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Tubos cheios de energia

A energia vinda do céu

Na Andaluzia, o Sol espanhol e a pesquisa alemã formam uma poderosa ligação. O resultado pode vir a revolucionar o abastecimento energético da Europa

Rainer Stumpf

A vista é fantástica a partir dos muros da fortaleza em La Calahorra. Ao longe, no horizonte, estão os picos cobertos de neve da Sierra Nevada, embaixo da velha fortaleza estende-se uma quilométrica planície de campos. Antes de tudo, nenhum outro lugar oferece melhor vista para um superlativo técnico, ímpar não apenas no sul da Espanha: em meio à paisagem de matizes marrons e verdes, refletores parabólicos de seis metros de altura brilham à luz do Sol, em longas filas de centenas de metros, cobrindo a área gigantesca de 510 mil metros quadrados – maior que 70 campos de futebol. Eles captam energia para a maior usina solar do mundo. A construção de “Andasol 1”, na região de Granada, começou em junho de 2006. Ainda este ano, a instalação termo-solar produzirá 50 megawatts de energia, abastecendo assim 200 mil pessoas com a eletricidade gerada apenas com a força do Sol. Os trabalhos de construção de “Andasol 2” já estão em andamento há um ano, “Andasol 3” já está sendo planejada. Pioneira na técnica não poluente destas usinas é uma pequena empresa do sul da Alemanha. A Solar Millennium AG, com sede em Erlangen, desenvolveu “Andasol 1”, que foi construída em cooperação com parceiros espanhóis.

A técnica é o que há de especial na usina termo-solar. Ao contrário das células fotovoltaicas, ela não transforma a luz solar diretamente em eletricidade. Com uma precisão de mais de 98%, os refletores concentram os raios solares incidentes sobre um tubo de absorção, também chamado de receptor, que está localizado ao longo da linha focal do coletor. Nos tubos de absorção encontra-se um fluido térmico que, através da luz solar concentrada, é aquecido a cerca de 400ºC. O fluido transporta o calor solar para um permutador térmico, no qual é produzido vapor para mover as turbinas, produzindo assim eletricidade. Na instalação alemã, isto funciona até mesmo durante a noite: acumuladores integrados de sal, no centro do campo coletor, fornecem o calor necessário após o pôr do Sol. Especialmente requintada é a técnica dos receptores. Eles são compostos de um tubo de metal e um tubo envolvente de vidro. Há um vácuo entre os dois tubos, a fim de isolar o tubo de metal e reduzir ao mínimo possível a perda de calor. Já que o máximo possível de raios solares não refletidos deve chegar ao tubo de metal e lá ser absorvido, são necessários materiais especiais, cuja combinação é resguardada como um segredo. Em todo o mundo, existem apenas duas empresas que se aventuram na construção dos receptores. Uma delas é a empresa Schott, de Mainz, especializada em vidro e técnica fotovoltaica. Sua tecnologia capta a força do Sol também na Espanha.

A eficiência é um dos motivos para o prognóstico de Henner Gladen. O diretor tecnológico da Solar Millennium vê enormes possibilidades para as usinas termo-solares: “Somente na Espanha, existe o potencial para uma capacidade de produção de 10 a 15 mil megawatts, o que corresponde a dez até 15 grandes usinas convencionais”. Dados que são confirmados também por estudos do Centro Alemão de Navegação Aeroespacial (DLR). Em 15 anos, tais usinas podem abastecer o mundo com eletricidade não poluente, a partir do norte da África e do sul da Europa. Os planos já estão nas gavetas da Solar Millennium. Como também os de outra visão do futuro: as usinas de vento ascendente. Os técnicos de Erlangen querem construir quilométricos tetos de vidro no deserto, em torno a uma chaminé de cerca de um quilômetro de altura. O ar sob o teto de vidro é esquentado pelo Sol e sobe pela chaminé. Esta energia eólica move turbinas aos pés do gigantesco tubo e produz eletricidade. Ninguém precisará mais subir ao alto de uma fortaleza para admirar esta instalação.

25.03.2008
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Mudança do modelo energético na Alemanha

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