Joachim “Jogi” Löw está viajando muito nestes dias, para observar jogadores, analisar adversários e avaliar a sede e os alojamentos da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Esta é a primeira copa mundial Jogi Löw como técnico, desde que sucedeu a Jürgen Klinsmann. Como assistente de Klinsmann, ele ajudara a fazer da Copa de 2006, na Alemanha, um “sonho de verão”. E no Campeonato Europeu de 2008, com Löw como técnico, a Seleção alemã comprovou sua grande capacidade.
Sr. Löw, na Copa de 2006, a Alemanha ficou em terceiro lugar e, no Campeonato Europeu de 2008 foi vice-campeã. Consequentemente terá de ser campeã na África do Sul, não é?
Não teria nada contra.
Perguntando de novo: Quais seriam as chances realistas na África do Sul?
Nosso time se desenvolveu positivamente nos últimos seis anos, conseguindo maior rendimento ainda no Campeonato Europeu de 2008, superando também muito bem a qualificação para a Copa do Mundo. Fizemos progressos tanto no setor tático como no setor técnico. Entraremos no torneio mundial com bastante confiança. Estamos entre os times que poderão ganhar o título. Para mim, os favoritos são a Espanha e o Brasil.
Na fase de grupos, seus adversários serão Austrália, Sérvia e Gana. No sorteio na Cidade do Cabo, falou-se novamente sobre a famosa sorte dos alemães. O que o senhor pensa dos nossos adversários?
O sorteio poderia ter sido pior, mas acho totalmente errado falar sobre sorte. Pegamos um grupo interessante que não pode ser subestimado. Fato é que a Sérvia deixou a França em segundo lugar na qualificação para o Mundial. O Gana foi vice-campeão na recente Copa do Mundo Sub-20. E a Austrália é um time que joga compacto e, com certeza, um sério adversário da Alemanha.
O senhor acha que o Gana vai estar muito motivado, dado que este é o primeiro campeonato mundial em solo africano?
Na minha opinião, o Gana tem, ao lado da Argélia e da Costa do Marfim, um dos mais fortes times da África. Em geral, os times africanos se desenvolveram enormemente nos últimos 15 anos, e isto tanto nos aspectos físicos como também na tática. Além disso, muitos craques das seleções africanas jogam em times europeus, onde aprendem muitíssimo em setores como a disciplina e a tática, levando isso para a respectiva Seleção nacional. Além disso, será a primeira vez que a Copa do Mundo será na África, o que também é motivação para todos os times africanos, para mostrar ao mundo suas qualidades. Eles jogarão com toda motivação possível.
Dado que esta Copa é a primeira para o senhor como técnico, ela será o auge da sua carreira?
Já que no Campeonato Europeu de 2008, um grande torneio, estive na mesma posição, não vejo nenhuma diferença. É claro que venho me ocupando intensamente com a copa mundial, pois ganhando o título, a gente pode entrar para a história do futebol. Durante o Mundial vou dedicar-me à minha concentração, de maneira que não vou sentir pressão de fora.
Antes do Mundial de 2006, não se confiava muito na Seleção alemã, pois estávamos bem atrás no ranking de países. Neste meio tempo, os peritos vêem a Alemanha, no mínimo, ao mesmo nível que as nações líderes no futebol. O que aconteceu com o futebol alemão?
Antes da Copa de 2006, tínhamos problemas seríssimos em encontrar jogadores jovens. Mas então, durante o Mundial, jogadores jovens, como Philipp Lahm, Lukas Podolski, Bastian Schweinsteiger e Per Mertesacker chamaram a atenção, fazendo com que se desse maior chance a jogadores jovens no campeonato alemão. Isto foi muito bom. Todo o setor juvenil na Confederação Alemã de Futebol foi otimizado, o que comprovaram os títulos ganhos pelos times Sub-21, Sub-19 e Sub-17. Desta maneira, pudemos convocar, nos últimos tempos, jogadores que tiveram êxito, como Özil, Marin ou Boateng.
Sempre se fala que Michael Ballack é o único craque alemão de classe internacional. O senhor colocaria outros craques nesta categoria?
Na Seleção alemã, Michael Ballack é o jogador com maior experiência internacional, é um craque internacional. Mas seria um erro pensar que o êxito depende só de um jogador. A estrutura do time tem de dar certo. Temos na Seleção jogadores mais velhos que assumem a responsabilidade no campo e jogadores jovens que dão dinamismo ao jogo.
No gol, aconteceu uma mudança de geração. René Adler também será o goleiro número um no Mundial?
Sempre dissemos que o goleiro que jogasse contra a Argentina teria uma pequena vantagem. René Adler também mostrou um forte desempenho nos dois jogos das eliminatórias contra a Rússia, comprovando que está preparado para enfrentar jogos importantes a nível internacional.
Por que a Alemanha vem tendo, já há dezenas de anos, na posição do goleiro jogadores excepcionais como Sepp Maier, Toni Schumacher, Oliver Kahn ou, ultimamente, Jens Lehmann?
Há uma razão plausível? A resposta já está na pergunta. Os excepcionais goleiros na história do futebol alemão sempre foram ídolos das crianças que tentam imitar seus heróis no campo. Por isso, muitos jovens das novas gerações querem jogar no gol, ao contrário de países, como o Brasil, onde os craques da Seleção nacional são, na maioria, os atacantes.
Discutiu-se muito no passado sobre o país anfitrião da Copa do Mundo. O que o senhor pensa da África do Sul?
O continente africano em si não me é desconhecido, pois há alguns anos escalei o Kilimanjaro, na Tanzânia. Foi uma grande experiência para mim. A África do Sul, ao contrário, vi até agora como o país da Copa do Mundo, sendo que toda minha atenção está voltada para que nossa Seleção tenha as melhores condições possíveis para obter bom desempenho.
O que o senhor admira na África do Sul?
A África do Sul tem uma história realmente interessante com Nelson Mandela, que conseguiu superar o apartheid. Por outro lado, é um país cheio de vida e alegria, apesar dos problemas sociais ainda existentes. É bom ver a alegria do povo de lá pela Copa do Mundo.
E o tema da segurança?
Como em todo torneio, a segurança é um aspecto de enorme importância para os times, suas famílias, para os assistentes e para os fãs que acompanham seu país. Estou convicto de que a FIFA e a África do Sul tomarão as devidas medidas para que tudo corra sem incidentes na Copa do Mundo.
Por que o senhor escolheu o alojamento da Seleção alemã perto de Joanesburgo? Que vantagens há lá, frente à Cidade do Cabo ou a Durban?
Em consulta com nosso departamento de medicina, concluímos que o decisivo para a escolha da sede era a altitude. Não é por acaso que a maioria dos times da Copa procurou um hotel nas cercanias de Joanesburgo ou de Pretória. Nós escolhemos a tempo nossa sede e estamos satisfeitos com nossa escolha. O Velmore Grand Hotel oferece possibilidades que necessitamos para uma ótima estadia durante a Copa do Mundo.
Em junho e julho é inverno na África do Sul. À noite, pode ficar frio mesmo. Essa condição climática é vantajosa para o time alemão?
Todos os times têm as mesmas condições. Não vejo nenhuma vantagem para o nosso time.
O que se esconde detrás do dito: A Alemanha é um time de torneio?
A Alemanha sabe como se preparar da melhor maneira possível para um torneio importante, possuindo boa orientação e mentalidade. Mas isto não é nenhuma garantia para um bom desempenho do time alemão. Temos sempre que trabalhar duro para podermos jogar um bom campeonato mundial.
Señor Löw, muito obrigado pela entrevista. //














