Sr. Lemke, há poucas semanas o senhor foi nomeado assessor especial do secretário-geral da ONU para o esporte a serviço do desenvolvimento e da paz. Valeu a pena trocar o cargo de senador para assuntos internos de Bremen pelo seu posto atual?
Ainda não posso dizer se a tarefa é interessante. Mas ela é, de qualquer forma, digna e atraente, já que me põe em contato com gente de todo o mundo. Minha tarefa será o fomento da saúde, da educação, do desenvolvimento e da paz, com os recursos do esporte. Para alguém como eu, que atuou no esporte e na política, é uma tarefa muito gratificante, na qual posso lançar mão das experiências acumuladas durante décadas.
Disseram que o seu novo posto é um cargo honorário. Isto não prova também, indiretamente, que as Nações Unidas não dão muito valor ao esporte? Este posto não é, na verdade, só para salvar as aparências?
É sabido que as Nações Unidas sempre têm problema de verba. Por isto, considero positivo que esta tarefa seja assumida, apesar da miséria financeira. Isto demonstra que o esporte é tido, de qualquer forma, como importante para a nossa sociedade. E se o trabalho é assumido por alguém que o faz não pelo dinheiro, mas sim pela importância da coisa, então isto só pode ser bom, no meu ponto de vista. Nas funções que desempenhei até agora, sempre fomentei o engajamento honorário. Assim, é natural que eu próprio me coloque à disposição para um cargo desta natureza. Considero realmente uma honra, ter sido indicado pelo governo alemão para este posto e poder agora assumir esta importante tarefa para Ban Ki-moon.
O senhor teve de mudar o centro das suas atividades de Bremen para Nova York?
Bremen continuará sendo o centro das minhas atividades. Mas agora e no futuro estarei, naturalmente, viajando muito, para participar de eventos esportivos internacionais, de congressos e de conferências. Ao lado de um pequeno escritório em Nova York, há também um escritório principal em Genebra. Porém, eu me comunico com ambos, em primeira linha, através dos meios eletrônicos.
O que, exatamente, faz um assessor especial?
Ele põe suas experiências esportiva e política a serviço das Nações Unidas e ajuda o secretário-geral a utilizar o esporte para fomentar o desenvolvimento e a paz em todo o mundo. Concretamente: ele não apenas representa o secretário-geral em eventos esportivos internacionais, mas promove ele próprio respectivas conferências, congressos e também eventos esportivos – por exemplo, com jovens das regiões de conflito do mundo. Ele assessora o secretário-geral e os grêmios em questões atuais da política esportiva e educativa. E como advogado do esporte, tem de interceder junto a países membros, organizações não-governamentais, federações internacionais, além da mídia.
Qual a sua impressão, após as primeiras semanas no novo posto?
Em princípio, é tudo tão interessante quanto eu esperava. Mas, em virtude da questão China-Tibete, foi uma estréia agitada e uma queda na água fria. Já foram realizadas três consultações a respeito, com os embaixadores chineses em Genebra e Nova York. E eu tive de aprender a formular com muita cautela e a argumentar dentro da linha da ONU, pois minhas palavras agora são tomadas como palavras do secretário-geral da ONU.
Qual é a linha da ONU na questão China-Tibete, às vésperas dos Jogos Olímpicos na China?
O secretário-geral está preocupado, ele observa, quer lograr uma desescalada e tentar fazer com que as Olimpíadas sejam um êxito para todos os participantes. O esporte não deve ser instrumentalizado para fins políticos. E isto eu defendo inteiramente como desportista.
O senhor viajará para Pequim?
O presidente do COI, Dr. Jacques Rogge, me fez um convite pessoal. Antes do início dos jogos, será realizado um importante congresso em Pequim, que eu incluí na minha agenda. Ainda não está decidido a quais competições eu assistirei, nem quanto tempo permanecerei lá.
Que metas o senhor tem na sua nova atividade? Quais os conceitos que pretende introduzir? O que acredita que poderá mobilizar na política internacional com o tema esporte?
Através do esporte pode-se lograr muita coisa, pois ele entusiasma muita gente. Será minha tarefa empregar o elemento esportivo de aproximação dos povos para atividades contra o racismo e a violência em todo o mundo. Para isto, quero captar, fortalecer e transmitir as iniciativas e sinais positivos de diversos países. O esporte já oferece uma rede mundial, que deve ser aproveitada para um desenvolvimento pacífico da humanidade. Também vejo como minha tarefa combater e expurgar problemas e desenvolvimentos errados do esporte, como por exemplo, o doping ou as fraudes em competição.
Quantos anos o senhor planejou para realizar estas metas?
Inicialmente, um ano. É quanto dura o meu contrato com as Nações Unidas.
Sr. Lemke, agradecemos por esta entrevista e lhe desejamos muita sorte na sua nova tarefa.
Entrevista feita por Jürgen Rollmann.
Willi Lemke
Desde meados de março de 2008, o funcionário esportivo e político alemão, nascido em 1946, é assessor especial para esportes do secretário-geral da ONU. Lemke que, durante muitos anos, foi executivo do clube SV Werder Bremen, da Bundesliga, é tido como incansável, criativo e comunicativo. Foram também estas características que abriram o caminho da política ao membro do SPD: de 1999 até 2007, Lemke foi secretário estadual da Educação e da Ciência em Bremen.













