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Sensibilizar as pessoas

O esporte supera fronteiras, pode oferecer novas perspectivas de vida e fortalecer a sociedade civil. Estes são bons motivos para a Promoção Internacional do Esporte.

Os jovens driblam com grandes bolas coloridas ao ritmo de tambores, na Basketball Artists School de Wind­hoek, na Namíbia. O alemão Frank Albin, perito em esporte, é quem está por trás da idéia de unir basquetebol com música africana, entusiasmando os jovens não só pelo esporte, mas também pela educação. Essa escola incentiva os jovens das town­ships, que, ao contrário, quase não teriam chance de formação. Albin foi para a Namíbia, por dois anos, para construir lá estruturas sustentáveis para esse projeto. Isto foi possível graças ao engajamento da Promoção Internacional do Esporte, do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, sendo que a Escola de Basquetebol da Namíbia é um dos seus 13 projetos de longo prazo. Entre eles estão, por exemplo, a reconstrução de estruturas de futebol e o fomento do futebol feminino para meninas no Afeganistão, a formação de técnicos de atletismo na Tanzânia, ou a assistência à Confederação de Futebol da África do Sul, SAFA.

Desenvolvimento através do esporte. Uma boa ideia, sobre cujas bases o Ministério alemão vem realizando, desde 1961, cerca de 1300 projetos de longo prazo em mais de 100 países. As organizações parceiras são a Confederação Olímpica Alemã de Esporte (DOSB), a Confederação Alemã de Futebol (DFB), a Federação Alemã de Atletismo (DLV) e a Universidade de Leip­zig. O Ministério das Relações Exteriores aplica anualmente mais de cinco milhões de euros na Promoção Internacional do Esporte.

No ano da Copa do Mundo de futebol na África do Sul e às vésperas da Copa do Mundo de futebol feminino, em 2011 na Alemanha, a cooperação esportiva se tornou um tema central especial da política alemã de cultura e educação. Sob o lema “Sensibilizar as pessoas – Superar fron­teiras“, a Promoção do Esporte pode ajudar, à sua maneira, a realização de obje­tivos de política externa. Assim se pode contribuir para a prevenção e a superação de conflitos e promover, em jovens de­mocracias e países em desenvolvimento, a construção de estruturas da sociedade civil. É aqui que o esporte de lazer é um ponto central, pois oferece a muitas crianças e jovens traumatizados de países em desenvolvimento uma possibilidade sem igual de experimentar a comunidade, de desenvolver autoconfiança e de ter uma nova perspectiva de vida.

“Graças à nossa Promoção do Esporte, as pessoas de todo mundo entram em con­tato entre si, através do esporte”, diz Werner Wnendt, vice-diretor do Departamento de Cultura e Comunicação no Ministério das Relações Exteriores. “Ao mesmo tempo, podemos contribuir muito para uma positiva imagem da Alemanha no exterior. Como quase nenhum outro campo, o esporte é um portador da imagem da nação”. As pessoas podem sentir diretamente que a Alemanha se engaja por valores que elas também experimentam no esporte, como criatividade, prazer em viver e cosmopolitismo. O ponto central da Promoção Internacional está concentrado, já há alguns anos, na África, para onde fluem cerca de 70% dos recursos e dez projetos de longo prazo são realizados lá sob direção de professores de Esporte. Wnendt elogia muito o trabalho engajado dos peritos no exterior e dos treinadores esportivos: “Eles são nossos embaixadores em moletom de esporte, por assim dizer”.

