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Cooperação sustentável

A cooperação alemã com a América Latina e o Caribe tem três grandes pontos centrais: democracia e Estado de direito, proteção do meio ambiente e do clima e abastecimento de água potável.

Toni Keppeler

A jovem mulher não tira os olhos da projeção na parede. Ela está roendo as unhas de uma mão, segurando o braço do seu advogado com a outra. Estas imagens mostram um homem entre o juiz, o promotor público e o advogado de defesa, acusado de ter sido responsável pela morte do pai e do irmão da jovem mulher, que teve de fugir da sua chácara. O tribunal colombiano trabalha nesse processo fazendo ­videotransmissão de uma sala para outra por motivos de segurança. Houve centenas de tais processos nos últimos anos.

Durante já quase 50 anos, este país sul-americano vem sendo assolado por um conflito armado, no qual estão envolvidos o exército, os guerrilheiros de esquerda, os paramilitares de direita e a máfia da droga. Através de difíceis negociações, o governo conseguiu convencer 35 000 paramilitares de entregarem suas armas. ­Estes homens cometeram milhares de assassinatos e centenas de massacres. Isto não pode ficar sem punição, mesmo que se tenha conseguido uma solução política através de negociações. Se fossem aplicados os meios legais comuns nesse país para levar à justiça todos os ex-paramilitares, demoraria 90 anos até que esse capítulo sombrio da história pudesse ser juridicamente concluído. Frente a isto, os peritos da Sociedade Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) ajudaram a promotoria pública, a encargo do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ), a desenvolver um procedimento rápido de investigação. Este exemplo da Colômbia é um entre muitos da intensa cooperação para o desenvolvimento com a América Latina.

Um dos pontos centrais dessa cooperação é a promoção do Estado de direito e da democracia. “Apenas uma América Latina que se oriente no Estado de direito e seja estável é um parceiro política e economicamente confiável”, é o que reza o Plano América Latina, do Ministério Federal das Relações Exteriores. “Somente uma Amé­rica Latina governada democraticamente e ‘mais social’ tem boas chances de se integrar com êxito nos mercados e na política mundiais”, é o que está no correspondente documento básico do BMZ. Mas a América Latina não é uma unidade. São 33 países muito diferentes, com um total de 590 milhões de habitantes. A GIZ põe em prática projetos da cooperação para o desenvolvimento em 21 desses países.

O segundo ponto central do empenho alemão é dedicado à proteção do meio ambiente e do clima, pois são precisamente países como a Bolívia e o Peru que estão sendo afetados pelas consequências da mudança do clima. Além disso, a América Central e os países do Caribe vêm sendo cada vez mais assolados por vendavais e tempestades.

O terceiro ponto central da cooperação é o abastecimento urbano de água potável e a gestão das águas residuais domésticas. Três quartos dos meios do BMZ para a América Latina fluem para esse setor. De toda a cooperação para o desenvolvimento, a Alemanha disponibiliza quase 10% para a América Latina.

O empenho alemão na cooperação para o desenvolvimento sempre segue o princípio da sustentabilidade, incluindo os habitantes do respectivo país. Após o furacão Stan em 2005, os habitantes da Guatemala e de El Salvador cooperaram com peritos alemães, construindo sistemas de alerta precoce, protegendo aldeias e encostas com barragens e diques, promovendo o reflorestamento de áreas pantanosas e adaptando a agricultura através de sementes tradicionais. O próximo furacão não causou mais nenhuma morte e os danos foram previsíveis. Projetos semelhantes são promovidos em sete países do Caribe. Na Nicarágua, os peritos florestais alemães ajudam a população indígena dos Miskitos a explorar sustentavelmente a mata tropical, derrubando apenas três árvores por hectare e, depois de uma colheita, deixando a área florestal se recuperar por um período de 30 anos. Desta maneira é possível se conservar a segunda maior floresta tropical, depois da amazônica. Ao mesmo tempo, seus habitantes têm uma chance de se desenvolver economicamente. Um bom exemplo do empenho alemão no abastecimento de água potável é o Peru, onde a Alemanha vem ajudando dez cidades na construção de um gerenciamento moderno, com segurança de qualidade, planejamento financeiro e faturamento corretos. A rede de distribuição também foi melhorada, tanto que a cidade provinciana de Ayacucho conseguiu reduzir as perdas de água na rede de 60% a 46%.

A cooperação alemã para o desenvolvimento na América Latina e no Caribe está englobando na sua parceria um número cada vez maior de países emergentes. Atualmente há peritos mexicanos que, com a ajuda alemã, estão construindo na Guatemala uma rede de assessores de meio ambiente para a economia de resíduos. Este tipo de cooperação é chamado de cooperação triangular. Também se poderia dizer de outra maneira, ou seja, que, com a ajuda alemã, a América Latina está começando a ajudar a si própria.

12.08.2011
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