O mundo de amanhã é tão previsível, que até cabe num quadro magnético. Com cinco indicadores, parece ser possível medi-lo politicamente: Capacidade militar da UE? Dois de cinco pontos. Força econômica? Três pontos. Embaixo, no fim da matriz, há um número. Ele mostra quais países irão ganhar em influência nas próximas três décadas – e quais irão perder. Os EUA possuem 14,5 pontos. A UE, por sua vez, aparece com apenas 10 pontos, atrás da China. Mas será mesmo possível prever o mundo no ano 2040 tão exatamente quanto este prognóstico geopolítico apresenta no quadro? Hans-Ulrich Spohn sacode a cabeça: “Trata-se em primeiro lugar de ensinar os participantes a ter de pensar em cenários futuros”, diz o diplomata aposentado, embaixador alemão em Buenos Aires no seu último posto. Os participantes – 15 jovens, homens e mulheres, da América Latina e do Caribe – são diplomatas ainda em início de carreira que vieram por seis semanas para Berlim.
Uma delas é Bárbara Magaña. Inquieta, a jovem mexicana escorrega em sua cadeira, para cima e para baixo, com seus longos cabelos castanhos. Magaña tem de estimar a evolução da UE. Entretanto, seu pedido para conceder à União Europeia a avaliação máxima de cinco pontos por sua influência diplomática não encontra apoio em seus colegas. A uma curta discussão segue-se uma votação. Resultado: quatro pontos. Bárbara Magaña sacode a cabeça decepcionada.
No jogo de planejamento geoestratégico evidencia-se ser importante não apenas pensar no cenário futuro. Mas é necessário também obter apoio para ter sucesso na defesa das próprias posições. É disto, afinal, que trata o curso para diplomatas da América Latina e do Caribe: construir uma rede de colegas que se conhecem e se estimam. “Diplomacy by Networking” é o slogan do curso internacional de capacitação de diplomatas, criado em 1992 pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Pensado a princípio para capacitar diplomatas da Europa Central e Oriental para a reconstrução de seus ministérios de relações exteriores, o programa cresceu, sendo frequentado por novas gerações de diplomatas de mais de 140 países. Como diretor do programa, com experiência na América Latina, Hans-Ulrich Spohn desenvolveu há cinco anos o curso para diplomatas da América Latina e do Caribe. “Propositadamente não queremos oferecer um seminário alemão”, diz ele. “O foco do curso está na parceria estratégica entre Europa, América Latina e Caribe.”
O ex-embaixador Spohn quer agora dar vida a esta parceria, acertada oficialmente no Rio de Janeiro em 1999. Por isto, ele batizou o curso para diplomatas com o título “Partners for Global Governance”. “Muitos países da América Latina e do Caribe defendem interesses similares aos da Alemanha”, diz Spohn. Por esta razão, os diplomatas discutem no curso questões comuns da ordem mundial da paz, assim como problemas do sistema global financeiro e econômico ou a aplicação internacional de direitos humanos. Financeiramente, o curso internacional de diplomatas baseia-se em três pilares: ao lado do Ministério das Relações Exteriores, apoiam os seminários diversas fundações, como a Fundação Robert Bosch, além de haver à disposição recursos específicos para alguns programas. A participação no seminário é gratuita para os jovens diplomatas do exterior. Seus países precisam apenas assumir as despesas de viagem.
Frequentemente, os novos diplomatas são preparados em seminários na Alemanha para seu trabalho diplomático. Dos aproximadamente 1500 ex-alunos dos cursos, cerca de 150 atuam hoje nas embaixadas de seus países em Berlim. Bárbara Magaña também pensa em viver na capital alemã. A mexicana de 28 anos, hoje envolvida com Colômbia, Equador e Venezuela no Ministério das Relações Exteriores de seu país, terá de mudar sua cidade de trabalho no ano que vem: “Eu serei certamente enviada para a Europa, talvez até mesmo para Berlim”, deseja Magaña.
Que “Diplomacy by Networking” não é uma frase vazia, a mexicana vê em sua própria chefe. A ministra mexicana de Relações Exteriores, Patricia Espinosa Cantellano, frequentou em sua adolescência a escola alemã na Cidade do México e, mais tarde, fez um ano de intercâmbio escolar em Schleswig-Holstein. “Hoje, a cooperação com a Alemanha é um de seus temas preferidos”, diz Magaña. Ela vê um dos pontos fortes na cooperação científica, por exemplo nas universidades: “Temos bastante matéria-prima e, comparativamente, uma população jovem. O que nos falta, porém, é a tecnologia.”
A visão sobre a própria região também pode ser aprofundada no seminário, por exemplo através de uma visita de três dias à União Europeia em Bruxelas. “A integração também é muito importante para nós”, diz Ricardo A. Moreta, da República Dominicana. “No seminário, aprendemos instrumentos e estratégias que ajudaram a integração europeia.” Se para Bárbara Magaña ainda é uma possibilidade, para Ricardo A. Moreta o pulo para a Europa já se tornou realidade. Desde março de 2010, o diplomata de 28 anos trabalha na embaixada da República Dominicana em Berlim. Para ele, o seminário também é uma espécie de teste: “Aqui somos testados como diplomatas”, diz Moreta.
Mudança de local: um dia depois, os jovens diplomatas festejam, no International Club do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, a conclusão do seminário de seis semanas. Pouco após as nove horas, as divergências de opinião no jogo de estratégia da véspera estão esquecidas e, junto com seus colegas do México, Argentina, Belize e Guatemala, Bárbara Magaña dança ao som das canções “La Camisa Negra”, do cantor colombiano Juanes, e “Satellite”, da nova pop star alemã Lena. Na cultura pop, assim parece, América Latina e Alemanha já acertaram o tom. Com a rede de diplomatas, a parceria política também avança em seu perfil.////













