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Estudar para a reconstrução

Nas regiões de conflito do Iraque e do Afeganistão, a Alemanha apoia a reconstrução da ciência e das universidades e fomenta o intercâmbio acadêmico com programas especiais de bolsas de estudo

Oliver Sefrin

Se você quiser tornar-se um bom engenheiro, você tem de ir para a Alemanha”. Ahmed Al-Mudhafar, do Iraque, ainda se lembra muito bem do conselho do seu pai. “Após o Master na universidade em Bagdá, meu sonho era fazer o doutorado na Alemanha”. O estudante de 28 anos já está agora bem pró­ximo da realização do seu sonho. Desde meados de junho, ele está na Alemanha. É um dos 31 estudantes do Iraque, escolhidos como primeiros participantes de um novo programa de bolsas de estudo. A partir de outubro de 2009, eles farão o seu Master ou seu doutorado numa universidade alemã. As bolsas de estudo são parte de um novo acordo entre o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e o Ministério da Educação do Iraque, que assumem respectivamente a metade dos custos. Até cem estudantes, que visam obter o grau de Master, ou doutorandos iraquianos poderão ser beneficiados todos os anos pelo novo programa. A parceria acadêmica, parte de um programa especial do Ministério das Relações Exteriores para o Iraque, abrange um pacote ainda maior de medidas de fomento da reconstrução acadêmica. Ao lado das novas bolsas de estudo, um programa de parceria entre universidades constitui um segundo módulo importante. A meta de longo prazo é a fundação de uma universidade alemão-­iraquiana.

Mas nisto ainda não pensam no momento Ahmed Al-Mudhafar e seus colegas iraquianos Hussein Al-Hashimi e Mohan Hassan Aleatbi. Após um inicial curso de alemão online, agora eles aprendem alemão juntos numa escola de idioma em Frankfurt. Em poucas semanas, porém, eles seguirão rumos diferentes. Para seus cursos de Master ou de doutorado, os três jovens engenheiros irão então para a Universidade Técnica de Munique, a Universidade de Erlangen-Nurembergue e a Universidade de Siegen – e talvez encontrem lá outros bolsistas do DAAD, provenientes do seu país. Pois, já agora, independente do novo programa, mais de cem estudantes e cientistas do Iraque recebem todos os anos uma bolsa de estudos do DAAD para uma estadia na Alemanha.

Lamya Yousif é uma delas. A iraquiana de 30 anos estudou Medicina em Bagdá e trabalhou posteriormente num hospital. No final de 2004, ela veio para a Universidade de Mainz. “A Alemanha goza de renome como país universitário. Por isto, eu quis continuar aqui a minha formação acadêmica”. Em 2007, ela concluiu o European Master of Science in Epidemiology e agora, no conceituado no Instituto de Epidemiologia das Clínicas Universitárias de Mainz, trabalha na elaboração da sua tese de doutorado. “A epidemiologia é uma disciplina importante. Nós pesquisamos as causas e consequências de enfermidades”. Depois de concluir seu doutorado, Lamya Yousif pretende retornar para o Iraque. Seu conhecimento médico será bem aplicado: as doenças causadas, entre outras coisas, por influência do meio ambiente são um enorme risco num país que viveu uma longa guerra.

Uma cooperação acadêmica existe também com o Afeganistão, onde a Alemanha se engaja intensamente na reconstrução civil, no âmbito do conceito do governo federal para o Afeganistão. O Instituto de Pesquisa do Desenvolvimento e da Política de Desenvolvimento (IEE) da Universidade do Ruhr, em Bochum, ampliou cada vez mais a cooperação, desde 2002, com o apoio do DAAD e recursos do Pacto de Estabilidade do Afeganistão. O IEE, que dispõe de contatos de longo prazo com o Afeganistão, engaja-se sobretudo na reciclagem dos professores de Ciências Eco­nômicas. Ele apoia a reconstrução de faculdades de Ciências Econômicas e de Administração de diversas universidades afegãs e preparou, junto com elas, o conceito dos cursos de Bachelor e de Master em Administração e Ciências Econômicas.

Um novo projeto teve início na Universidade de Erfurt em dezembro de 2008. Executivos afegãos, entre 25 e 35 anos de idade, participam lá de um projeto de estudos até agora ímpar, iniciado pelo Ministério das Relações Exteriores e o DAAD. Um curso de Master of Public Policy. Desde dezembro de 2008, a primeira turma de 15 alunos frequenta o curso da Erfurt School of Public Policy (ESPP) e aprende ali como se pode obter êxito com boa governança. A duração prevista do curso é de três anos: um ano de preparação, no qual os participantes aprendem alemão de maneira intensiva, depois disto, um curso de dois anos de Master of Public Policy, em língua inglesa, com prioridade para o gerenciamento de conflitos. Os afegãos e seus colegas de curso, de todo o mundo, ocupam-se de temas políticos, econômicos e de ciências administrativas.

“Eles aprendem, por exemplo, como uma administração pode enfrentar a proble­mática da corrupção e das drogas e que estratégias de solução existem”, afirma o professor Dietmar Herz, diretor do ESPP. Conhecimentos importantes, que podem contribuir para a estabilização da jovem democracia e que abrem diferenciadas perspectivas profissionais aos participantes. Mohammad Hossain Torabi tem interesse por uma universidade afegã: “Quero trabalhar como professor, pois em muitas universidades faltam os professores bem preparados”, relata o estudante, que já possui experiência prática no setor bancário. No Master do ESPP, ele se sente estimulado pela combinação de economia e política. E também lhe agradam as condições de estudos em Erfurt: alto nível acadêmico, grande escolha bibliográfica, muito contato com colegas universitários e uma cidade simpática. Na volta ao Afeganistão, Torabi quer continuar aplicando seus conhecimentos econômicos – por exemplo, num projeto de energia eólica na sua região de origem, em torno de Herat. Com sua experiência na Alemanha, ele pode dar impulso a este projeto e, assim, uma contribuição para o futuro do seu país.

17.07.2009
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Mudança do modelo energético na Alemanha

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