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As melhores universidades

Elite e excelência

A Alemanha universitária está em evolução: as causas são numerosas reformas e a Iniciativa de Excelência. Quem lucra é a qualidade da pesquisa e do ensino – e os alunos

Oliver Sefrin

De Constança a Kiel, de Aachen a Dresden: na Alemanha universitária está ocorrendo muita coisa nova – e as universidades demonstram coragem para reformas amplas. Os professores são remunerados, cada vez mais, de acordo com seu desempenho, são criadas fundações universitárias, os cursos superiores são internacionalizados e, em alguns Estados, os estudantes pagam agora anuidades, ainda que relativamente moderadas. A isto se soma um novo espírito de concorrência que abrangeu as 383 instituições alemãs de ensino superior e sinaliza um novo impulso. Mais que nunca, estudantes e professores debatem sobre excelência e elite. Nas 103 universidades do país são usadas expressões como conceitos para o futuro, cluster e escolas de graduados. O motivo disto é um concurso inusitado na Alemanha – a Iniciativa de Excelência. Com ela, a União e os Estados fomentam a pesquisa universitária de ponta e pretendem criar fanais da ciência na Alemanha, que também brilhem internacionalmente. Com tal objetivo serão concedidas verbas totais de 1,9 bilhão de euros, de 2006 até 2011. As verbas são distribuídas num concurso de três categorias: escolas de graduados, cluster de excelência e conceitos para o futuro.

As escolas de graduados oferecem aos jovens cientistas uma oferta de formação muito bem estrutura. Elas só surgiram nos últimos anos, geralmente no contexto da Iniciativa de Excelência. Seja na “Bielefeld Graduate School in History and Sociology” ou na “Graduate School of Computer Science” da Universidade do Sarre: as 39 escolas de graduados premiadas pela Iniciativa de Excelência, cada uma delas fomentada com uma verba anual de cerca de um milhão de euros, oferecem aos jovens cientistas condições ideais para o seu doutoramento – ponto de partida para toda carreira científica. Tais carreiras são fomentadas também por uma segunda iniciativa das universidades e da Sociedade Max Planck, que fundaram agora 49 “International Max Planck Research Schools” – centros de pesquisa inovadora em biologia molecular, ciências neurológicas, informática, demografia, física plasmática e polímeros.

Com os clusters de excelência, são fomentados os centros de pesquisa das universidades, com orientação internacional, que cooperam com institutos extra-universitários de pesquisa, com universidades de ciências aplicadas e com o setor econômico. Um total de 6,5 milhões de euros são destinados por ano a 37 clusters de excelência. A pesquisa do clima, por exemplo, está no centro dos trabalhos de cientistas naturais, economistas, bem como cientistas sociais e humanos da Universidade de Hamburgo, que coopera com o Instituto Max Planck de Meteorologia e com o Serviço Alemão de Meteorologia.

A terceira e última categoria da Iniciativa de Excelência é a de maior prestígio: os conceitos do futuro. Eles visam fortalecer o perfil de pesquisa das universidades alemãs. Condição prévia para o fomento: a universidade tem de possuir pelo menos um cluster de excelência e uma escola de graduados, bem como apresentar uma estratégia global convincente. A que cumprir todos os três critérios, estará entre as instituições de ponta e receberá o cobiçado título de “universidade de elite”. A escolha é feita aqui – como nas outras duas categorias – por um grêmio de cientistas internacionais da Comunidade Alemã de Pesquisas (DFG) e do Conselho da Ciência.

Nas duas primeiras rodadas de fomento, nos outonos de 2006 e de 2007, o júri premiou nove universidades de excelência em Aachen, Berlim, Freiburg, Göttingen, Heidelberg, Karlsruhe, Constança e Munique. O status de elite traz à caixa da universidade uma verba adicional de cerca de 21 milhões de euros por ano para a pesquisa, além de um ganho inestimável em renome. Maior número de pedidos de cooperação científica por parte de universidades e empresas internacionais, um interesse redobrado do exterior por vagas de doutoramento e um aumento claro da demanda por vagas de estudo – este é o resumo do primeiro balanço feito pelo professor Horst Hippler, reitor da universidade de elite de Karlsruhe.

Conhecimento é o capital do futuro: a Alemanha continua preparada para a concorrência internacional pelas cabeças mais inteligentes. Já agora, a Alemanha é, depois dos EUA e da Grã-Bretanha, um dos países prediletos para estudos universitários, com 250 mil estudantes estrangeiros. A Iniciativa de Excelência é apenas uma de diversas estratégias para fazer da Alemanha um centro universitário atraente, que se internacionaliza ainda mais com os novos certificados de Bachelor e de Master, em vez dos certificados até agora tradicionais de Diplom e de Magister. Também o setor da pesquisa está tendo um novo impulso. Na Alemanha, uma das grandes nações de pesquisa com mais de 250 mil cientistas, cerca de 700 milhões de euros serão destinados ao fomento da pesquisa acadêmica até 2010. O “Pacto de Pesquisa e Inovação” garante aos grandes centros de pesquisa um aumento anual de verbas de pelo menos três por cento, até 2010. Um total aproximado de 15 bilhões de euros será destinado pelo governo federal às tecnologias de ponta até 2009. Pela primeira vez em 2008, a Alemanha premiou os pesquisadores de maior destaque do exterior com o “Research in Germany Award” – o prêmio de pesquisa do Ministério de Educação e Pesquisa (BMBF) e da Fundação Alexander von Humboldt é dotado de até cinco milhões de euros. Os premiados devem, durante cinco anos, fazer pesquisa orientada para o futuro em universidades alemãs.

Levar a Alemanha à frente, com riqueza de idéias e criatividade é o que pretende também a estratégia pela tecnologia avançada, aprovada em 2006. Um sinal de maior força inovadora e ligações mais estreitas entre a economia e a ciência é a meta da iniciativa. Os potenciais em 17 áreas de futuro, como energia, biotecnologia, nanotecnologia ou técnica medicinal, devem ser melhor aproveitados, lançando mais rapidamente novos produtos no mercado. O balanço inicial é positivo: há mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo da estratégia é tornar a Alemanha um dos países mais abertos às inovações e à pesquisa.

28.01.2008
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