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MADE IN GERMANY

Polo moveleiro da Vestfália

Uma zona rural no coração da Alemanha é a mais importante porção no universo moveleiro. Sobretudo cozinhas são produzidas na região

Jürgen Bröker e Thorsten Arendt (fotos)

Bem-vindo a Löhne, a “cidade mundial das cozinhas”. Assim anunciam letras pretas sobre fundo verde, numa coluna moderna na beira da estrada, poucos metros depois da placa oficial com o nome da cidade. Um grande título para uma cidade de 40 000 habitantes na Vest­fália Oriental-Lippe (OWL), uma região rural no nordeste do Estado da Renânia do Norte-Vestfália. De fato, em 2010, foram faturados ali mais de 2,5 bilhões de euros, quase dois terços do total da indústria alemã de móveis de cozinha. A Vestfália Oriental-Lippe é assim a mais importante região na produção de móveis de cozinha. Gigantes como Nobilia, que produz 2200 cozinhas por dia, tem ali sua sede. Ou a tradicional empresa Poggenpohl, que, ao longo de seus 120 anos de história, diversas vezes criou novas tendências com suas inovações. Ou fornecedores como a firma Danielmeyer. O negócio desta média empresa são bancadas de cozinha. De suas fábricas, nas proximidades de Hameln e na matriz em Löhne, saem 1200 unidades todos os dias. “Quando mudamos, em 1990, da produção de molduras para bancadas, fazíamos 40 unidades por dia”, diz a gerente Regina Danielmeyer. Hoje, além de fabricantes de cozinhas da região, um grande grupo moveleiro sueco está entre seus clientes.

A evolução da Vestfália Oriental-Lippe como o centro moveleiro da Alemanha tem razões históricas. Dois aspectos fundamentais costumam ser mencionados: a proximidade tanto da matéria-prima quanto de grandes mercados consumidores. As florestas da Vestfália Oriental e da Sauerland forneceram, nos tempos da industrialização, madeira suficiente, e a conexão ferroviária Colônia-Minden propiciou a ligação com a região do Ruhr, que naquela época vivia uma verdadeira explosão demográfica. Hoje as autoestradas A2 e A30 são consideradas importantes vias de transporte para a indústria moveleira da Vestfália Oriental. Todavia, uma grande parte dos móveis não se destina mais ao mercado interno. A produção segue hoje para vários pontos ao redor do mundo. A Poggenpohl, por exemplo, exporta 75% de sua produção e está representada em mais de 70 países. Sua base de produção, entretanto, permanece na Vestfália Oriental. “O selo ‘Made in Germany‘ é extremamente importante no cenário interna­cional. Nós verificamos no exterior o grande valor dado à qualidade da manufatura”, diz Thomas Oberle, chefe de relações públicas da Poggenpohl. Regina Danielmeyer aprecia os caminhos curtos, os contatos pessoais com os tomadores de decisões nas empresas. “Para nós, o polo moveleiro tem um significado decisivo. Os trabalhadores têm boa formação, uma grande parte dos fornecedores está estabelecida num raio de 50 quilômetros”, diz Oberle. A Poggenpohl possui sua sede em Herford. Pode-se considerá-la a capital da indústria moveleira alemã. Importantes associações têm seus escritórios aqui. Não em Berlim.

Leo Lübke, presidente da Interlübke e da COR, senta-se atrás de sua imponente escrivaninha preta em Rheda-Wiedenbrück. O escritório fica a poucas centenas de metros da produção da Interlübke, uma espécie de “fornecedora de móveis modulares”. Lübke não gosta da identificação. A empresa da Vestfália Oriental fabrica camas, cômodas, sistemas de prateleiras, divisórias de ambientes e armários no segmento de alto valor, com claro design e em todas as cores imagináveis. Visitantes da empresa logo aprendem que branco não é exatamente branco. Os tonéis trazem rótulos de branco cristal, branco neve, branco algodão ou madrepérola. Antes que a tinta chegue às chapas de aglomerado, MDF ou compensado, estas precisam ser cortadas sob medida. Isto é feito por uma enorme máquina verde, que corta as tábuas e, em seguida, prepara as respectivas arestas, com a precisão de um milímetro. “Se a passagem entre tábua e aresta não ficar perfeita, percebe-se isto no mais tardar após a laqueação”, diz Harald Boffenmeyer. Ele guia regularmente grupos através da produção. Passos adiante, Peter Böhm, com a ajuda de uma furadora computadorizada, faz furos nas placas. Ele é especialista em perfurações. Em sua gaveta, estão quase 300 brocas diferentes. As combinações, que o design prevê, são simplesmente infinitas. O trabalho de Böhm não se vê mais tarde. Mesmo assim, ele o deixa orgulhoso. “Os clientes pagam caro por móveis com a marca Interlübke. Eles podem esperar um trabalho bem feito”, afirma Böhm.

A primeira parte da produção cheira a marcenaria. Em alguns pontos, acumula-se a fina poeira de madeira. Mais alguns passos e vernizes expulsam do ar o odor de madeira. Aqui a cor não se chama branco cristal, mas M02. Poeira não tem vez neste lugar. Com finas escovas, aspiradores e jato de ar comprimido, os funcionários a combatem. A poeira é a maior inimiga dos laqueadores. Em várias camadas, eles aplicam selador e laqueiam. “Cada grão de poeira pioraria o resultado”, diz Boffenmeyer. Para que somente placas com laqueadura da mais alta qualidade deixem a produção, Helmut Döinghaus ainda as verifica manualmente. Diariamente, ele tateia, limpa, pule e avalia até 600 chapas diferentes. Sobre ele mesmo, ele diz ser “pingelig”, uma expressão regional para “muito exato”. “Eu controlo meticulosamente para manter o padrão”, afirma o laqueador profissional.

São funcionários como Böhm e Döinghaus que fazem a diferença para Leo Lübke. Eles são confiáveis e altamente qualificados, graças às possibilidades de formação e aperfeiçoamento existentes na Vestfália Oriental, melhor do que em qualquer outro lugar. Com a escola técnica de marcenaria em Detmold, a escola de tecnologia em madeira em Beckum e as instituições de ensino superior em Paderborn e Bielefeld, sempre houve boa oferta. “Outra vantagem do polo moveleiro é a estreita rede”, afirma Lübke. Ele aprecia o contato com outras empresas do ramo. Ele aproveita os encontros periódicos – por exemplo, da associação setorial em Herford – para a troca de experiências. Por isso, produzir em outro lugar está fora de questão. Então por que ele não faz marketing tendo a região como referência? “Mas nós fazemos isto sim”, diz Leo Lübke. Só que com o nome da Alemanha. Afinal, internacionalmente, “Made in Germany” é uma mensagem mais eficiente do que “Made in Ostwestfalen-Lippe”.///

29.07.2011
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