Domingo, 27/05/2012 07:57
 
 

Atualidade

Viagem pela música e a cultura da África

Confira a alegria de viver dos africanos: astros da música de Cabo Verde e do Senegal estarão este ano em destaque nos...mais

© Thomas Dorn

Atualidade

Economia

Presidente do banco do Vaticano é afastado do cargo  

Cultura e Estilo

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial  

Cultura e Estilo

Dresden comemora 500 anos da pintura "Madona Sistina"  

Perfil

Vizinhança ecológica

Adriana López, da Colômbia, desenvolve em Bonn, na Universidade das Nações Unidas, modelos para melhorar ecologicamente...mais

Eventos

Vida em quadrinhos

Uma viagem de descobrimento ao mundo dos super-heróis. O museu Europäische Kulturen...mais

Link

Alemanja

PORTAL ALEMÃO PARA A LUSOFONIAmais

Bookmarks
| |

Mídia

Jo Groebel

A Alemanha é tida como país dos livros, dos pensamentos profundos e da mídia exigente em termos de conteúdo. Mas a Alemanha também se tornou o país dos “DJs e das telenovelas”. A música e os seriados da tevê, os sucessos de bilheteria no cinema e os tablóides são tão importantes na cultura popular na Alemanha como em outros países. E também como a cultura alemã de elite, dos autores, do teatro ou da ópera. Existem naturalmente na Alemanha especificidades da mídia. Disso faz parte o primado da soberania federalista nas áreas da cultura e radiodifusão e a coexistência da mídia privada e a do direito público, o que, internacionalmente, não é considerado comum. Em termos de liberdade de imprensa e de opinião, a Alemanha ocupa um bom lugar nos rankings internacionais. O pluralismo de opinião é garantido e existe o pluralismo de informação. A imprensa não se encontra nas mãos do governo ou de partidos, mas sim de atores sociais. Há mais de meio século a liberdade de imprensa e de opinião é um bem protegido pela Constituição, expresso no Artigo 5 da Lei Fundamental: “Todos têm o direito de expressar e divulgar livremente o seu pensamento, por meio da palavra, por escrito e pela imagem, bem como de se informar, sem impedimentos, em fontes de acesso geral. (...) Não será exercida censura.”

A estrutura da mídia alemã pode ser explicada em termos gerais através das condições específicas da história alemã recente. Por um lado, os últimos séculos foram de grande turbulência para o país. Muitas idéias para as transformações sociais surgiram na Alemanha: o Iluminismo, o comunismo, o modernismo. Revoluções em intervalos de menos de trinta anos – a democratização, a I Guerra Mundial, a Repúbllica de Weimar, o III Reich e a II Guerra Mundial, o Conflito Leste-Oeste e a Guerra Fria, a revolta estudantil e a Reunificação estiveram sempre ligados a um aspecto da mídia, ou seriam mesmo impensáveis sem o surgimento dos meios de comunicação de massa no século XIX. A liberdade de expressão e a igualdade de direitos foram difundidas através de livros e da imprensa atual.

O cenário da imprensa

Com o livro, o jornal e a revista existe há mais de 500 anos um meio que mesmo sofrendo modernizações constantes em termos de conteúdo, forma e maneira de divulgação, continua em sua estrutura básica relativamente igual, apesar do aparecimento de novos meios de comunicação social. A imprensa continua sendo um símbolo da análise aprofundada e da reportagem investigativa, da abordagem de temas e da avaliação. Com o enfraquecimento das convicções ideológicas na dicotomia tradicional de direita e esquerda, arraigadas na sociedade alemã, desapareceu também uma classificação política simplista da imprensa. O mercado editorial na Alemanha é caracterizado por uma grande variedade de títulos e diferenciação regional. Existem 333 diários locais e 10 supra-regionais, ao lado de dez jornais de alta qualidade há 9 de grande vendagem, que se dedicam mais às reportagens sensacionalistas. Nessa categoria, o tablóide de grande influência Bild (Editora Axel Springer), com uma tiragem de 3,6 milhões de exemplares diários, ocupa um lugar excepcional como único de circulação supra-regional. A tiragem de todos os 350 diários alemães alcança quase 24 milhões. O financiamento da imprensa diária tradicional encontra-se sob pressão. As gerações mais jovens lêem menos jornais, o volume dos anúncios classificados diminuiu, as informações são buscadas atualmente mais na internet, que se tornou um veículo fundamental para quase todas as faixas etárias. Cerca de dois terços dos alemães estão hoje on-line, o que corresponde a 48,7 milhões de pessoas acima de 10 anos. Mesmo assim a proporção de jornais vendidos é de um por cada três adultos, o número de leitores é bem maior. Alguns títulos são considerados política e culturalmente muito influentes, como no caso dos jornais supra-regionais Frankfurter Allgemeine Zeitung, do Süddeutsche Zeitung e do tradicional semanário Die Zeit.

