Domingo, 27/05/2012 08:10
 
 

Atualidade

Viagem pela música e a cultura da África

Confira a alegria de viver dos africanos: astros da música de Cabo Verde e do Senegal estarão este ano em destaque nos...mais

© Thomas Dorn

Atualidade

Economia

Presidente do banco do Vaticano é afastado do cargo  

Cultura e Estilo

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial  

Cultura e Estilo

Dresden comemora 500 anos da pintura "Madona Sistina"  

Perfil

Vizinhança ecológica

Adriana López, da Colômbia, desenvolve em Bonn, na Universidade das Nações Unidas, modelos para melhorar ecologicamente...mais

Eventos

Vida em quadrinhos

Uma viagem de descobrimento ao mundo dos super-heróis. O museu Europäische Kulturen...mais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Parceiros no mesmo nível – Pascale Hugues, França

60 anos da República Federal da Alemanha, 20 anos da Queda do Muro: Que imagem outros países têm da Alemanha? Correspondentes estrangeiros olham para o país, 20 anos depois da Queda do Muro. Uma visão externa, da jornalista francesa Pascale Hugues

Quando vim para Bonn, a Alemanha era um país monótono para os franceses, fixado em seu sucesso econômico, bastante moralista e sem humor. Era uma imagem nada lisonjeira. “Em breve você não vai mais aguentar falar de crescimento econômico e da questão alemã, pobre coitada”, me disse o chefe da redação quando eu estava a caminho. A Alemanha era um posto importante para os correspondentes, mas não exatamente motivador. Alsacianos como eu eram predestinados para o posto. E assim me vi novamente em Bonn em 11 de setembro de 1989. O primeiro dia foi um pesadelo. Eu havia acabado de voltar de Londres e ­aterrissei numa cidadezinha bonitinha, elegante e pálida. Tudo indicava que a profecia do redator-chefe iria se confirmar.

Algumas semanas depois, o Muro caiu em Berlim. Um acontecimento bem ao gosto dos franceses: um espetáculo histórico, magistral e avassalador. Durante meses a Alemanha encheu as primeiras páginas dos jornais franceses. Descobriu-se sua história no pós-guerra, houve interesse efervescente pela sociedade e mentalidade no Leste e no Oeste. Observava-se ansiosamente como os políticos moldavam o novo país. E, além disso, a Alemanha passou a ter uma legítima capital – e que capital! Os franceses, sobretudo as gerações mais novas, amam Berlim. O período da Wende (“virada”) foi um raro momento de vácuo: ninguém conseguia prever o futuro. Tudo era novo e excitante. Foram os mais belos anos de meu trabalho jornalístico. A Alemanha não foi monótona nem um instante. A Queda do Muro alterou fundamentalmente a imagem que os franceses tinham da Alemanha.

A reunificação e sua enorme velocidade também despertaram medos. Lembro-me da reação cautelosa de François Mitterrand no início da reunificação da Alemanha Oriental com a Alemanha Ocidental. Nós tínhamos medo deste gigante no coração da Europa. Nós temíamos que a Alemanha se virasse para o Leste, tivesse um crescente desinteresse pela integração europeia e pela intensa relação com a França. Nós tínhamos medo que a democracia alemã sofresse abalos. Tais temores nos parecem hoje absurdos. A insegurança foi superada. As relações entre nossos dois países se normalizaram. Os encontros se dão olho no olho. A Alemanha se tornou mais altiva, e por isso Paris e Berlim se atritam atualmente com maior frequência. A Alemanha trata hoje seus vizinhos de forma mais crítica e objetiva. O relacionamento é mais equilibrado e sadio. Para os alemães, a França não é mais motivo de idolatria. É bom que seja assim.

24.03.2009
Bookmarks
| |