Aqui surge um prédio de fábrica ao lado do outro, galpões simples, retangulares, de arquitetura banal, mas que abrigam algo de sensacional: Thalheim, um bairro de Bitterfeld-Wolfen na Saxônia-Anhalt, tornou-se um pólo da indústria solar alemã. Quase tudo aqui gira em torno da Q-Cells AG, o maior fabricante mundial de células solares. A empresa teve uma expansão extraordinariamente rápida: fundada no ano de 1999, já tinha mais de 1700 empregados no final de 2007. E continua crescendo de forma ultra veloz. Ao longo de uma via denominada de Sonnenallee (Alameda do Sol), estão outras firmas ligadas à energia solar, subsidiárias da Q-Cells em sua maioria. Há a EverQ GmbH, que produz células de silício com uma nova técnica: neste caso, os chamados wafer, chapinhas das quais são feitas as células, não são serradas de um bloco maciço, mas sim produzidos a partir da massa fundida. EverQ foi fundada no início de 2005 e já possui mais de 1000 empregados. Em breve, deverão ser 1500.
A Calyxo GmbH é, em 95%, uma subsidiária da Q-Cells, e também está sediada em Thalheim. Ela produz células solares de filme fino. Mais adiante encontra-se a Solibro GmbH, com 67,5% de participação da Q-Cells, que produz células solares de cobre, índio, gálio e selênio, chamadas de células CIGS. Também sediada na Sonnenallee está a CSG Solar AG que, por sua vez, pertence em 21,7% à Q-Cells. Também ela é uma empresa jovem, fundada há quatro anos.
O número de empregados no ramo da energia solar em Thalheim já soma 4 mil e deverá continuar aumentando rapidamente: “Até 2012, mais de dez mil pessoas deverão ter ocupação na indústria solar da região”, afirmam as autoridades estaduais da Saxônia-Anhalt. Há muito que o setor da energia solar transforma-se “num ramo industrial de peso, do qual a economia em seu todo pode tirar um proveito duradouro”, afirma Reiner Haseloff, ministro da Economia em Magdeburg. Afinal, a metade das células solares produzidas na Alemanha vem hoje da Saxônia-Anhalt.
Isto decorre principalmente de dois fatores. Por um lado, Bitterfeld-Wolfen é um antigo pólo químico e dispõe de vastas áreas industriais. Em segundo lugar, as firmas que ali se estabelecem, recebem subsídios também da União Européia. Nos anos de 2007 até 2013, Bruxelas põe 3,39 bilhões de euros à disposição da Saxônia-Anhalt, no âmbito do Fundo Estrutural Europeu. Um fomento de até 50% dos investimentos iniciais é inteiramente viável para as empresas.
Outros pólos da energia solar no Leste alemão são Freiberg, na Saxônia, onde somente a Deutsche Solar do conglomerado SolarWorld dá emprego a 750 pessoas, e Erfurt na Turíngia, onde o centro da indústria solar é a firma Ersol. Entretanto, a cooperação entre 27 empresas solares e 12 instituições de pesquisa da Saxônia, da Saxônia-Anhalt e da Turíngia forma um “cluster de ponta” da energia solar. Somente em 2007, foram provenientes da região central da Alemanha 18% de toda a produção mundial de células solares. O Ministério Federal da Pesquisa pôs agora à disposição deste “Solar Valley” centro-alemão 200 milhões de euros em verbas adicionais de fomento.
Mas não apenas a indústria solar impõe sua marca aos Estados do Leste alemão. Também a energia eólica está muito presente na região – tanto no que diz respeito ao seu aproveitamento, como na produção de instalações. Com uma capacidade de geração de mais de 3 500 megawatts de eletricidade com a força eólica, Brandemburgo está em segundo lugar entre os Estados alemães, logo após a Baixa Saxônia. Entre os Estados federados, é a Saxônia-Anhalt que tem a maior cota de energia eólica no suprimento de eletricidade: consideráveis 42%. Inúmeras empresas da indústria eólica também se estabeleceram entretanto no Leste alemão. Por exemplo, em Rostock na costa do Mar Báltico, está localizada a produção da Nordex, construtora de instalações de energia eólica. E também lá, há expectativa de novo crescimento: até o ano 2010, a capacidade anual de produção deverá aumentar dos atuais 850 megawatts para 2000 megawatts.
Além disto, o Mar Báltico oferece grandes chances econômicas para a região como área de instalações eólicas offshore. Atualmente, no Departamento Federal de Navegação Marítima e Hidrografia (BSH), estão em andamento processos de autorização para a construção de seis instalações offshore de energia eólica. Diversas outras instalações já foram autorizadas. O primeiro parque eólico deverá ser construído numa região marítima com profundidade de apenas 20 a 40 metros, no sul do Mar Báltico. Nesta região, a 30 quilômetros da ilha de Rügen, deverão ser montados 80 cata-ventos. O segundo parque já autorizado, fora da zona de 12 milhas marítimas, a cerca de 35 quilômetros a nordeste de Rügen, terá o nome de “Arkona Becken Südost” e compreenderá outras 80 instalações. E não longe dali, foi autorizado um terceiro parque, denominado “Ventotec Ost 2”, que também terá 80 cata-ventos. Para este projeto, foi autorizado pela primeira vez um fundamento offshore flutuante.













