Que consequências têm os últimos desenvolvimentos da economia mundial sobre as percepções recíprocas das sociedades árabes e alemãs? As experiências feitas na Alemanha e na Europa poderão dar novos impulsos aos processos de transformação no Oriente Médio? Estas perguntas foram o ponto central do mais recente diálogo internacional da mídia, do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, em meados de outubro em Damasco. Cerca de 30 jornalistas e peritos em mídia participaram desse encontro. Eles vieram da Alemanha e de sete países árabes. O tema discutido foi “Mídia e processos de transformação”.
Os diálogos bilaterais ou regionais da mídia, planejados pelo Instituto de Relações Exteriores (ifa) a encargo do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, são um instrumento importante do trabalho alemão de divulgação no estrangeiro. Para tanto, os promotores da mídia da Alemanha estão em intenso diálogo com seus colegas dos mais diferentes países. Entre estes estão até agora, por exemplo, China, Paquistão, Turquia, Israel, Indonésia, Ucrânia, França, Ásia central, Estados da CEI, países da Europa central e do sul, países da África oriental e do sul, Mongólia, Sérvia, Croácia e Cazaquistão.
Jornalistas, publicistas e executivos da mídia reúnem-se para trocar experiências da prática jornalística e discutir sobre questões atuais da mídia. “Esses encontros de multiplicadores de diferentes regiões geográficas e círculos culturais criam também redes transnacionais, incentivando cooperações”, diz Ronald Grätz, secretário-geral do ifa. Muitos participantes desenvolvem relações permanentes através dos diálogos da mídia. “Desta maneira, promove-se um intenso intercâmbio entre as redações, o qual vem a favorecer as reportagens através de informações mais atuais e de um melhor conhecimento das circunstâncias”. Isto é confirmado por um “homem prático”, Victor Kocher. Ele, durante muito tempo correspondente do “Neue Zürcher Zei-tung” no Oriente Médio e agora correspondente junto às Nações Unidas em Genebra, participou de uma série de diálogos da mídia com o mundo árabe. Entre colegas paritários e sobre uma base de autocrítica e crítica construtiva a outros, a discussão sobre os grandes temas atuais – como reformas democráticas, combate ao terror ou liberdade de opinião – “elimina preconceitos mútuos e abre a visão para exposições objetivas, passando além das diferenças entre Leste e Oeste”, disse o jornalista suíço.
O tema “Campo de tensões entre o governo e a mídia privada e pública” tratou, também em outubro, do atual diálogo Alemanha-América Latina, em Quito, com participantes da Bolívia, do Chile, do Equador e da Alemanha. A comparação dos sistemas de mídia desses países teve um objetivo duplo, ou seja, o de perceber melhor os fortes e fracos das relações do país correspondente no próprio país e de aprender com as experiências dos outros. Pontos centrais foram as diretrizes estruturais da mídia (mídia privada/mídia do direito público, mídia estatal), as características da comunicação política, a organização da comunidade regional e local, os crescentes problemas financeiros da mídia e a auto-organização e formação dos jornalistas.
Barbara Kuhnert, até agora vice-diretora
do departamento “Diálogos” no ifa de Stuttgart, faz um prognóstico do futuro dos diálogos da mídia. Desde 1997, ela vem desenvolvendo os diálogos da mídia do Ministério das Relações Exteriores e os vem acompanhando in loco. “Naquela época, a razão dos diálogos da mídia era combater estereótipos e preconceitos através de informações equilibradas. Com respeito a alguns países, isto também será necessário e acertado no futuro. As experiências com os mais recentes diálogos mostraram que um enfoque de temas globais, como a política ambiental, os sistemas de economia ou a superação do passado, apresenta maiores chances para uma sustentabilidade intercultural, no sentido de idéias para novos projetos e redes. Por isso, vejo o futuro dos diálogos da mídia numa maior interconexão com a sociedade civil e seus temas atuais”.