As missões desses “embaixadores” especiais são coordenadas por Katrin Merkel, chefe de repartição da Cooperação In­ternacional da DOSB. Ela e suas três colegas mantêm contato, de Frankfurt do Meno, com os treinadores e educadores alemães que, em sintonia com suas associações, viajam pelo mundo como voluntários do desenvolvimento esportivo. “Até há poucos anos, o dinheiro era suficiente apenas para dois ou três voluntários. Neste meio tempo, os recursos para os projetos de longo prazo já quase se quadruplicaram”, diz Merkel satisfeita. Reconheceu-se que, com o esporte, podem-se alcançar grandes efeitos com relativamente poucos recursos. Cerca de 3,3 milhões de euros foram empregados em 2009 para a ajuda de projetos nos respectivos países. Com outros 2 milhões de euros, o Ministério do Exterior possibilitou a formação de esportistas, treinadores e organizadores de esporte dos países emergentes e em de­senvolvimento na Alemanha. Principalmente as escolas de esporte da DFB em Hennef e Ruit, a Universidade de Leipzig e a escola de técnicos DLV-Trainerschule de Mainz oferecem programas sob medida. Em Leipzig houve, por exemplo, de março a julho de 2009, cursos em árabe para treinadores de atletismo, cursos em inglês para treinadores de esporte para deficientes, em francês para futebol e em espanhol para voleibol. Em Mainz são formados todo ano dúzias de treinadores e técnicos que também aprendem alemão em cursos intensivos.

A dupla estratégia de oferecer ajuda tanto na Alemanha como enviar peritos ao estrangeiro não se limita apenas às disciplinas puramente esportivas: “Nós nos es­forçamos em dar um impulso completo”, diz Katrin Merkel. “A qualificação do nosso quadro de peritos tem por objetivo transmitir conhecimentos tanto para o gerenciamento profissional de associações como para a organização de torneios. Queremos que as pessoas formadas por nós possam trabalhar nos seus países como assistentes e multiplicadores nos ramos esportivos”. Em todas as iniciativas da Promoção Internacional do Esporte, a sustentabilidade desempenha um papel de suma importância, sendo uma estreita cooperação com as respectivas organizações parceiras nesses países.

A cooperação com os peritos alemães em esporte tem muito boa repercussão em muitos países. Frequentemente há de­manda de projetos diretamente às em­baixadas alemãs no estrangeiro. De lá, elas são enviadas ao Ministério do Exterior em Berlim, para serem então discutidas com a DOSB. Em seguida, uma “comissão interministerial” determina anualmente quais projetos poderão ser financiados e realizados. “É claro que nem sempre tudo funciona bem”, esclarece Merkel, mencionando, como exemplo, um projeto que já tinha recebido a concessão, mas cujos parceiros de diálogo não puderam mais ser encontrados. Já aconteceu também que não se pôde oferecer ajuda, porque não se encontrou, para esse espaço de tempo, alguém do grupo alemão de peritos que falasse francês suficientemente bem. Na distribuição de projetos, também tem de se levar em conta a situação política. “Gostaríamos de fazer projetos no Iêmen e em Sri Lanka, mas a situação lá era e continua sendo instável. Somos responsáveis pela segurança dos nossos peritos. E temos que corresponder a essa responsabilidade”, explica Merkel. Ao lado da permanente comunicação com os delegados por e-mails e telefonemas, de Burkina Fasso ao Vietnã, os treinadores têm de apresentar à DOSB cada quatro meses um relatório por escrito sobre seus trabalhos. Este intenso intercâmbio seria importante, precisamente com vistas aos projetos de longo prazo, diz Merkel. “Temos de averiguar se é razoável pro­longar os projetos”.

Em alguns dos relatórios pode-se ler o entusiasmo com que os voluntários do desenvolvimento esportivo falam da sua tarefa. Um exemplo é Maren Graef, perita em voleibol e antes docente na Deutsche Sporthochschule de Colônia, que se expressa sobre um bem-sucedido projeto de voleibol que ela dirigiu com crianças da escola primária em Camarões: “Voleibol fica sendo apenas um meio, pois se aprendem conteúdos completamente diferentes, como ser honesto, justo, querer alcançar um objetivo e conhecer caminhos que ajudem a encontrar uma solução para uma situação precária, fazer perguntas, reivindicar respostas, desenvolver planos para o futuro. Nisto estava o próprio significado do projeto”.//

12.03.2010
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