Konk mostra c.neeon” soa como um código secreto, mas foi uma homenagem, criada por dois símbolos da criatividade berlinense por ocasião da Berlin Fashion Week no fim de janeiro. A Konk, loja de moda vanguardista do bairro Berlin-Mitte, dedicou à marca berlinense c.neeon uma retrospectiva de seus quatro primeiros anos de moda. Figurinos graficamente inspirados, experimentais, de coloridos a chamativos, mesmo assim “vestíveis”, tudo a ver com Berlim: assim é o design das estilistas Clara Leskovar e Doreen Schulz. As fundadoras da c.neeon estudaram na Kunsthochschule de Berlim Weißensee. Com nove escolas de moda, a capital alemã tem o maior número de estabelecimentos de formação na área na Europa. E desde que as duas ganharam em 2005, na França, seu primeiro prêmio em um festival de moda, elas vivenciam uma ascensão vertiginosa. É por isso que seus modelos para a Berlin Fashion Week, a maior vitrine da capital criativa, não estiveram à vista só na Konk. A c.neeon apresentou uma das 25 maiores coleções no maior evento de moda da Alemanha.
Do fundo do quintal às passarelas internacionais, a história de sucesso da c.neeon é um legítimo conto berlinense, assim como as das marcas Kaviar Gauche, Lala Berlin e Sisi Wasabi. Todas enraizadas na moda berlinense, elas desfilaram na Berlin Fashion Week. “Berlim é uma cidade incrivelmente inspiradora”, diz Zerlina von dem Bussche, fundadora e designer da Sisi Wasabi. Muitos criativos veem a cidade assim: Berlim pulsa, é rápida e cria tendências. Nela, leste e oeste se encontram, há aluguéis mais em conta e muito espaço para experimentalismo – tanto nas cabeças quanto em prédios de fábricas. Berlim é a capital criativa. Como nenhuma outra cidade alemã, ela também atrai os formadores de tendências, desde 2006, quando a Unesco a declarou Cidade do Design, tornando-a um entroncamento na rede internacional de cidades criativas.
Criatividade faz bem para sua imagem, mas também já soma como forte fator econômico. O segundo Relatório da Economia Cultural, divulgado pelo governo berlinense em janeiro de 2009, afirma: em comparação com o ano 2000, o número de empresas berlinenses na economia cultural e criativa cresceu um terço até 2006, e o faturamento aumentou um quarto. 22900 empresas dos ramos editorial e imprensa, jogos eletrônicos e TI, cinema e tevê, música, arte, design, publicidade, arquitetura e artes cênicas estão gerando faturamento de 17,5 bilhões de euros por ano. Com isso, a participação da “creative class” no PIB da economia berlinense chega a 21%. Mais de um décimo da população ocupada da capital trabalha na economia cultural. Berlim possui 160500 profissionais criativos. Entre eles, porém, há uma grande parte de autônomos com baixa renda. Até 2015, a “creative class” berlinense deve expandir-se a até 200000 profissionais. O governo berlinense deseja esta evolução e vai reforçar o financiamento às boas ideias de negócios criativos, concedendo mais microcréditos do que até agora. Além disso, Berlim apoia os criativos com uma série de investimentos em infraestrutura e plataformas para trabalho em rede, tal como “Create Berlin” e creative-city-berlin.de. E instituições – entre elas o Medienboard Berlin-Brandenburg – fomentam objetivamente setores específicos, como os de filmes e jogos eletrônicos.
O forte da criatividade berlinense concentra-se no centro, em Berlin-Mitte. Segundo o Relatório da Economia Cultural, a maioria das empresas do setor criativo tem seu endereço em Berlin-Mitte ou em Prenzlauer Berg. O epicentro da criatividade fica na rua Oranienburger Straße, com 452 empresas criativas. No entanto, os chamados “bairros de erupção e efervescência”, como Berlin-Kreuzberg, também recuperam terreno, assim como o “velho oeste”, com os bairros criativos consolidados Charlottenburg e Friedenau..
Em Berlim, a maioria dos profissionais das ideias, exatamente 36300, atua na indústria cinematográfica. Porém, pelo número de empresas, os maiores ramos criativos são editorial, imprensa, arquitetura, software e jogos eletrônicos. Com crescimento acima da média, o mercado de publicidade registra atualmente 2550 agências. Mas elas faturam ainda bem menos do que as concorrentes dos tradicionais polos publicitários do país, como Düsseldorf, Hamburgo e Frankfurt. Os idealizadores de jogos digitais e programadores são de longe os vencedores. O número de suas empresas em Berlim praticamente dobrou desde 2000, chegando a 1540. Elas contribuem com 6,7 bilhões de euros em faturamento anual, o maior da economia criativa na capital, dois bilhões à frente dos registrados pelos setores editorial/imprensa e de filmes. “A forte infraestrutura para filmes e música oferece boa base para desenvolvedores de softwares de entretenimento”, diz Wolfgang Siebert, da Radon Labs, uma das maiores criadoras de jogos de computador da Alemanha. “Este cluster atrai especialistas.” Segundo ele, em Berlim há muitos profissionais autônomos qualificados, que rapidamente reforçam sua equipe nos períodos de alta demanda. Christian Sauerteig, da The Games Company, vai direto ao ponto: “Berlim é simplesmente perfeita para o ramo de games.”
A afirmação pode, claro, ser estendida aos demais setores criativos. Ao ramo de moda, por exemplo. Orgulhosa, Berlim anunciou em janeiro deste ano que a feira de vestuário Bread & Butter retornará de Barcelona a seu local de fundação, a capital alemã. Em julho, modelos e estilistas irão transformar, por três dias, o recém-desativado aeroporto Tempelhof no mais novo templo do design. Bem-vindos à capital da criatividade.













