A Alemanha é campeã de exportação – também no setor da televisão. Suas produções de tevê são apreciadas internacionalmente e deram à televisão alemã a fama de produzir programas de qualidade. Ao mesmo tempo, o mercado alemão de tevê está entre os de maior concorrência no mundo. Característica especial: o sistema dual, dividido entre emissoras de direito público e emissoras privadas. Em comparação internacional, a Alemanha possui algumas das maiores emissoras de TV: as duas redes de direito público (ARD e ZDF), bem como dois conglomerados privados de TV (RTL e ProSiebenSat.1). A ARD é uma network de nove emissoras regionais de tevê que, ao lado de seus canais regionais, operam conjuntamente o canal nacional Das Erste, cobrindo cerca de 35 milhões de domicílios na Alemanha. A emissora Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF) transmite a sua programação para todo o país.
As emissoras de direito público e privadas oferecem uma programação completa – de noticiário atual e documentações até seriados, filmes de tevê e longas-metragens, bem como shows de entretenimento. A oferta da ARD e da ZDF é complementada com canais especiais, como o canal de documentação Phoenix e o canal infantil KIKA, bem como com ofertas internacional, como o canal alemão-francês Arte e o canal cultural 3sat – uma cooperação com as televisões austríaca e suíça.
O grupo privado de mídia RTL Deutschland faz parte do Grupo RTL europeu e pertence ao conglomerado de mídia Bertelsmann. Ao lado de outros, opera os canais RTL, RTL II e VOX. ProSiebenSat.1 pertence aos investidores financeiros KKR e Permira. O conglomerado, que opera entre outros os canais SAT.1, ProSieben e Kabel Eins, fundiu-se em 2007 com o grupo europeu SBS. No setor de pay TV, há ainda o grupo Sky Deutschland, que é controlado pela Rupert Murdoch News Corporation. ARD e ZDF são financiadas a partir das taxas de radiodifusão, que todo cidadão é obrigado a pagar, quando dispõe de um aparelho receptor de rádio ou televisão. Além disto, elas obtêm renda com a publicidade. Mas comerciais de televisão só são permitidos à ARD e à ZDF de segunda a sábado, no horário de 17 às 20 horas. Em 2008, a ARD recebeu 5,35 bilhões de euros das taxas de radiodifusão, com os quais também financia as suas emissoras regionais de rádio. A ZDF, que não possui emissoras de rádio, recebeu 1,73 bilhão de euros. A receita publicitária total das emissoras de direito público (inclusive rádio) girava em torno de 500 milhões de euros por ano, antes da crise econômica. Os canais privados de sintonização gratuita ainda tiveram uma renda de 4,9 bilhões de euros em 2006, proveniente da publicidade. Não existem na Alemanha debates abertos, como na Grã-Bretanha, sobre a possibilidade de as emissoras privadas receberem uma parte da taxa de radiodifusão. As emissoras privadas têm pouco interesse nisto, pois tal possibilidade seria acoplada a condições relativas à programação: as emissoras de direito público na Alemanha têm de garantir uma chamada oferta básica de informações. Por outro lado, às emissoras privadas será possível a partir de 2010 uma receita adicional através de product placement em seriados, shows e transmissões esportivas. Isto é uma consequência das novas diretrizes da UE para os serviços de mídia. Para ARD e ZDF continuará existindo a proibição de product placement.
Na aceitação do público, a rede nacional da ARD continuava recentemente na liderança. No ano de 2008, Das Erste teve uma participação de 13,4% no mercado, seguido por ZDF com 13,1%, RTL com 11,8% e SAT.1 com 10,3%. Na importante faixa de público entre 14 e 49 anos de idade, a vitoriosa foi geralmente a RTL que teve, em 2008, uma participação de 15,7% no mercado. Ela enfrenta agora a concorrência da ZDF. A emissora de Mainz inaugurou, em novembro de 2009, o seu novo canal digital ZDFneo. A meta é atrair mais telespectadores jovens, com programas humorísticos próprios e séries americanas, e aumentar assim a participação nesta faixa relevante do mercado, até agora de apenas cerca de 5%.













