Temas do futuro como clima e água sensibilizam tanto brasileiros quanto alemães. Atualmente, pesquisadores de ambos os países cooperam em dois destacados projetos nestas áreas. Um deles desenrola-se na região do Amazonas, onde pesquisadores querem erguer uma torre de medições com 300 metros de altura em meio à floresta equatorial. Acima das copas das árvores, os especialistas desejam coletar gases residuais, partículas de poeira e dados climáticos. “Uma torre, assim como a que estamos construindo, não existe ainda na América do Sul”, diz o professor Jürgen Kesselmeier, do Max-Planck-Institut de Química, em Mainz. Se tudo correr bem, as medições serão realizadas durante 30 anos. Em conjunto espera-se descobrir qual o papel da floresta equatorial no clima. Como funciona a autolimpeza da atmosfera nos trópicos? Como os gases do efeito estufa, dióxido de carbono e metano, distribuem-se e transformam-se sobre a floresta equatorial? Que partículas se formam sob condições naturais ou em decorrência de queimadas na floresta? São questões tratadas pelo projeto. A torre irá complementar os trabalhos de medições já existentes no solo ou realizados por aviões e o controle dos dados de satélites.
“Imagine uma construção de aço inoxidável parecida com um andaime”, diz Kesselmeier. A superfície mede três metros por quatro. Tal como uma torre de rádio, a obra deverá ser fixada lateralmente com cabos de aço. O Amazon Tall Tower Observatory (ATTO) deverá juntar-se a três outras torres situadas próximas ao escritório da Sociedade Max Planck, fundado na região em 1969. As velhas torres não chegam a 60 metros de altura. Suas medições são hoje contaminadas pela proximidade com a cidade de Manaus. Para instalar o ATTO, buscou-se uma localização mais distante, 150 quilômetros a nordeste de Manaus. O acesso ao local da obra deverá ser aberto ainda neste ano de 2010, para que os fundamentos possam ser construídos em 2011. Entretanto, não está descartado um atraso de um ano, pois a obra só é possível durante o período anual de seca. O projeto é financiado em partes iguais pelos ministérios de Ciência e Pesquisa de ambos os países. Do lado brasileiro, o parceiro científico é o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A cooperação com os pesquisadores brasileiros é fundamental, afirma Kesselmeier. “Nossos interesses científicos são correspondentes e o intercâmbio de dados funciona maravilhosamente”.
O projeto IWAS Água DF não tem a ver com floresta, mas com uma cidade. O abastecimento de água no Distrito Federal, ao redor de Brasília, precisa ser adequado ao futuro. Desde 2008, um consórcio de parceiros alemães e brasileiros pesquisa uma solução. Em Brasília, vivem hoje 2,5 milhões de pessoas. As cidades-satélites continuam a crescer rapidamente. E o consumo de água avoluma-se igualmente. “Até agora, o fornecedor regional de água tinha de dispor de 7000 litros por segundo, mas já em 2011 terão de ser 10 mil litros por segundo”, estima o professor Holger Weiss, do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig, um dos coordenadores do projeto. A cooperação foi iniciada por seu colega, professor Detlef Hans-Gert Walde, que trabalha na Universidade de Brasília (UnB). O geólogo alemão chegou ao Brasil há mais de 20 anos como cientista convidado, com apoio do DAAD, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. Walde afirma que hoje se sente meio brasileiro e que conhece bem ambas as culturas e os interesses.
Atualmente, especialistas de numerosas áreas atuam no projeto. “Temos conosco engenheiros hidráulicos, climatologistas, geólogos, químicos, geógrafos e hidrologistas”, diz Weiss. Pela frente, há muito que fazer. As velhas tubulações com 50 anos de idade necessitam de modernização. As estações de tratamento precisam ser otimizadas e ampliadas. Até agora, 80% da água encanada vem de duas represas fora de Brasília. Porém, elas não bastam mais. Um reservatório adicional tem de ser incluído no sistema: o lago Paranoá, no centro da cidade. “Nós estamos verificando também se a água poluída pode ser filtrada em sedimentos”, diz Weiss. Pois assim se poderia enriquecer o lençol freático em várias localidades. O objetivo mais importante de curto prazo é a elaboração de um plano integrado para a gestão dos recursos hídricos da região. Em 2011, também devem estar prontas as primeiras instalações piloto para tratamento de água potável e esgotos. A longo prazo, deseja-se sinalizar zonas de proteção a lençóis freáticos e reduzir a contaminação das águas por agrotóxicos. Planeja-se igualmente diminuir a erosão na temporada de chuvas.
Alemanha e Brasil financiam paritariamente o projeto IWAS Água DF. Ele é parte de um programa fomentado pelo BMBF para a gestão de recursos hídricos em regiões hidraulicamente sensíveis no mundo. Do lado brasileiro, participam a UnB e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB), além do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). Os especialistas brasileiros reúnem-se anualmente com os colegas das instituições alemãs parceiras. A primeira fase do projeto termina ainda em 2010. A segunda fase, até o fim de 2012, já foi solicitada.














