Domingo, 12/02/2012 23:17
 
 

Atualidade

Pedra fundamental da união monetária na UE

Com um breve ato festivo na cidade holandesa Maastricht, começou há 20 anos um novo capítulo na história da cooperação...mais

© dpa

Atualidade

Economia

Grupo do euro faz mais exigências ao governo grego  

Cultura e Estilo

Whitney Houston encontrada morta em Los Angeles  

Cultura e Estilo

Convenção da Unesco sobre Patrimônio da Humanidade completa 40 anos  

Perfil

Espaço livre de Berlim para as artes

O programa berlinense do DAAD para artistas convida todo ano à capital alemã cerca de 20 artistas do mundo todo. Entre...mais

Eventos

Edvard Munch

A visão modernamais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Caroline Link, ganhadora do Oscar

Mestra dos ­momentos serenos

A diretora de maior êxito da Alemanha filma sem seguir o mainstream: Caroline Link aventura-se por histórias difíceis – e entusiasma um público de milhões

Rainer Stumpf

Há algo que ela considera terrivelmente entediante, disse Caroline Link certa vez: os longas-metragens da Alemanha. Eles são feitos freqüentemente para adolescentes, não alcançam o público adulto. Indagada hoje sobre isto, ela contemporiza. “Isto realmente mudou”, afirma a cineasta de 44 anos. O cinema alemão transformou-se inteiramente. A própria diretora muniquense contribuiu para isto. Já o seu primeiro filme, “A Música e o Silêncio”, a história comovente de uma filha com talento musical e seus pais surdos-mudos, foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 2003, ela ganhou então o troféu com “Em Nenhum Lugar da África”. Somente na Alemanha, Link comoveu seis milhões de pessoas com seus filmes serenos – cinema com sentido profundo. E garantidamente sem tédio.

“O cinema alemão é cheio de variedade”

Sra. Link, cinco anos depois de ganhar o ­Oscar com “Em Nenhum Lugar da África”, ­está sendo lançado agora o seu novo filme “Im Winter ein Jahr” (“No Inverno há um Ano”). Como é a pressão das expectativas, após ­ganhar o Oscar?
Eu mesmo me pressionei, pensando que é preciso tirar algum proveito deste Oscar. E rodar um filme nos Estados Unidos realmente me interessou. Havia dois projetos americanos, ambos fracassaram finalmente em razão das difíceis negociações com os atores. De qualquer forma, teria sido também difícil para mim, ficar muito tempo separada do meu filho, que nasceu pouco antes da entrega do Oscar. Um bebê e o Oscar realmente não combinam muito bem. Eu tento não esquentar a cabeça a respeito do possível sucesso de “Im Winter ein Jahr”. Depois de três filmes, cada um com quase dois milhões de espectadores, pode-se arriscar alguma coisa, penso eu.

“Im Winter ein Jahr” deveria também ter sido produzido nos EUA?
Sim, uma empresa americana de produção me pediu para escrever um roteiro baseado no ­romance “Aftermath”, de Scott Campbell. Eu pretendia rodar o filme na costa leste dos EUA. No início, tudo correu muito bem. A cooperação com os produtores americanos foi pouco convencional e muito aberta. As dificuldades começaram com a contratação do elenco. Sem grandes astros, praticamente não há dinheiro para projetos ambiciosos. Um grande nome ­garante certo êxito comercial. As agências e empresários dos atores têm, por isto, um ­enorme poder. Num determinado momento, perdi a paciência e, na primavera de 2006, decidi rodar o filme na Alemanha. Aqui, tudo correu bastante rápido. Afinal, também existem muitos excelentes atores e atrizes alemães. Trabalhar com Karoline Herfurth, Josef Bierbichler ou Corinna Harfouch foi uma experiência extraordinária.

