangeira: também lá, o inglês é uma ferramenta, um idioma mundial. As outras línguas não podem concorrer com isto. Mas o alemão permanece sendo uma segunda língua estrangeira importante, em muitas partes da Europa central e oriental.
Os anglicismos são hoje frequentes no alemão. O senhor acredita que os falantes nativos têm pouca autoconsciência da própria língua?
Veja bem, nesta questão não adianta com certeza esbravejar. Apesar disto, penso sim que devemos cultivar nossa própria língua e que de modo algum a devemos tratar com desleixo. Ela encerra a nossa cultura, nossa identidade e é, ao mesmo tempo, a ferramenta diária de todos nós. Gosto de defender maior entusiasmo pela língua vernácula – o alemão não pode transformar-se, para os alemães, numa “língua que se fala dentro de casa”. Todos nós deveríamos esforçar-nos para manter a própria língua viva e operante, também como língua de trabalho. E, por outro lado, não sou a favor da condenação de todas as influências das línguas estrangeiras. As línguas sofrem mudanças. Sempre foi assim.
Na sua formação profissional, o senhor é físico diplomado e bibliotecário. Quando o senhor descobriu seu entusiasmo pela língua alemã?
Às vezes, eu acredito que aprendi a ler antes de aprender a andar. Com isto quero dizer que sou um leitor entusiástico e que cultivei e absorvi a língua alemã desde a infância. Isto vale tanto para a literatura, como posteriormente para a física. A língua alemã é caracterizada pela clareza e a variedade.
Qual é sua palavra predileta do alemão?
Augenblick (“instante”) – descrever um pequeno lapso de tempo de forma tão poética e tão exata, eu acho fascinante.
Entrevista: Janet Schayan














