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60 anos da República Federal da Alemanha – 20 anos da Queda do Muro

A Alemanha comemora

Dois jubileus são festejados pela Alemanha em 2009. 2ª parte: dos anos 80 até hoje

Janet Schayan

A década de 1980

Os Verdes no Parlamento

Fuga da RDA

Queda do Muro

É a década na qual surge uma nova força política na Alemanha: Os Verdes foram criados em 1980, a partir dos movimentos pacifista e ambientalista. Apenas três anos depois, eles entraram pela primeira vez no plenário do Bundestag, de pulôver e portando girassóis. Um choque cultural para os partidos tradicionais. O chanceler federal, desde 1982, é Helmut Kohl (CDU). Ele fora eleito como chefe de governo pelo Parlamento, quando o partido liberal FDP deixou a coalizão social-liberal sob Helmut Schmidt (SPD) e formou, em vez disto, uma coalizão com os partidos cristãos CDU/CSU.

Mas todos os acontecimentos políticos internos da década empalidecem face ao outono do seu último ano: no dia 9 de novembro de 1989, cai o Muro de Berlim. Acontece o que os alemães do Leste e do Oeste já quase não consideravam mais possível. Sob pressão da própria população, a RDA abre a fronteira para o Ocidente. Termina a era da divisão alemã. Isto foi precedido por semanas de revolução pacífica na RDA. As reformas do presidente soviético Mikhail Gorbatchov e os movimentos democráticos na Hungria e na Polônia criaram um clima, no qual também muitas pessoas na RDA puderam manifestar abertamente sua insatisfação com o Estado, através da fuga para a Hungria e Tchecoslováquia, e nas Manifestações das Segundas-Feiras. Elas foram iniciadas em setembro de 1989, diante da igreja de São Nicolau, em Leipzig. Ambos os fatos abalam tanto as estruturas da RDA, que Erich Honecker renunciou, no dia 18 de outubro de 1989, aos postos de secretário-geral do partido único SED e de presidente do Conselho de Estado.

Na noite de 9 de novembro, o membro do “politburo” Günter Schabowski anuncia inesperadamente, numa entrevista coletiva à imprensa, inusitadas liberdades de viagem para pessoas privadas, que entrariam em vigor “imediatamente, sem demora”. Milhares de cidadãos da RDA dirigiram-se, ainda na mesma noite, para a fronteira com Berlim Ocidental, onde os guardas de fronteira da RDA, sem uma ordem clara, abriram inúmeros postos de controle. Caía assim o Muro. Em dezembro, os representantes dos movimentos cívicos da RDA negociaram uma transição democrática para o país. Ao mesmo tempo, cada vez mais alemães no Leste reivindicam em manifestações a unificação alemã.

A década de 1990

Reunificação

Reconstrução do Leste

Mudança para Berlim

Em 18 de março são realizadas as primeiras eleições livres para a Câmara Popular da RDA. Na campanha eleitoral, debate-se sobretudo a forma e rapidez da unificação com a Alemanha Federal. A vitória da conservadora Aliança pela Alemanha é um voto claro pela unificação o mais rápido possível e a introdução da economia social de mercado. Com a criação de uma união econômica, monetária e social, em maio, fica praticamente concretizada a integração da RDA na Alemanha Federal. Na política exterior, o caminho para a unidade alemã exige aprovação das quatro potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. Nas conversações “Dois-mais-Quatro”, os EUA, a União Soviética, a França e a Grã-Bretanha negociam com os dois Estados alemães as modalidades da unificação. No dia 12 de setembro de 1990, é assinado em Moscou o tratado “Dois-mais-Quatro”: a Alemanha unificada ganha soberania plena, os direitos dos Aliados caducam em 3 de outubro de 1990. No mesmo dia, a unidade alemã é concretizada com a adesão da RDA, de acordo com o parágrafo 23 da Lei Fundamental. Em dezembro de 1990, são realizadas as primeiras eleições parlamentares de toda a Alemanha: Helmut Kohl (CDU) torna-se o primeiro chanceler federal da Alemanha unificada. Na política externa, a Alemanha empenha-se intensivamente pelo aprofundamento da integração europeia. Em 1995, a ela está entre os primeiros países a assinarem o Acordo de Schengen, cujos signatários abrem mão de controles na fronteiras comuns.

Os anos 90 são fortemente marcados pelas consequências econômicas da unificação e da reconstrução do Leste: a União e os Estados estabelecem um pacto de solidariedade, a fim de corrigir as defasagens resultantes de 40 anos de divisão. Desde 1991, há além disto o “Adicional de Solidariedade” no Leste e no Oeste, um imposto adicional destinado a financiar a reconstrução do Leste. Desde a unificação da Alemanha, Berlim é a capital da Alemanha e torna-se também a sede de governo, conforme decisão do Bundestag. Em 1999, o Parlamento, o governo e uma grande parte dos ministérios mudam-se de Bonn para Berlim. A nova Chancelaria Federal é ocupada por Gerhard Schröder (SPD): desde as eleições de 1998, ele é chefe de governo da primeira coalizão entre os social-democratas e os verdes, a nível federal.

A década de 2000

Globalização

Reformas

Copa do Mundo

Na primeira década do novo milênio, o mundo olha para a Alemanha em algumas ocasiões. A primeira exposição mundial do século é realizada em Hanôver. Na Expo 2000, as apresentações concentram-se pela primeira vez nos temas da sustentabilidade e do equilíbrio entre o ser humano, a natureza e a técnica. Correspondendo a uma nova era com novas coordenadas, a globalização aproxima o mundo, econômica e politicamente. Mas no final da década, ela mostra também o seu outro lado, com a crise financeira mundial.

Em 2006, a Copa do Mundo de futebol desperta o alegre espírito de festa em todo o país. O “sonho de verão” muda a imagem dos alemães para muitos no exterior: eles são anfitriões cordiais e capazes de festejar descontraidamente. Em 2007, a União Europeia comemora seu cinquentenário em Berlim, durante a presidência alemã do Conselho da UE. A “Declaração de Berlim” recorda conquistas da UE e valores e raízes comuns de seus membros. Em 2004 e 2007, a comunidade aumenta em doze o número dos filiados, passando a ter 27 países membros. Os novatos são principalmente países centro-europeus. Também no ano de 2007, o G8 reúne-se na Alemanha, em Heiligendamm. De lá, partem novas iniciativas para proteção global do clima, uma política para a África e cooperação com os países emergentes.

Na política interna, chefiando uma coalizão entre o SPD e a Aliança 90/Os Verdes, o chanceler federal Gerhard Schröder lança a “Agenda 2010”, com medidas de reformas sociais e combate ao desemprego. Na política exterior, a Alemanha demonstra diversas vezes, na década de 2000, a disposição de assumir maior responsabilidade internacional no âmbito da comunidade das Nações, a fim de contribuir para a solução de conflitos e de fomentar a sociedade civil. Em novembro de 2005, uma mulher se torna pela primeira vez chefe de governo na Alemanha. A chanceler federal Angela Merkel governa com os votos de uma grande coalizão da CDU/CSU e do SPD. O vice-chanceler e ministro das Relações Exteriores, no final da primeira década do século 21, é o político do SPD, Frank-Walter Steinmeier. Nas eleições parlamentares de setembro de 2009, Merkel e Steinmeier são os candidatos principais de seus respectivos partidos.

15.04.2009
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