Apesar disto, ficou imaginando às vezes ­como seria o filme, se tivesse sido produzido no exterior?
Não, até agora eu não lamentei um só momento que o filme não tenha sido rodado nos Estados Unidos. Mas quando ficou claro que eu faria o filme na Alemanha, tive que fazer determinadas mudanças no roteiro. A ação de “Im Winter ein Jahr” transcorre na Baviera e não nos EUA, como no romance. Isto está ligado sobretudo ao fato de o papel principal do pintor ter sido assumido por Josef Bierbichler, que é natural da Baviera. Com a sua aceitação do papel, foi solucionada para mim a questão de localização da ação. Ele foi o primeiro candidato que me ocorreu para o papel. Eu lhe enviei o roteiro original, mas ele não quis lê-lo em inglês, pois era de opinião que não poderia avaliar corretamente os diálogos. A partir daí, eu lhe enviei diversos pacotinhos com 20, 30 páginas traduzidas. Finalmente, ele se convenceu do projeto. Aqui se pode telefonar diretamente para o ator e conversar com ele sobre como lhe agradou o roteiro.

O tema família e raízes familiares sempre ­volta a ser abordado nos seus filmes. ­Quanto aspecto autobiográfico existe no seu roteiro?
Meu pai faleceu há três anos. De repente, o tema morte tomou conta da minha vida. No romance de Campbell trata-se de uma família, que é confrontada com a morte do filho e irmão. Por isto, talvez, senti-me tão atraída por esta história. Foi muito confortante, tratar do tema neste nível. Por esta razão também, a minha nova produção é, antes de tudo, um filme tranqüilo, que vive da contracena dos atores. O espectador tem de submergir nos personagens, no clima das imagens. Trata-se de olhares, de atmosfera. Não há um enredo no qual tudo está baseado e que sustenta a história.

Este tipo de filme é típico do cinema “made in Germany”?
Não, hoje todo tipo de filme é rodado na Alemanha. Veja o exemplo atual de “Der Baader-Mein­hof-Komplex”, que está nomeado para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro. Ele realmente não é nenhum filme tranqüilo. São produzidas comédias de sucesso, há bons dramas, filmes de ação. Há muito não havia uma variedade tão grande no cinema alemão. Por isto não se pode dizer que os filmes alemães são assim ou assado. Não creio que diretores como Til Schweiger, Uli Edel ou Christian Petzold queiram ser comparados. Eu vejo “Im Winter ein Jahr” antes dentro da tradição do cinema europeu, de dar tempo à narração de uma história e, dramaturgicamente, não desenvolvê-la tanto de acordo com um modelo predeterminado. Os cineastas europeus confiam em que as histórias, que não se prendem a um enredo, também funcionem emocionalmente e quanto à atmosfera. Nos EUA, os diretores e produtores fazem os filmes sobretudo de acordo com receitas de êxito garantido.

Esta variedade dos filmes é o motivo do grande interesse internacional pelas produções alemãs? Também “Im Winter ein Jahr” teve a sua pré-estréia no exterior, no Festival de ­Cinema em Toronto.
Filmes como “A Vida dos Outros”, de Florian Henckel von Donnersmarck recebidos com grande atenção no exterior. Sabe-se entretanto que na Alemanha são feitos filmes que logram combinar muito bem ambição e entretenimento. Eles funcionam do ponto de vista emocional e apresentam um alto nível artístico.

Quando é que o público cinematográfico ­poderá assistir a seu próximo filme?
Com certeza, não será de novo após uma pausa de cinco anos. Agora já não tenho mais um pequeno bebê em casa. Agora não há mais nenhum empecilho para rodar minha próxima produção em dois, três anos. Já tenho ofertas interessantes sobre a minha escrivaninha, mas ainda não há nada decidido. Uma delas seria ­rodada nos EUA. Vamos ver, pode ser que ainda faça meu filme nos Estados Unidos. De ­preferência, quando ninguém mais esperar isto de mim.

12.11.2008
Bookmarks
| |

Videos

Get the Flash Player to see this player.

Mudança do modelo energético na Alemanha

YouTube Deutschland Channel

Deutschland Channel YouTube

PDF Especial

mais