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CIÊNCIA

Uma plataforma para o diálogo

O Centro Alemão de Inovação e Ciência (DWIH), em São Paulo, compreende-se como vitrine de inovação no Brasil. Um diálogo com o Dr. Bertram Heinze, diretor do DWIH

Entrevista: Oliver Sefrin

Dr. Heinze, o DWIH foi inaugurado no início de 2009 em São Paulo. Qual foi o motivo para a escolha do Brasil para sediar tal centro alemão de pesquisa e desenvolvimento?

Um motivo para esse desenvolvimento é uma maior promoção da Alemanha como polo de ciência e inovação no estrangeiro. Universidades e instituições de pesquisa alemães já implementaram, no passado, centros no estrangeiro. Os cinco Centros Alemães de Inovação e Ciência em Moscou, Nova Délhi, Nova York, Tóquio e São Paulo são um desenvolvimento dessa ideia. Por que o Brasil? Este país tem um significado estratégico para a ciência alemã, pois possui um número crescente de formandos universitários e doutorandos, sendo, assim, um mercado interessante para a pesquisa, a inovação e a tecnologia.

Quais são as prioridades do seu trabalho?

Como equipe de projeto deste centro, meus funcionários e eu temos, no momento, duas tarefas principais. Estruturalmente, estamos trabalhando na construção de um centro com infraestrutura, apropriado para o estabelecimento de instituições científicas, organizações de fomento, universidades ou conglomerados universitários alemães sob um só teto. O segundo ponto central é fortalecer o contato entre cientistas alemães e brasileiros e também a ciência de ambos os lados, através de eventos, mesas-redondas ou viagens de delegações.

Quanto ao conteúdo, como o trabalho está se desenvolvendo?

Em um ano e meio, organizamos primeiramente pequenos eventos de rede. Começamos este ano com dois eventos maiores sobre a tecnologia ambiental e a biologia sistemática, seguidos de workshops sobre a física de alta energia, medicina técnica e plantas medicinais. No começo de 2011, o fim do Ano Científico Alemão-Brasileiro, vamos oferecer diversos workshops maiores sobre temas como hidratos gasosos, nanotecnologia, bioenergia, astrofísica e geotecnologias. No outono, organizaremos, especialmente para empresas novas e inovadoras da Alemanha, um encontro de cooperação empresarial nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Muitas dessas empresas encontram um mercado muito bom aqui no Brasil.

Como é o interesse por esses eventos?

Os eventos até agora realizados atraíram muitos interessados, entre eles, muitos participantes brasileiros, pois, em questões tecnológicas, a Alemanha tem uma grande relevância. Como consequência das viagens de delegações, foram feitos, neste meio tempo, primeiros pequenos contratos de cooperação. Uma universidade alemã de ciências aplicadas pôde, por exemplo, entrar em negociações com empresas alemãs no Brasil sobre contratos de pesquisa no setor automobilístico. Em geral, podemos dizer que o centro é visto como um fórum e ponto de encontro muito importante para o diálogo e o intercâmbio. Por outro lado, nós, do DWIH, tiramos proveito da forte interconexão através da Câmara de Comércio e Indústria e de cerca de 1200 empresas alemãs no Brasil.

Na página de internet do DWIH, o senhor oferece um mapa de pesquisa. O que ele significa?

Instalamos no website uma ferramenta que, baseada no Google Maps, apresenta um mapeamento da paisagem de pesquisa alemão-brasileira. Esta oferta, que é muito bem aceita, se chama “Map of Science”. Há muitas reações positivas, o que também é comprovado por mais de 400 cooperações e correspondências que até agora ou já foram registrados no mapa ou que ainda estão em elaboração.

Que mais-valia o DWIH pode oferecer a universidades e instituições de pesquisa alemãs?

Creio que a sinergia central é que as instituições alemãs estão geograficamente centralizadas no Brasil, apresentando-se como vitrine da paisagem alemã de ciência e inovação. A segunda sinergia é a apresentação conjunta das instituições alemãs frente à paisagem científica brasileira e ao público brasileiro. Através dessa apresentação conjunta, nosso centro também quer oferecer à sua ação individual uma mais-valia que se apresente com uma clareza muito mais evidente em São Paulo e também nas províncias.

Onde há possibilidades para o DWIH de impulsionar novos temas e formas de cooperação para o futuro?

Ao lado das ciências de vida, nas quais o Brasil já ocupa hoje uma posição de liderança, há outras disciplinas, como a biologia sistemática, a nanotecnologia ou a biônica, que despertam grande interesse. As ciências de engenharia, a tecnologia ambiental, as geociências e a física de alta energia formam a base das firmas industriais, de instalações de grande pesquisa ou de depósitos de matéria-prima no Brasil, tendo, assim, uma importância estratégica para o desenvolvimento das relações de cooperação com toda a América Latina. Mas não queremos ditar temas, pois nossa tarefa é, sobretudo, ser uma plataforma, para que os cientistas e promotores de inovações de ambos

os países dialoguem entre si, identificando os temas excepcionais. Ao lado disto há também novos instrumentos para desenvolver uma cooperação futura mais estreita, com a qual poderemos fazer uma verdadeira transferência de tecnologia. Nós nos compreendemos como um catalisador que simplifica determinados processos. Para tanto, nosso centro pode funcionar como uma plataforma de diálogo.

www.dwih.com.br

14.09.2010
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