Tudo começou com bolsas de estudos e convites ocasionais a cientistas alemães para lecionar no Brasil. Hoje, mais de 20 anos depois, inúmeros exemplos comprovam o vivo intercâmbio entre os pesquisadores de ambos os países. Especialistas do Instituto Max Planck estudam com seus colegas brasileiros a ação recíproca entre a atmosfera e a biosfera. Cientistas da universidade de Pernambuco, em Recife, e da Universidade Técnica de Kaiserslautern busca conjuntamente as causas da dramática procriação das saúvas às margens da floresta equatorial. E os cientistas do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental estudam com pesquisadores
brasileiros as possibilidades de atender, também no futuro, à crescente demanda de água potável no Distrito Federal brasileiro.
“O interesse pelo intercâmbio é muito grande”, afirma a Dra. Irma de Melo-Reiners, diretora-gerente do Centro Universitário Bávaro para a América Latina (BAYLAT) na Universität Erlangen-Nürnberg. Atualmente, 242 cooperações entre universidades alemãs e brasileiras estão registradas no chamado “Hochschulkompass” da Conferência dos Reitores Universitários (HRK). Com o Ano Alemão-Brasileiro de Ciência, Tecnologia e Inovação 2010/2011, a cooperação entre os dois países devem ser ainda mais fortalecida. “O Brasil é o parceiro mais importante da Alemanha no setor da pesquisa”, afirma Michael Eschweiler, chefe do departamento responsável pelo Brasil no Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD). Em primeiro lugar, pelo tamanho do país. “Em segundo lugar, a ciência brasileira deu um grande passo à frente”. As universidades brasileiras são muito boas, confirma também a chefe do departamento da América Latina no HRK, Iris Danowski. “Todas as cooperações são realizadas em nível de igualdade”. O Ministério da Educação do Brasil e seu órgão CAPES oferecem uma série de bons programas para os jovens cientistas. Juntamente com o DAAD foram criados, por exemplo, o PROBRAL, que fomenta a cooperação entre grupos de pesquisadores, e o UNIBRAL, que trata da cooperação no ensino. Com um nova iniciativa do DAAD e da CAPES são fomentados de forma especial, desde 2009, os cursos universitários duplos (UNIBRAL II) e os doutorados duplos (PROBRAL II).
No total, cerca de 24 mil jovens brasileiros vão todo ano estudar no exterior. A motivação principal é obter um título internacional no currículo. A Alemanha está em quinto lugar entre os países prediletos de intercâmbio, depois dos EUA, França, Portugal e Espanha. A boa fama científica, especialmente nas disciplinas técnicas, atrai os estudantes brasileiros, da mesma forma como a ligação prática do ensino, o bom equipamento das universidades e o acesso às tecnologias mais modernas. “Em muitos setores, a Alemanha tem uma clara vantagem de conhecimentos, principalmente nas energias renováveis ou nas ciências da engenharia”, afirma Eschweiler. Além disto, as taxas universitárias são relativamente baixas, em comparação com os EUA. Quem estuda na Alemanha, ganha logo um ponto positivo na sua carreira profissional. Pois também na área econômica, o Brasil é o mais importante parceiro da Alemanha na América do Sul. Cerca de 1200 empresas alemãs estão presentes no Brasil.
Segundo o Departamento Federal de Estatísticas, 2089 estudantes brasileiros estavam matriculados em universidades alemãs, no semestre de inverno 2008/09. Os grupos prediletos de cursos são os de Direito, Economia e Ciências Sociais (592 estudantes), seguidos pelos de Engenharia (462) e os de Linguística e de Ciências Culturais (420). “Registramos um aumento constante na demanda de bolsas de estudo”, segundo Eschweiler. A demanda aumenta e, da mesma forma, a oferta: há mais de 20 anos, por exemplo, a Westfälische Wilhelms-Universität (WWU), de Münster, coopera com universidades no Brasil. Atualmente, existem mais de 20 cooperações, um recém criado Centro do Brasil deverá coordenar as inúmeras cooperações. “Toda a nossa oferta de cursos universitários está à disposição dos estudantes brasileiros”, afirma Brigitte Nussbaum, porta-voz da universidade. No momento, a universidade está criando uma representação no Brasil, que deverá servir também como escritório de contato para outras universidades alemãs.
Por sua vez, a Universität Stuttgart criou junto com parceiros, em Curitiba, um curso de Master em Proteção Ambiental nas comunidades e nas indústrias, que foi classificado como “excelente” pelo DAAD. Os especialistas brasileiros em meio ambiente são formados ali, segundo os padrões alemães. O plano do curso prevê que as disciplinas obrigatórias sejam ensinadas principalmente por docentes brasileiros e, então, as áreas de aprofundamento são oferecidas conjuntamente com os docentes de Stuttgart. Os trabalhos finais de Master são preparados na prática industrial. Até agora, estão matriculados 40 alunos, com tendência a aumentar. “Os estudantes que, paralelamente aos estudos, quase sempre trabalham numa empresa, por exemplo, na Volkswagen, Mercedes ou Siemens, são enviados por ela para a Alemanha. As firmas também pagam as taxas universitárias. Em retribuição, os formandos devem difundir seus conhecimentos na empresa”, afirma Uwe Menzel, o professor responsável pelo curso. “Nota-se que os estudantes já possuem experiência profissional. Eles não apenas aprendem muito bem, mas também fazem perguntas muito objetivas”, diz Menzel. Como próximo passo, será solicitado em Stuttgart um curso de doutorado com ofertas correspondentes de pesquisa.
Também a Associação dos Engenheiros Alemães planeja criar uma universidade em São Paulo para a formação de engenheiros, a fim de cobrir a demanda crescente de profissionais do setor em ambos os países. Somente a companhia petrolífera brasileira Petrobrás necessitará, até 2015, de cerca de 15 mil engenheiros. Porém, é muito elevada a quota de desistência entre os estudantes do setor. Somente 20% concluem os seus estudos. Através da sua participação já na fase inicial de fundação, a orientação da nova universidade deverá ser adaptada de forma especial às necessidades das empresas de origem alemã, sediadas no Brasil.