Ao lado das tradicionais revistas populares concebidas para o grande público surgiram cada vez mais publicações voltadas para segmentos específicos. Juntos, os 23 mil títulos do setor das revistas populares alcançam uma tiragem de mais de 120 milhões de exemplares. Dentre os mais lidos encontram-se Stern, Focus e Spiegel, magazines que têm participação ativa nas discussões travadas na sociedade ou já foram alvo de importantes debates. A revista Der Spiegel se destaca como o magazine político com a maior repercussão a longo prazo de uma publicação semanal. As maiores editoras de revistas populares são Heinrich Bauer Verlag, Axel Springer Verlag, Burda e Gruner+Jahr do grupo Bertelsmann. Springer e Bertelsmann são ao mesmo tempo empresas de mídia que faturam bilhões de euros nos setores de rádio, televisão e internet e desencadearam uma grande discussão acerca da concentração da opinião nos meios de comunicação de massa.

A internet e os conteúdos gerados pelo utilizador

O panorama da mídia na Alemanha, como na maioria dos países do mundo, encontra-se diante de alguns desafios fundamentais decorrentes da internet e da comunicação móvel. Por um lado, a chamada convergência tecnológica, ou seja, telefonia, acesso a internet, vídeo, música e televisão através de um só aparelho, tornou-se realidade. Por outro, as fronteiras entre comunicação sob medida e de massa, isto é, adequada a um indivíduo e a voltada para todos, estão desaparecendo.Os produtos profissionais tradicionais da imprensa, do rádio e da televisão ainda determinam a maioria dos conteúdos atraentes da mídia. Mas, sobretudo as gerações mais jovens, utilizam cada vez mais as comunidades virtuais, por exemplo os blogs, que servem de fonte de informações ao lado da mídia tradicional. Segundo a blog chart alemã, os blogs com o maior número de links na Alemanha até o final de 2007eram os sites Basicthinking.de, bildblog.de (um blog de críticas ao tablóide Bild) e spreeblick.com. Atualmente, a maioria dos utilizadores ativos de blog afirmam que consideram estas fontes de informação mais fidedignas que o jornalismo convencional. Em conseqüência, surgem em muitas empresas de mídia alemãs tipos de oferta que unem o trabalho redacional tradicionalmente bem fundamentado em termos técnicos e baseado na confiança com o chamado conteúdo gerado pelo utilizador, para formar um novo produto. Dessa forma, conserva-se pelo menos na melhor das hipóteses o padrão profissional da mídia alemã, combinado aos elementos “democráticos” e espontâneos de uma produção de mídia vinda do próprio público. Sob o manto da expressão “Alemanha digital” transforma-se não somente o cenário da comunicação, mas também a participação política, a cultura e a economia do país, influenciada pela digitalização, tornam-se mais estreitamente ligadas ao desenvolvimento internacional atual.

O cenário da radiodifusão

A riqueza da paisagem da mídia alemã é complementada pelo rádio e pela televisão. Iniciado na década de 20 (rádio) e de 50 (televisão) como programa de direito público, a partir do fim da década de 80 desenvolveu-se um largo espectro do sistema dual das emissoras de direito público e das emissoras privadas. Hoje concorrem 460 emissoras de rádio, na maioria locais e regionais, sendo 75 emissoras de direito público e 385 comerciais. O rádio passou em sua história por uma transformação nas suas funções. Depois do surgimento da televisão, ele se desenvolveu como um meio paralelo, alcançando um valor mais ou menos igual no tempo de utilização que o da televisão.O cenário da televisão está estruturado de maneira dual, supra-regional e regional e em canais gerais e temáticos. Em termos europeus e internacionais, a Alemanha possui algumas das maiores emissoras de direito público (ARD e ZDF) e comerciais (RTL, Sat1, ProSieben). De acordo com a plataforma (terrestre, satélite, cabo, banda larga, móvel) e com a recepção analógica ou digital, os usuários podem acessar mais de 20 programas diferentes das emissoras de direito público, entre eles os canais nacionais principais ARD e ZDF, bem como as produções regionais que são transmitidas a nível nacional, como WDR, MDR, BR e canais especiais, como o de documentações Phoenix ou o canal infantil KIKA. Existem ainda mais três ofertas internacionais: a emissora internacional Deutsche Welle, o canal franco-alemão arte e o canal cultural teuto-austríaco-suíço 3sat. A estratégia digital das emissoras ARD e ZDF visa ainda à televisão sob demanda (mediateca) e novas ofertas on-line e móvel. Nisso há sempre a ameaça de um conflito com as emissoras comerciais, que temem uma distorção da concorrência através da influência demasiada das emissoras “subsidiadas”

10.11.2009
Bookmarks
| |