Domingo, 27/05/2012 02:46
 
 

Atualidade

Viagem pela música e a cultura da África

Confira a alegria de viver dos africanos: astros da música de Cabo Verde e do Senegal estarão este ano em destaque nos...mais

© Thomas Dorn

Atualidade

Economia

Presidente do banco do Vaticano é afastado do cargo  

Cultura e Estilo

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial  

Cultura e Estilo

Dresden comemora 500 anos da pintura "Madona Sistina"  

Perfil

Vizinhança ecológica

Adriana López, da Colômbia, desenvolve em Bonn, na Universidade das Nações Unidas, modelos para melhorar ecologicamente...mais

Eventos

Vida em quadrinhos

Uma viagem de descobrimento ao mundo dos super-heróis. O museu Europäische Kulturen...mais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Nova moradia na metrópole

Vida urbana na vertical: em Berlim, a townhouse está fazendo carreira. Um novo conceito de moradia na metrópole – de exclusivo a extravagante.

Till Briegleb e Ludger Paffrath (fotos)

Elas têm uma atmosfera nobre e extravagante, de bom gosto e arrepio e famosas, entre outras coisas, pelo seu papel na literatura: as townhouses, residências urbanas geminadas, são tidas como símbolo do estilo de vida britânico. Nos romances de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes visita os discretos palacetes urbanos como palco de assassinatos misteriosos. Drácula esconde-se ali e Francis Bacon pinta lá seus quadros angustiantes. Seja branco ou de tijolo avermelhado, vitoriano ou classicista, o sólido invólucro do bem-estar britânico oferece a fachada esperada em todo entusiasmo pela Inglaterra.

Mas na Alemanha, a expressão vem perdendo há alguns anos seu significado típico, transformando-se num anglicismo imobiliário tendo Berlim como centro. Lá, townhouse é o nome de um novo conceito de residência urbana, de êxito crescente. Isto foi iniciado por planejadores urbanos a serviço do Senado (governo da cidade-estado de Berlim): com a construção de pequenas unidades, as áreas baldias no centro da capital deveriam ser preservadas da monotonia gerada por grandes prédios em terrenos caros. Com as casas de luxo, esperava-se ao mesmo tempo evitar a evasão de potentes contribuintes para os subúrbios. A tais profissionais bem-sucedidos e famílias abastadas, deveriam ser oferecidos lotes atraentes no centro, no quais eles pudessem realizar suas próprias concepções residenciais.

Bem próximo à catedral e à praça Schlossplatz, na melhor localização do centro da cidade, o Senado berlinense liberou em 2004 uma grande área para construção de townhouses. A expressão, até então pouco usual na Alemanha, deveria conferir exclusividade ao experimento de casa própria. As condições básicas foram ditadas de maneira a que não surgisse qualquer associação com a casa padronizada de subúrbio, com telhado de duas águas e jardim frontal, chamada na Alemanha de Reihenhaus (casa perfilada). Os 47 lotes com largura média de apenas 6,50 metros estavam agrupados diretamente ao lado do Ministério das Relações Exteriores, em dois grandes blocos e podiam receber construções de caráter individual. Havia poucas regulamentações quanto à altura comum de quatro até seis andares e o alinhamento da fachada, ao lado de uma grande liberdade na configuração do imóvel.

Ao findar a construção do conjunto, em 2008, a concepção já era tida como êxito. A disputa de proprietários potenciais pelas majestosas mansões verticais não deixou vago nenhum lote. E a variedade estilística ofereceu um retrato fiel do pluralismo moderno: do estilo histórico a Bauhaus, do discreto romantismo anterior à guerra ao extravagante pós-modernismo, quase nenhuma época dos últimos 200 anos foi deixada de lado. Reboco, mármore, tijolo, vidro, metal e madeira foram empregados e as cores variam do amarelo-gema e rosa-salmão até prata-metálico e a cor de berinjela. Até mesmo arquitetos de grande renome, como David Chipperfield ou Hans Kollhoff, atuaram como pioneiros das townhouses, fazendo com que os nobres endereços em Berlin-Mitte atraíssem turistas arquitetônicos diariamente. A aparência do modelo alemão nada tem a ver com a discrição das nobres townhouses britânicas, padronizadas externamente e que só revelam sua individualidade no interior. A inspiração para a mescla colorida de estilos arquitetônicos veio antes da reforma das instalações do cais em Amsterdã, nos meados da década de 1990.

As townhouses berlinenses conquistaram entretanto um status exemplar, gerando na cidade uma verdadeira mania de tentar reproduzir o modelo bem-sucedido. Isto não suscitou apenas entusiasmo em Berlim, uma cidade tradicionalmente habituada aos protestos. Principalmente nos bairros centrais antes de classe baixa como Kreuzberg, Friedrichshain e Prenzlauer Berg, os conjuntos novos e projetados de townhouses são injuriados como bastiões dos ricos e as visitas dos interessados são impedidas às vezes através de flash mobs. Na corrente gentrificação dos famosos bairros de artistas e intelectuais, os velhos moradores veem como uma ameaça os chiques domicílios privados com terraços ajardinados e garagem subterrânea, que custam mais de um milhão de euros ou podem render até 12 mil euros mensais de aluguel. Através da rápida transformação de bairros de aluguel barato em conjuntos residenciais de alto preço, que ocorre em Berlim desde a Queda do Muro, as townhouses tornaram-se as novas inimigas, alvo às vezes de ataques com sacos plásticos cheios de tinta.

Porém, a boa ideia das moradias verticais de arquitetura ambiciosa em áreas baldias do centro não contraria tal preocupação justa. No sentido de uma cidade socialmente mesclada, vale muito mais a vizinhança do vendedor de salsicha com o executivo em terno Brioni do que a divisão em bairros pobres e ricos. E a pluralidade urbana é também melhor servida com a construção de pequenas unidades que de grandes blocos residenciais – tanto mais quando se pode amenizar a grande variedade de arquitetura em poucas formas diferenciadas. Que o novo modelo alguma vez venha atingir inspiração e identificação semelhantes ao seu exemplo inglês parece improvável. Para isto, os autores alemães teriam de reinventar um conde Drácula na townhouse berlinense. E isto, com certeza, não seria favorável à nova tendência imobiliária.////

09.11.2010
Bookmarks
| |