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Uma pausa da história – Rozalia Romaniec, Polônia

60 anos da República Federal da Alemanha, 20 anos da Queda do Muro: Que imagem outros países têm da Alemanha? Correspondentes estrangeiros olham para o país, 20 anos depois da Queda do Muro. Uma visão externa, da jornalista polonesa Rozalia Romaniec

Mesmo que atualmente um tema domine as relações teuto-polonesas acima de todos os outros – “cultura da lembrança das consequências da guerra” –, ainda não existe razão para pânico. Na Polônia, tem se noticiado do vizinho de forma mais abrangente do que muitos pensam. Alemanha 2009: para a Polônia ela é também um país ameaçado pela crise econômica e animado pela emocionante Bundesliga. Recentemente também conhecida pelo “prêmio sucata” (subsídio a quem troca o carro velho por um novo) e pelas crescentes taxas de natalidade. O interesse em temas diversos da Alemanha nem sempre foi tão grande. Eu sou do ano de 1972 e ainda posso me lembrar do tempo em que a imagem da Alemanha era muito mais marcada pela II Guerra Mundial. Quando penso em meus tempos de escola, penso em velhos livros escolares e diversos filmes. Os alemães apareciam quase sempre da mesma forma: uniformizados e armados. Agora, o problema foi reconhecido em ambos os países e as leituras obrigatórias estão sendo corrigidas. Além disso, planeja-se um livro de história teuto-polonesa.

Mas, por que as velhas feridas reabrem sempre tão facilmente? Como teria sido se a Alemanha Federal tivesse praticado outra política em relação à Polônia nas primeiras ­décadas do pós-guerra e não tivesse se recusado, durante um quarto de século, a reconhecer os rios Oder e Neisse como fronteira? Teríamos superado melhor o debate sobre a expulsão dos alemães da Polônia após a guerra? O fim do período de gelo, iniciado por Willy Brandt em 1970 com o reconhecimento da fronteira ocidental da Polônia, possibilitou não só relações diplomáticas, mas trouxe também mudanças positivas para as pessoas de ambos os países. Gdansk e Bremen assinaram em 1976 a primeira das atuais 400 parcerias entre cidades alemãs e polonesas. Quando, em 1981, foi declarado estado de sítio na Polônia, milhões de alemães enviaram pacotes às famílias polonesas. Para muitos poloneses, foi hora de questionar a imagem que tinham da Alemanha.

Por isto ainda me espanto com alguns debates sobre a “cultura da lembrança” em ambos os países. Basta dar uma olhada no ano de 1989. Embora tenham se passado apenas 20 anos, poucos alemães se recordam do que ocorreu antes da Queda do Muro. Quando poloneses lembram orgulhosamente de sua contribuição, muitos de seus amigos alemães não entendem absolutamente de qual contribuição eles falam. Nas conversas ­sempre se descobre que alguns pensam que primeiro caiu o Muro, depois o Bloco Oriental. Na Polônia, isto causa estranheza e, por isso, o país partiu recentemente para a ofensiva. A embaixada polonesa em Berlim, por exemplo, produziu grandes cartazes com a frase “Tudo começou numa Mesa Redonda”.

A iniciativa provocou questionamentos. Mas, em tempos de paz, História é para as pessoas nada mais que história, e elas se interessam mais pela atualidade. Dessa forma, uma pequena pausa da história não tem que prejudicar a convivência. Quando jovens poloneses e alemães se tornarem amigos, eles poderão depois conversar mais facilmente sobre a História. Como poderia ser diferente, se há anos se escuta dos políticos que estamos vivendo no momento um capítulo de nossa História comum, que seria o melhor dos últimos quase mil anos.

24.03.2009
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