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Bonn

Secretariado do Clima

No Secretariado do Clima das Nações Unidas, em Bonn, 350 especialistas internacionais trabalham contra a mudança global do clima. Com muito engajamento, eles analisam dados, preparam minutas de acordos e organizam conferências. Há cada vez mais o que fazer.

Walter Schmidt

Faz calor na mansão Haus Carstanjen, um calor desagradável. O ar pesado gera a sensação de que já seriam realidade os piores prognósticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Segundo ele, a temperatura da camada atmosférica terrestre poderia aumentar em 6,7 graus centígrados até 2100. Na sede do Secretariado do Clima das Nações Unidas, em Bonn, a atmosfera sufocante decorre somente do fato de ser um tempestuoso dia de verão. Além disto, centenas de computadores aquecem os escritórios. Os 400 funcionários do Secretariado do Clima têm de abrir mão do ar condi­cionado, que consome muita energia. Mas não é por um gesto nobre. “É que o prédio simplesmente não tem ar condicionado”, afirma John Hay, o porta-voz do Secretariado, que tem as cidadanias alemã e britânica.

Ele e seus colegas aliviam-se abrindo as janelas para que haja corrente de ar. Isto é incômodo, mas o suor é uma advertência sobre o sentido da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC): tampouco a Terra dispõe de instrumentos que possam manter a temperatura da sua atmosfera no nível atual de 15 graus centígrados. Para os demais 350 funcionários da ONU em Bonn, distribuídos em 18 outros secretariados e escritórios, a situação é melhor. Eles trabalham agora no antigo prédio de escritórios dos deputados, apelidado de “Langer Eugen” no ex-bairro governamental de Bonn. No mais tardar em 2011, o Secre­tariado do Clima também deverá mudar­-se para lá, para o chamado “Campus da ONU”.

Os planejadores têm de considerar que a equipe dos defensores do clima, provenientes de mais de 60 países, deverá tor­nar-se ainda maior. “Até 2011, deverão ser 500 funcionários”, afirma Hay. Uma consequência do fato de que a proteção do clima domina cada vez mais a agenda política e o Secretariado da ONU, responsável pelo setor, processa cada vez dados, tem de preparar textos de convenção e conferências – quase todo dia há uma, em alguma parte do mundo. Um departamento comandado pela sudanesa Salwa Dallalah é responsável pelas conferências.

O início foi extremamente modesto. Hay leva os visitantes, às vezes, ao Salão Marshall no “Castelo”, a parte mais da Haus Carstanjen, construída em 1892. Ali se reuniam, de 1949 até 1953, os funcionários do Ministério Federal para Questões do Plano Marshall, ou seja, o programa de reconstrução da Europa, financiado pelos EUA. “Quando o Secretariado do Clima foi transferido de Genebra para Bonn, em 1996, todos os seus 16 funcionários tinham espaço de sobra aqui”, diz Hay em tom brincalhão. Hoje, o salão não caberia nem um quarto dos funcionários.

Entre os funcionários há muitos advogados, que formulam os textos de acordos, além de físicos e matemáticos, que podem analisar a montanha de dados recebidos, tirando conclusões se as medidas adotadas com o Protocolo de Kyoto para a redução do dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa realmente têm o efeito de preservação do clima. A eles juntam-se engenheiros que apoiam países e empresas nos projetos denominados CDM (Clean Development Mechanism), um importante instrumento para a implantação dos planos internacionais de proteção do clima. Com tais projetos, os países signatários do Protocolo de Kyoto podem implantar as medidas compulsórias de proteção do clima, ajudando os países em desenvolvimento, ao mesmo tempo, a se desenvolverem de forma sustentável. Até o final de agosto de 2009, o Secretariado do Clima registrou quase 1800 projetos CDM em 57 países. Deles, 622 na China e 450 na Índia. Três quartos dos projetos tratam da geração de energia. “O programa é entrementes muito popular”, alegra-se David Abbass, responsável pelos projetos CDM no Secretariado do Clima.

Uma parte do seu trabalho é explicar como o pacote de medidas funciona: reduzir as emissões onde for mais favorável, “pois para a Terra é indiferente onde isto ocorre”, afirma o canadense. Decisivo é “que os efeitos logrados sejam mensuráveis e adicionais”. Por exemplo, que uma instalação de lixo na África, construída por uma empresa alemã, não teria sido criada num prazo previsível sem o projeto CDM. Isto é avaliado por escritórios de consultores credenciados para tal. A prova do efeito adicional de defesa do clima é indispensável, pois a empresa em questão recebe pelo seu projeto um certificado reconhecido, uma espécie de direito de emissão, que pode ser vendido pela respectiva cotação do dia.

Mas não apenas as empresas podem comprar certificados na bolsa de emissões, também os países que segundo o Protocolo de Kyoto têm de reduzir as suas emissões de gases nocivos ao clima. “Tais países podem adquirir as “Certified Emission Reductions” (CER) e cumprir assim uma parte das suas obrigações de redução”, esclarece Abbass a ideia central do programa. Mas, de qualquer maneira, eles têm também de reduzir as próprias emissões nocivas ao clima. Tudo isto é complicado, quando se entra em detalhes, por isto, o Secretariado do Clima tem a tarefa de ajudar os países a inventariar suas emissões de poluentes.

Infelizmente, são parcos os progressos nas negociações sobre o clima. Isto demonstra também os preparativos para a grande conferência do clima em Copenhague, em dezembro de 2009, onde terá de se lograr um acordo sobre novas medidas de proteção do clima, sucedendo ao acordo de Kyoto, que caduca em 2012. No Salão Marshall, na Haus Carstanjen, está pendurado um cartaz, com o qual se fez propaganda, na época, para a reconstrução econômica da Europa. O cartaz parece quase uma profecia em relação ao Secretariado do Clima. Nele vê-se um cata-vento típico das fazendas americanas. Cada uma das 16 pás do rotor está decorada com a bandeira de um país europeu. Abaixo está escrito em inglês: “Seja o tempo que for – o bem-estar só logramos conjuntamente”. Também os defensores do clima poderiam fazer propaganda da sua causa com os mesmos dizeres. Só que o cata-vento teria de ter quase 200 pás – uma para cada país da Terra.

31.08.2009
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