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Direitos básicos no papel principal

O cineasta alemão Harald Siebler, de Berlim, filmou os primeiros 19 artigos da Lei Fundamental. O filme foi lançado em 2007. Uma entrevista sobre o surgimento do projeto cinematográfico invulgar “GG19”

O cineasta alemão Harald Siebler, de Berlim, filmou os primeiros 19 artigos da Lei Fundamental. O filme foi lançado em 2007. Uma entrevista sobre o surgimento do projeto cinematográfico invulgar “GG19”.

Sr. Siebler, romances ou biografias são filmadas. Mas como se chega à idéia de fazer um filme sobre os direitos básicos?

Já no meu trabalho em teatro eu tratei do tema indivíduo e Estado comunitário. Quando vi “Dekalog” e a trilogia “Drei Farben” de Krzysztof Kieslowski, comecei a buscar um tema para a Alemanha, que fosse apropriado para a formação de tal modelo construtivista. Acabei encontrando na Lei Fundamental, mais precisamente nos 19 artigos iniciais, os direitos básicos. Quando tive de constatar ainda que eu e muitos no meu círculo só conhecíamos de maneira muito incompleta as regras básicas da nossa democracia, então nasceu a idéia: um projeto de filme sobre a busca da pretensão e da realidade da ordem democrática básica na Alemanha.

Como é que artigos constitucionais ­podem tornar-se tema interessante para um filme?

Eles são inicialmente apenas a matéria da qual surgem os sonhos. Com diversos parceiros, fiz uma licitação para autores e lhes dei a tarefa de escrever um roteiro de no máximo dez minutos de duração sobre um dos primeiros 19 artigos da Lei Fundamental. De mais de 400 roteiros, escolhi, juntamente com um júri, as 19 histórias para o filme. Para nós, foi importante encontrar a maior variedade possível de histórias e de gêneros. A diversidade era, em nossa opinião, o critério que mais refletiria o princípio democrático. A tarefa era transmitir inúmeras perspectivas distintas com recursos variados e buscar a confrontação com o estranho. Na realização, acrescentou-se ainda o tratamento da matéria pelos diretores e a distribuição dos papéis, que deram vida ­cinematográfica aos roteiros.

149 minutos sobre os direitos básicos: que mensagem é transmitida pelo seu filme?

Em sua totalidade, o filme espelha uma importante parte da Lei Fundamental. Eu quis ressaltar de forma especialmente clara quatro pontos. Primeiro: a República Federal da Alemanha é um Estado federativo democrático e social. Segundo: todo o poder emana do povo. Ele é exercido pelo povo em eleições e votações e por órgãos especiais do Legislativo, do poder executivo e do Judiciário. Terceiro: a legislação está submetida à ordem constitucional; o poder executivo e o judiciário estão submetidos às leis e ao direito. Quarto: todos os alemães têm o direito da resistência contra qualquer um que queira eliminar esta ordem, se não for possível outra forma de solução.

Como o trabalho no “GG19” influenciou a sua visão dos direitos básicos?

Considero a nossa Lei Fundamental um alto patrimônio, que merece a atenção de todos nós. O trabalho no “GG19” marcou enormemente a minha percepção em relação à defasagem entre a ordem democrática básica e a realidade. Constatei que a Lei Fundamental é estranha para a maior parte dos cidadãos. Os direitos e deveres, determinados por ela, não são conhecidos por muitos. As conversas durante e depois dos oito anos de trabalho no “GG19” fortaleceram minhas reivindicações pela responsabilidade própria dos cidadãos, por mais formação e mais consciência em relação a contextos sociais.

Entrevista: Oliver Sefrin

26.03.2009
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