Dietmar Hopp está exausto, sentado no gramado do estádio de futebol. Exaurido. Mas as pontas dos dedos já apontam para cima. Com a camisa azul do seu clube, ele rege o hino do clube. “Olé, olé, super TSG”. Neste dia, em maio, o TSG de Hoffenheim logrou subir para a Bundesliga, a primeira divisão do futebol alemão. Com uma série inusitada de vitórias, o “time de várzea” subiu, em menos de duas décadas, de uma das menores ligas amadoras para a classe mais alta do futebol alemão. Hopp festeja euforicamente com os “seus” rapazes. Pois Dietmar Hopp é o responsável pelo sucesso.
Quem é ele? Este homem de ação, bilionário e mecenas. Dietmar Hopp é apegado à sua terra natal, fanático por futebol e voltado para o êxito. Nasceu em Heidelberg em 1940, foi criado em Hoffenheim, povoado de 3300 habitantes entre Heidelberg e Heilbronn. Sua casa paterna existe ainda hoje, no centro do povoado. Na juventude, foi atacante do TSG. “Ele sempre arriscava tudo”, afirma um ex-companheiro de time. Os gols eram premiados com salsichas do açougueiro local. “Filho, torne-se professor”, aconselhava a mãe. “Mãe, vou ser milionário”, respondia o filho.
Ele sabe como conseguir isto: com talento, idéias e muito trabalho. Seu estudo de informática foi financiado com trabalho na colheita de rabanete, entrega de carvão e busca de escargots para restaurantes. Sua carreira profissional começou como programador da IBM. Em 1972, deu o passo decisivo. Com quatro colegas, fundou em Walldorf a empresa de software SAP. Ele acreditou no êxito e trabalhou com a meta de lançar as ações na bolsa de valores. “Depois disto, não houve mais nenhum obstáculo”, afirma Hopp. Hoje, “sua” firma é a maior fornecedora mundial de software empresarial, com mais de 50 mil empregados. E Dietmar Hopp é bilionário.
Em certo momento, pensou: “Agora chega. Minha família tem o futuro assegurado”. Pouco a pouco, ele se retira da empresa e constrói a sua “segunda vida” – sempre um homem de ação, agora mais um mecenas. Ele quer dar uma retribuição à sociedade, que lhe possibilitou tal ascensão. Assim, investiu seu dinheiro em jovens empresas de biotecnologia, que pesquisam terapias contra o câncer e o mal de Alzheimer. Com seus milhões, entretanto transferidos em grande parte para a Fundação Dietmar Hopp, ele fomenta principalmente universidades, hospitais, escolas, asilos de velhos e o esporte. Sempre com a visão voltada para a região do Reno-Neckar. “Quero ajudar ali, onde vivo e onde eu mesmo joguei futebol. Se espalhar demais a ajuda, ela se dissipa”, afirma Hopp.
Hopp construiu a SAP-Arena em Mannheim, financiou clubes de hóquei no gelo e de handebol, fundou o clube de golfe St. Leon-Rot e investiu bastante no “seu” TSG de Hoffenheim. A história do êxito começou com a doação de algumas bolas, logo seguida de um plano de ação. Ele aplicou princípios empresariais ao clube, montou estruturas profissionais, contratou os melhores treinadores, apostou nos jovens e reforçou a equipe de maneira objetiva. Com muito engajamento pessoal e muita persuasão. “Corri atrás de Ralf Rangnick durante quatro semanas”, diz Hopp. Mas conseguiu levar o treinador, que já conduzira o Schalke 04 à Liga dos Campeões, para o time do interior. Mais precisamente, da terceira divisão.
O plano deu certo. Dois anos mais tarde, o TSG de Hoffenheim participa da Bundesliga e, na primeira temporada, estréia logo como líder da tabela. Em todas as partes da região, surgem centros de treinamento para jovens. Ao lado do futebol, eles também recebem ali orientação escolar, profissional e pessoal. Em 2008, a Federação Alemã de Futebol (DFB) nomeia Hoffenheim como escola de elite do futebol. E o filósofo do futebol, Ralf Rangnick, declara que não contratará mais nenhum jogador com mais de 25 anos.
Mas o modelo não tem apenas admiradores. Freqüentemente ouve-se a comparação com pessoas que rapidamente investem milhões em seus clubes, mas desaparecem da mesma forma rápida. Isto irrita Dietmar Hopp. Pois isto não se aplica ao modelo de Hoffenheim, que é caracterizado de fato pela sustentabilidade. “Eu não entendo as pessoas que pensam, que apenas os clubes tradicionais têm o direito de existir. Se isto fosse aplicado ao setor econômico, não haveria hoje Microsoft, nem Google ou SAP”, diz Hopp.
No terraço do seu clube de golfe em St. Leon-Rot, onde também se juntam todos os demais projetos, Dietmar Hopp já planeja o futuro. Em Sinsheim, junto à auto-estrada A6, surge atualmente a Arena Reno-Neckar. Após sua conclusão no início de 2009, o estádio de futebol oferecerá lugar para cerca de 30 mil espectadores. O clube deverá tornar-se financeiramente independente no mais tardar em 2010, ano em que Dietmar Hopp deverá festejar seus 70 anos. Um presente? Não. Um plano. “Eu espero que ele se torne autônomo”. Hopp continua sendo um homem de negócios.













