O prédio quadrado brilha ao sol reluzente do meio-dia. Mas o calor não incomoda os homens que já se reuniram diante do prédio. Seus olhares se dirigem a uma pequena faixa que balança ao vento, na frente da entrada. Trajando roupa afegã tradicional, um homem aproxima-se dela. Um corte rápido com a tesoura, aplausos, apertos de mãos – a partir de agora, a nova estação policial em Taloqan, na província Takhar, no norte do Afeganistão, pertence às forças locais de segurança. Cada vez mais os governadores no Afeganistão têm que empunhar a tesoura “simbólica”, pois a construção da polícia está progredindo, apesar dos contínuos problemas e da frágil situação de segurança. A ajuda à polícia do Afeganistão é o ponto central do apoio alemão para o país assolado pelas guerras. Cerca de 22 mil policiais foram formados ou especializados por treinadores alemães ou sob a direção alemã no Afeganistão. Apenas neste ano serão empregados cerca de 36 milhões de euros da Alemanha para a construção da polícia afegã. No norte do Afeganistão, serão entregues à polícia, neste ano, 33 prédios financiados pela Alemanha. Até o verão de 2009 será construído um quartel-general para a polícia em Faisabad, que também deverá servir de centro regional de treinamento. O objetivo do engajamento alemão, que vem sendo estreitamente coordenado com a missão policial européia EUPOL Afeganistão, é que a polícia afegã possa assumir paulatinamente e cada vez mais a responsabilidade sobre a segurança no país.
A reconstrução e a segurança civis são os pilares do novo Programa Afeganistão, elaborado pelo governo federal alemão em setembro de 2007. “Não há segurança sem reconstrução e desenvolvimento”, esclarece o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier. E na Conferência sobre o Afeganistão em Paris, em junho de 2008, ele também deixou bem claro que o apoio da Alemanha é coisa muito séria. Lá, o ministro anunciou, respectivamente para 2009 e 2010, outros 140 milhões para a ajuda alemã da construção civil. Toda a gestão civil alemã importará em um bilhão de euros. Dinheiro que também fluirá para a infra-estrutura. As principais rodovias em Cabul foram reconstruídas sob a direção da Alemanha. 2,5 milhões de pessoas em Cabul, Herat e Kunduz já dispõem novamente de um abastecimento de água.
Mais de 30 mil soldados, policiais e pessoas civis têm até agora ajudado no Hindu Kush. Inúmeras organizações não-governamentais estão no país há anos e muitas delas trabalham nos setores da educação e cultura. Após 23 anos de guerra civil, praticamente não havia mais nenhuma educação escolar no Afeganistão. Não existia mais vida cultural. A cultura e projetos de política de educação têm prioridade no engajamento alemão. Apesar de alguns revezes, podem-se registrar êxitos neste meio tempo. 6,5 milhões de alunos e alunas aprendem em mais de 3500 escolas – cinco vezes mais que em 2001. Desde alguns anos, a responsabilidade na formação de professores está inteiramente a cargo da Alemanha. Mais de 170 docentes universitários afegãos vieram até agora para a Alemanha, para se especializar. Em cooperação com o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e com a Technische Universität de Berlim, modernos centros de cálculo entraram na rede. Grande parte da construção da mídia está em mãos alemãs. A Deutsche Welle (DW) forma jornalistas afegãos, oferecendo estágios práticos e coordenando workshops. Em seis dias da semana, a rádio da DW irradia um magazine nas línguas pashtun e dari, que relata exclusivamente sobre os projetos de construção e a democratização no Afeganistão. A Deutsche Welle forneceu às emissoras parceiras afegãs nessas províncias instalações satélite, para irradiar os atuais programas de rádio da DW. Lá também se presta ajuda à construção da justiça. Em cooperação com as Nações Unidas, o governo federal alemão vem enviando, desde julho, os chamados coordenadores da justiça para os centros populacionais de Jalalabad, Herat, Gardez, Mazar-e-Sharif, Kunduz, Qandahar e Bamiyan.
As Forças Armadas Alemãs também se engajam muito no Afeganistão. Cerca de 3500 soldados alemães devem assegurar o aspecto de segurança do programa alemão para o Afeganistão. Sendo assim, a Alemanha é o terceiro maior país no envio de tropas para a missão ISAF (International Security Assistance Force) no Hindu Kush, a mandato da ONU. Dentro da ISAF, o exército alemão é responsável pelo norte do país. Lá, as Forças Armadas Alemãs também assumiram a direção dos Provincial Reconstruction Teams (PRTs) em Kunduz e Faisabad. Um duplo comando – um funcionário do Ministério das Relações Exteriores e um oficial das Forças Armadas – coordena a reconstrução e a cooperação com a população nativa dessa região. Mas o contingente de tropas não ficará assim. Em fins de junho, o governo federal alemão anunciou que enviará no próximo ano outros mil soldados para o Afeganistão, por causa da precariedade da situação. Tão logo o Parlamento Alemão tenha decidido sobre esse mandato, em 12 de outubro, o planejamento para a ampliação da missão das Forças Armadas poderá começar. Assim como os soldados das Forças Armadas já estacionados no país, os novos deverão “assegurar, estabilizar e construir o país, junto com os afegãos e como parceiros com igualdade de direitos”, disse o ministro das Relações Exteriores Steinmeier. “Este é nosso programa. E assumimos a responsabilidade”.













